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Vanessa/Female/21-25. Lives in Brazil/Rio Grande do Sul/Porto Alegre/Higienopolis, speaks Portuguese and English. Spends 20% of daytime online. Uses a Slower (28.8k-) connection. And likes Escrever/Ler.
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Desde 25 de Agosto foram...
[AD-SIZE][AD-SIZE] Heiter Lampert não usa esse pseudônimo para se esconder de alguém,nem tampouco procura manter-se no anonimato,escolheu lançar mão desse expediente porque cansou de ver as pessoas usando seu nome em vão. 24 anos,trancou o curso de jornalismo,mas não deixou de escrever nem por um minuto. Doadora de sangue,não bebe,não fuma e não usa nada que possa estragar o precioso líquido vermelho que corre em suas veias. E-mail de Heiter Lampert.

Sexta-feira, Abril 30, 2004


O Resgate do Caderno Lala

Bem, conto o fim do filme antes de começar a história: ainda não encontrei o caderno e as pessoas olham para mim com um misto de pena e dúvida. Coitada da moça, andando uma hora dentro de uma lotação só para chegar ao fim da linha (é, o ponto final aqui tem esse nome dramático) e procurar por um caderno que ninguém encontrou....mas por que raios essa guria quer tanto aquele caderno?

O que, afinal de contas, tem naquele caderno de tão especial? Bem, eu tinha acabado de comprá-lo, para escrever enquanto o tempo passava, tinha combinado de encontrar o Dave no centro da cidade depois que acabasse um curso que ele está fazendo. Passei a tarde rodando o centro da cidade, parei em uma livraria para ler alguma coisa e tive vontade de escrever. Comprei o caderno e escrevi dois textos enormes (o caderno era pequeno, qualquer texto pareceria enorme), comecei a desenhar uma mulher sobre um cavalo...na verdade apenas esbocei, tanto a mulher quanto o cavalo, entre um texto e outro.

Fiz tudo à lápis, ou melhor, lapiseira. De vez em quando tenho vontade de escrever cinza e deixo a caneta na bolsa. Era isso o que tinha no caderno: um dos raros textos que escrevi e achei bom. Sabe aqueles textos que saem da alma, naqueles momentos em que conseguimos a proeza de arrancar da gente o que nos angustia e jogar no papel com ritmo? Pois é...

Aí me vem o motorista da lotação: "espero que ele não tenha sido encontrado por uma criança". Eu me desespero ao visualizar a cena: a criança encontra o caderno e mostra para a mãe.
- Devolva, guri, isso deve ter dono.

O menino mostra para a mãe que o caderno tem sim nome na capa, mas que não tem nada escrito dentro dele. Aqui eu explico:
Sabe-se lá por quê a desmiolada aqui simplesmente não consegue começar a escrever em um caderno na primeira folha. Geralmente eu tenho que abrir lá pelo meio ou do meio para o final e começar a escrever. Vou preenchendo o caderno de forma não-linear...a menos que seja uma história linear, aí começo da segunda página em diante. De qualquer forma, geralmente a primeira página permanece intacta por vários meses.

Feliz, com seu objeto de furto (achado é roubado sim!), o "piá" volta para casa e trata de catar sua caixa de giz de cera e sua coleção de canetinhas assassinas. Uma a uma as páginas do caderno são rabiscadas, sem dó, até que ele chega a uma página que o atrapalha com aquelas letrinhas miúdas e pouco legíveis, escritas em um traço cinza-claro, fininho. Muita coisa. Uma, duas, três páginas escritas por alguma pessoa maluca. O que será? Dane-se. Duas opções: a primeira, passar giz de cera e canetinha por cima, como se nada houvesse ali, ou pegar aquela borrachinha do Pateta e acabar com o incômodo e antiestético texto, depende da idade do guri. A partir dos seis anos eles já optam pelo assassinato com borracha, antes disso, preferem passar o rolo compressor colorido por cima.

-Espero que não - balbuciei ao motorista, ainda apavorada com a cena que imaginei. Deixei a lotação sem grandes esperanças de rever o caderno. Custou setenta e cinco centavos...é muita miséria roubar um caderno da credeal, que custa setenta e cinco centavos e tem um desenho colorido na capa escrito "Turma da Lala", sendo que ninguém sabe quem é a tal da Lala, nem eu (não, não é aquela dos Telletubbies). Para mim sim, ele é especial e muito importante, mas se quem o encontrou não quiser devolvê-lo certamente não é por apego emocional, mas pela cultura falso-esperta do "achado não é roubado".

Pensar assim é legitimar, por exemplo, a divulgação de centenas de textos com "autor desconhecido" pela net. Não há autor desconhecido, todo texto tem autor, nenhum se auto-escreve. Não passo adiante nenhum texto que não tenha o nome do autor, como fizeram com alguns textos da Patrícia Daltro (quem não conhece a história, pode lê-la no Sobre Blogs)acho uma tremenda falta de respeito. É pegar o achado e pensar que não é roubo. É encontrar um caderninho na lotação e não devolvê-lo por pensar que a tal Vanessa Stella Lampert o perdeu porque quis e que não se importa com isso. É esquecer do outro e olhar para seu próprio umbigo, acreditando que há alguma vantagem em tomar para si algo que não te faz diferença nenhuma ter ou não ter. É falta de respeito. E de educação.

PS Mais uma foto das belas paisagens de Porto Alegre. Essa foi tirada por mim, um pedacinho do Parque da Redenção, e ficou horrível, porque o lugar é muito mais bonito pessoalmente. Prometo tirar outra foto melhor e colocar aqui:

Ainda vou fazer uma série das paisagens horríveis de Porto Alegre, para que não me acusem de só ver o lado bom da vida...risos...




Novidade:

Há séculos estou para contar, mas só agora, munida da prova do crime e de documentos fotográficos, posso adiantar alguma coisa. O resto, só depois que conseguir uma foto da minha mão junto da mão do meu cúmplice:






Sim, trocamos a cor das alianças :) Agora elas estão mais caras e mais bonitas. As de prata estão devidamente guardadas, como registro histórico. Isto, é claro, já é motivo para que eu tire centenas de fotos e poste aqui para entulhar a página :)

PS: Ando trocando a noite pelo dia, dormindo antes das dez e acordando antes das sete da manhã. Por favor, alguém me interne.



Respostas ao post Não estou mais sozinha: (sim, isto foi um link)

"Eu adoro essa felicidade toda. E acredito nela..."
Blanda

Eu também, Blanda! E você tem acompanhado isso desde o começo, sabe bem, não é?

"Oi, Van...

Pois é, eu sempre tive uma relação estranha com o ser sozinha. Passei minha vida inteira precisando de _uma_ pessoa -- apenas uma, mas muito necessária, para confiar totalmente, abertamente, sem qualquer máscara, proteção ou trava. Essas pessoas sempre acabavam, um dia, indo embora e dando lugar a outra, nova -- melhores amigas e amigos, meu primeiro namorado, e o meu quase-advogado, que espero que fique ao meu lado para sempre. É estranho, eu ainda não percebi se foram coincidências que me impediram de acumular essas grandes amizades, ou se eu realmente não consigo me dividir com muitas pessoas. O fato é que todas elas se tornaram desafetos, ou longínquas demais no espaço ou no espírito.

Bem, isso está muito longo. Eu acho que vou copiar e colar no meu blog... ;) Desculpe pelo enorme comentário-desabafo... E beijos!"
Laly

Laly, não precisa se desculpar. Bem, eu sempre tive problemas em mater amizades, não raro me afastava delas ou, simplesmente, fugia das criaturas, já irritada com a presença delas. Felizmente isso não acontece mais, depois que decidi me aproximar apenas daquelas pessoas que realmente têm algo a ver comigo, não apenas companhia apara não ficar sozinha. O importante não é você conseguir se dividir com muitas pessoas, se você se concentrar para conseguir se dividir com apenas uma pessoa especial, com certeza já terá valido a pena.

Ceder, negociar, entender, gastar tempo e paciênca, você sabe que não é fácil, eu também sei, mas acho que vale a pena um pouco (ou um muito) de esforço para conseguir somar com uma pessoa, sem máscara, sem bloqueio algum. E todo mundo precisa de alguém, o ser humano não foi feito para ser sozinho. Acho que nenhum animalzinho neste mundo foi. :) Beijos!

"Solidão enjoa, mas a gente precisa mesmo se adaptar à ideia de ter uma companhia. Eu ainda estranho: não posso mais simplesmente sentar num café e ler o jornal por horas a fio... não, tenho alguém para conversar e talvez discutir as notícias do jornal. Que estranho! Mas que legal! Pensei que não fosse gostar, e gostei. Vejo que está
sendo assim com você também.

O único problema é tê-lo por perto quando vou comprar tintura de cabelo. Ora, todas sabemos que essa é uma operação delicada e demorada. Mas os homens não compreendem a nossa hesitação entre o tom 7745 e o 7755! Bom, o meu está quase entendendo os tons e as numerações, e já dá seus palpites. Mas acho que ainda preferiria ir sozinha :)"
cath

Cath, escolher tintura de cabelo é algo extremamente pessoal, um momento profundamente íntimo, que exige de nós a mais profunda concentração. Ter um homem que pouco sabe disso ao nosso lado dando palpite ou fazendo perguntas, realmente, tira toda a profundidade do momento e atrapalha um bocado...risos...é uma coisa que ainda faço sozinha, mesmo porque da última vez em que pedi a opinião do Dave ele disse: "não dá para passar alguma tinta que deixe seu cabelo exatamente da cor que ele está?" Argh.

Mas no geral, apesar de estranho, tem sido bom. Mas é estranho esse negócio de não ser mais um indivíduo individual (e pleonástico...risos....)...e nem tem como ser! A mágica do amor, onde duas pessoas tornam-se um monstro de duas cabeças.

Ah, te falei que estou pensando em trocar a cor do cabelo? Planejando algumas transformações capilares....pensei em tingir de loiro, o que chocaria a opinião pública, já que nunca usei essa cor, ela remete nosso inconsciente a alguma coisa relacionada com barbies e Kelly Keys e eu gosto de quebrar alguns paradigmas.

Tenho medo, porém, de que tamanha descoloração despigmente meus neurônios e confunda as sinapses o que, sinceramente, não seria de meu agrado. Pensei em ficar loira depois de minha cunhada me dizer que eu ficaria bem com qualquer cor de cabelo, menos loiro. Quem me conhece sabe que o "Menos loiro" me soou como uma espécie de desafio do além, para provar que pessoas amareladas também podem ficar loiras, dependendo do tom. Mas, sinceramente, ainda não me encontro muito inclinada a aceitar tal desafio.

Respostas ao post anterior, também de respostas.

" po van convida gente pro yakult!"
Alec

Feedback-to-Feedback Van-resposta ao Alec
Alec, estou completamente perdida, nem sei como funciona aquela coisa.

" vai navegando q vc aprende. convida seus amigos... a blanda tá lá, eu vi ela. "
Alec

Alec, eu estou me sentindo uma idiota, não entendo como funciona aquela coisa, nem para que serve, nem o que se faz ali, enfim, sinto-me um dinossauro perdido no meio do Orkut. "Vai navegando que você aprende" não me ajudou em muita coisa ainda.

" Olá, Nossa!!! Se é uma coisa q tenho medo, é da solidão, ainda mais eu que sou apegado mto as pessoas!!!"
Gabriel Teixeira

Gabriel, não precisa ter medo da solidão. Geralmente ela só aparece quando a gente procura alimentá-la, como eu fiz durante anos. Não te digo que era ruim, mesmo porque nunca tive esse apego às pessoas (exceto às pessoas da minha família), mas também não era bom. Não mesmo.

" Pode, sim! Quando o sobrenome é bonito, a gente surrupia mesmo!

E voce tá no Yakult? Eu tambem tô!"
cath

Cath, te adicionei. Ou acho que te adicionei. Só não entendi ainda para quê eu te adicionei, já que não captei ainda o espírito desse tal de Yakult...risos.... alguém quer fazer o favor de explicar para essa criaturinha jurássica como funciona aquela coisa e qual é a finalidade dela?? Beijos!

oE! que bom q recebeu, espero resposta!!! espero q gostado das fotos! alias, viu como vc esta parecida com a Victoria Beckham? rs..... bjos"
Gabriel Teixeira

Gabriel, tentarei ser mais rápida...risos...ia te responder ontem, mas quando estava na metade do e-mail tive que sair, mas salvei como rascunho e provavelmente termine hoje. Quanto às fotos, gostei sim, mas ainda não vejo essa semelhança...risos....vou ver se posto aqui durante o final de semana, ok? Beijos!

"Van, gosto muito desse seu jeito de responder comentários. Achei chiquérrimo o novo futuro nome, com técnica pra ser falado e tudo...
Beijos,"
Mada

Obrigada, Mada :) Infelizmente não é sempre que consigo responder a todos os comentários, como gosto, porque dá trabalho separar um por um, copiar, colar, colocar aspas, itálico, links e negrito e, claro, responder. Mas sempre leio todos e, tagarela, sinto uma vontade incrível de responder, um a um...risos...não dá para desperdiçar, eles sempre enriquecem demais os textos e os assuntos sobre os quais escrevo. Estou tentando me disciplinar a respondê-los sempre antes do novo post, isto, é claro, se o word deixar. Espero conseguir, mas em alguns momentos, quando é impossível fazer do jeito que gosto, prefiro colocar um novo texto do que esperar tempo para responder comentários e deixar o blog sem atualização. Acho que o pessoal que vem aqui ler não gostaria disso. Beijos!




Quarta-feira, Abril 28, 2004


Respostas ao post Procura-se Desesperadamente:

"Bom, se eu encontrar seu caderno por ak, irei te avisar! rs....
Já mandei o e-mail e as fotos pra vc! bjos"
Gabriel Teixeira

Obrigada, Gabriel, nunca se sabe quando um caderno resolveu fazer uma viagem interestadual, não é? E eu recebi os e-mails e as fotos, vejo se respondo ainda hoje. Beijos!

"Er...que nome bonito!"
cath

:) ...risos...Cath, obrigada, ficou lindo, não? Acho que posso surrupiar o sobrenome dele mesmo sem ter me casado ainda, não posso?...risos.... Se a Lucinha Lins continua sendo Lucinha Lins e a Ivana Trump ainda é Ivana Trump mesmo não sendo mais absolutamente nada do Ivan Lins e do Donald Trump, porque eu, no caminho inverso, não posso virar Vanessa Stella Lampert mesmo antes de ser Vanessa Stella Lampert? :) Fora a cacofonia (não fale este nome rápido para não correr o risco de me chamar de Vanessa Ste Lalâm Pert, há toda uma técnica de respiração entre as palavras), fica muito mais sonoro do que Vanessa Santana, Vanessa Rodrigues ou, simplesmente, Vanessa Resende. E menos comum.

"Sistema novo, tive de vir testar, né?
Tava com saudade, eu fico uns dias fora e fico com saudade... entra no Yahoo... essa semana toda o Má viajou e estarei por lá. Beijos."
Blanda

Blanda, também estou com saudades. A gente se encontra durante a semana no Yahoo Messenger, pode deixar. Não entrei ainda porque estava passando o dia inteiro fora de casa e voltava exausta, caindo quase desmaiada na cama ao final do dia. Terrível. Beijos!

"Juro que se o seu caderno vier dar por essas bandas, sei lá, de repente resolveu fazer turismo aqui no Rio :D Eu envio por sedex para você. Beijos e torço que ele logo, logo volte para casa."
Moça

Ah, Patrícia, eu também espero! E, como eu disse ao Gabriel, nunca se sabe quando um caderno resolve inovar e fazer um passeio turístico, não é mesmo? Eu não excluo nenhuma possibilidade...risos... Beijos!

"Oi menina! Vim agradecer sua visita e lindas palavras lá no banheiro... E eu estou com um problema meio assim... Estou muito magoada com meu pai, por hora, para sentir alguma coisa por ele. Talvez eu venha 'acordar' tarde demais... não sei... Beijos"
Jady

Jady, vá por mim, não perca tempo com bobagens, não sei o que aconteceu entre você e seu pai, mas acredite, tudo desaparece quando sentimos aquela falta de alguém que não vai mais voltar e a gente percebe que nada é mais forte do que o amor que sentimos. Também estava com problemas com meu pai, vira e mexe tínhamos nossos estranhamentos e até hoje me arrependo do tempo de convivência com ele que perdi por bobagens.

Só o que me conforta é saber que houve momentos em que eu pude dizer a ele o quanto o amava e também saber que em nosso último encontro não houve briga alguma, nem dicussão, nem cobranças, nada, apenas um apertado e longo abraço e a estranha felicidade que senti ao vê-lo. Vá por mim, faça um esforço e tire essa mágoa do coração, não perca tempo, para o seu bem. Beijos!!!

"Vim agradecer de coração as lindas palavras deixadas no Banheiro pra mim e pra Jady;
seu coment foi tão lindo que vai virar parte das homenagens que farei hj á noite na missa de sétimo dia viu?
q Deus te ilumine sempre ;
obrigada mesmo.
um super beijo!"
Flá

Imagina, menina, nem precisava agradecer, eu escrevi o que senti quando li a respeito do motivo da sua ausência, escrito pela Jady. Estou orando por você e pela sua família, para que vocês se recuperem desta perda da melhor forma possível e que tenham de volta a alegria, que certamente era o que o seu tio iria querer. Eu sei o que é isso e o quanto tudo fica escuro quando a morte chega assim, sem aviso. Mas passa...e as coisas boas voltarão a acontecer. Que Deus cuide de vocês. Obrigada pelo carinho. Beijos!



Não Estou Mais Sozinha


23 anos. Foi o tempo em que fiquei sozinha. Claro, tive um quase-namorado aos 17 anos, três meses por carta, três dias pessoalmente, o suficiente para ver que não gostava dele e decidir terminar. A confusão para conseguir mandá-lo para o espaço foi tanta que prometi a mim mesma que nunca mais namoraria sem estar apaixonada. E cumpri. Nem namorar, nem ficar (exceto um beijo que me roubaram- e devolveram- há dois anos).

Só que 23 anos são 23 anos, não é? 23 anos para uma pessoa que nunca fez questão de estar cercada de amigos, que sempre foi mais de ficar em casa lendo, escrevendo e ouvindo música do que sair para baladas, aliás, que sempre detestou- e detesta- sair para baladas, uma pessoa que sempre tentou se conhecer, aprender a lidar consigo mesma e todas aquelas coisas self, self, self....ou, se alguém quiser radicalizar, ego, ego, ego...

Não é fácil, depois de 23 anos de vício da solidão aprender a dividir-se com outro ser humano, ter que assumir que não se está mais sozinha e que um simples "me deixe em paz, eu resolvo isso" pode ser uma desgraça inenarrável. Ué, mas eu sempre resolvi sozinha, não resolvi? Pois é, mas agora você não está mais sozinha...

Bom e estranho é ter companhia para ir ao cinema, ao shopping, caminhar à toa, comer pastel, ir à igreja em horários esdrúxulos, coisas que costumava fazer sozinha, mas a voz reverbera e me diz: "Você não está mais sozinha". Não, não me incomoda, eu acho ótimo, solidão cansa, enjoa. 23 anos então! Argh! Mas não deixa de ser estranho.

Ainda mais quando você se acha a criatura adulta aos 24 anos...adulta não, de vez em quando eu me acho bem velhinha, mas bem velhinha mesmo, aquelas bem enrugadinhas, de cabelo branco e tudo o mais. Velhinhas são rabugentas! Velhinhas não mudam, são cheias de manias! Mas....justo eu que adoro mudar, me reinventar, arriscar dizendo que sou comodista?

Existem relacionamentos em que ninguém muda, ninguém cede, ninguém se adapta....mas isso é muito ruim, apesar de adaptar-se ser difícil. A "mágica" de um relacionamento amoroso está exatamente em dois se tornarem um (por mais brega que isso possa parecer) e isso só se consegue através do diálogo e da flexibilidade, sem que nenhum dos dois perca a sua individualidade, enfim, é difícil.

É abrir mão do self, self, self e perceber o quanto a vida a dois é mais bonita. E se você ainda não descobriu isso, não perca tempo com bobagenzinhas, fechando seu coração á toa. Abra-se mais uma vez, não pense que ao se esconder evita sofrimento, muito pelo contrário...e se seu relacionamento está estagnado ou esfriando, identifique o erro e conserte-o! Com humildade o suficiente para assumir que também existem coisas a serem mudadas em você.

E aqui estou eu fazendo o odiável "discurso de auto-ajuda" que tanto detesto...risos...não é isso, vocês sabem. Mas é que eu fico aqui, desesperada, tentando arranjar alguma forma de dizer a vocês "Ei, eu não sou Pollyanna, sei o quanto a vida é dura, sei o quanto as pessoas sabem machucar a gente, já me fechei um monte, mas me permiti ser feliz e consegui. Você também pode, não?" Embora esse lance de "você pode! Você consegue!" me pareça um tanto quanto "auto-ajúdico" (putz, esses neologismos estão ficando a cada dia piores...risos..).

Enfim, é esse o meu normal e eu nunca digo nada que eu não esteja realmente pensando ou sentindo, não é otimismo, simplesmente, é saber olhar além das adversidades e perceber que tudo pode ser melhor, ainda que, neste momento, não pareça. E eu quase tenho um treco quando vejo alguém olhando o muro e se lamentando por ele, sem se tocar de que existe algo além do muro e que, se ela ousar arriscar, quantas vezes for preciso, pode conseguir ser feliz.




Segunda-feira, Abril 26, 2004


Procura-se, desesperadamente

Perdido um caderno pequeno, brochura, 48 folhas, com três páginas escritas, um desenho na contracapa (não terminado) tudo em grafite (lapiseira), nome na face interna da capa: Vanessa Stella Lampert. Quero apenas as folhas escritas, por favor, a quem encontrar, eu preciso daqueles textos. Possivelmente perdido na lotação Higienópolis via Hospital Militar mais ou menos às cinco e quarenta da tarde. Quem achar, por favor, me avise por e-mail hkanswitch@hotmail.com

Dizem que é praticamente impossível recuperar algo perdido nesta cidade, mas não custa nada tentar, não é mesmo?




Domingo, Abril 25, 2004




Bem, meu dever de tia não me deixou fazer muita coisa por este blog hoje e peço mil e quinhentas desculpas. Explico, recebi um e-mail desesperado da minha sobrinha Luana, enteada (que nome feio, não?) do Junior, com quem brinquei de boneca até os dezesseis anos, quando ela começou a se desinteressar pela coisa...risos...

Bem, a pobre criança, que está com...hum...quanto mesmo? Dezoito anos? Bem, ela queria ajuda para colocar comments em seu mais novo blog! A criaturinha estava sofrendo horrores, há dias lutando contra o blogger, sem saber o que fazer. Solidária, eu, que já passei por isso, me ofereci para ajudar. E passei as últimas horas organizando a "casa" dela.

A princípio pode ser difícil de acreditar, mas minha única exigência foi que ela não fizesse, em hipótese alguma um blog-fofo. A julgar pelo template rosa de ovelhinha, minhas esperanças de que ela cumpra as exigências começam a esfarelar-se...risos...

Maaaas....como família está acima de qualquer princípio ético, lá fui eu, começar a dar ao Será q fui eu? uma cara de blog (quem vê pensa que sei fazer isso). Contador (de legos cor-de-rosa...estou bem humorada hoje...risos..), exemplos de links, enquanto ela não me passa sua lista e, é claro, os comments do blogger. Tentei colocar os do haloscan, mas ficava fora do ar toda hora, depois tento novamente.

Luana (ou melhor, Lu, porque ela não gosta que a chamem por extenso) é uma menina inteligente, muito legal, baixinha e bonitinha, não há o que temer :) Não tem muito hábito de escrever, por isso deletou outro blog que mantinha. Aos poucos descobrirá que para ter um blog não é preciso ter tempo, muito pelo contrário! É preciso apenas ser doido o suficiente para, "de uma sentada só" escrever um post quilométrico, ou pequeno, mas interessante...ou nem interessante, mas um post (não faça isso, é terrível, fique com as duas primeiras alternativas). Nem precisa de tempo para isso! É só praticar :)

Se bem que eu não sou parâmetro para nada, não é mesmo?

É isso, Lu, se você aparecer por aqui, pode contar comigo para o que precisar, não sei muito, mas qualquer coisa "recruto" meus amigos, leitores deste blog, para ajudar. Desde que não seja para colocar estrelinhas perseguidoras de mouse e gifs piscantes que isso ninguém aqui sabe fazer...risos...(alguém já percebeu que sou traumatizada com blogs-fofos?)

Amo você, você sabe disso. Ah, e me dê uma foto sua para eu colocar aqui e ilustrar este post :) As que eu tenho de você, com o Paulinho, você não vai querer que eu publique, estava com cara de sono em todas! :)

Sobre o Another Monster.... Coloquei mais um sistema de comentários porque o haloscan está fora do ar, sabe-se-lá até quando. É sempre bom ter mais de um, não é?

Ok,hoje é domingo, quase ninguém entra neste blog domigo, o que me faz ficar terrivelmente desanimada para escrever qualquer coisa que preste. Sem contar que eu já deveria estar dormindo, mas simplesmente perdi o sono...para variar. Ontem dormi de madrugada e foi estranho, mas foi bom. Talvez- e só talvez- Nuno Cobra tenha razão.

Só porque disse isto descobri que estou sim com sono. Estou ficando mal-humorada e irritada, o que, em meu caso, é indicativo de sono. Começo a ficar chata, irritada, de péssimo humor, insuportável...a quem pensava que esses sintomas de sono desapareciam ou diminuíam depois dos dois anos de idade, não, não desaparecem....nem diminuem...

Sendo assim, a última coisa que eu deveria fazer era escrever aqui, nesse estado lastimável. E tão lastimável está meu estado que muito pouca paciência tenho para sequer escolher uma foto que combine com este post (sempre escolho as fotos depois de escrever os posts). Talvez não coloque nenhuma foto, talvez coloque alguma foto que nada tenha a ver com o post, enfim....hoje estou completamente sem critérios para nada...nem para escrever, nem para postar imagens...argh...

Amanhã eu volto...acordada, prometo. Eu sou muito mais interessante acordada...risos...nesse estado, nem eu me suporto, não posso exigir tanto de vocês.




Sábado, Abril 24, 2004


Alguns

"Esse negócio de que talvez tecido adiposo te ajudasse pode ser balela. Eu tenho uma amiga bemmmmm gordinha que é mais friorenta que eu que sou... Deve ser coisa de organismo mesmo... Obrigada pela visita lá no banheiro :) Beijos"
Jady

Hahaha...Jady, pegou meio mal esse negócio de "obrigada pela visita lá no banheiro"...deixe-me explicar a quem está perdido: Jady refere-se ao Papo no Banheiro, blog coletivo, recém-inaugurado, de muito bom gosto, escrito por quatro amigas gente-boa. E sei não, mas minhas aulas de biologia insistem em me fazer acreditar que se eu fosse mais gordinha, sofreria menos. Se a sua amiga emagrecesse, por exemplo, talvez morresse de hipotermia sob o ar-condicionado do cinema. Sinceramente, espero que não. Beijos!

"Póc, toin... toin..."

Querida Vanessa,

Recebi sim a sua sabonetada, porém uma dúvida paira no ar...
Você leu TODAS as condições/alternativas antes de atirar-me esse objeto (que mesmo sendo cheirosinho, faz galos na cabeça?).
Pergunto: Nunca tomastes um banho demorado!? Nem cantastes no chuveiro!?
Num acredito naum...
Tens testemunha!? risossss

Abraços."
Aldy

Hahahaha....aqui, Aldy refere-se ao comentário que eu deixei no mesmo blog , no dia 19. Aldy, a gente já conversou sobre isso e eu te expliquei o fundamento do meu comentário. Você ter colocado "ou" ao invés de "e" me deu permissão para te dar aquela sabonetada, mesmo tendo cantado minha vida toda ao chuveiro e raramente tomado um banho que durasse menos de trinta minutos...risos...bastou-me, somente, jamais ter tomado um porre, por não beber, e, com isso, nunca ter vomitado por esse motivo. Da próxima vez, use um "e"...ou um capacete :) Beijos!!!

"Oi!!! Nossa, qto tempo, quase 2 semana sem internet eu fiquei, q raiva! Mas hj a tarde entrei na net so pra ler as suas varias atualizações q n tinha lido! Ah! eu vou te mandar e-mails sim, sobre meus amigos, fatos, e outras coisas... Enfim... Eu amooooo frio sabe, acho q se pudesse escolher uma estação so, eu escolheria o frio! Acho tão gostoso, ak esta começando a fazer frio tb! N mto, mas esta! Tipo esta "fresquinha" q pra vc ja é frio! rs.. adoro vc, e seu blog tb, rs bjaum...."
Gabriel Teixeira

Gabriel, senti sua falta, achei que tivesse esquecido de mim...risos... Bem, você tem bastante coisa para ler...risos.... e estou aguardando seu e-mail. Qualquer coisa te mando um friozinho por e-mail também, que está sobrando por aqui...risos...ainda estou congelando e não entendo como você pode achar "Gostoso"...risos... Beijos!

"É sempre muito bom descobrir pessoas refinadas e que escrevem tão deliciosamente bem, como você...
Sou novo por aqui, mas pretendo ma habituar a essa sua cidade rapidamente...
Posso vir aqui de vez em quando tomar um chá da tarde? Posso?
Obrigado..."
Rufus

Rufus, obrigada :) E, como eu te disse, Campo Grande é uma cidade agradável, você vai ver. Quanto ao chá da tarde, ele está sempre meio frio, mas você é muito bem-vindo, pode vir :)

"Aqui em São Paulo também está quente -- mas é preciso considerar que o meu ponto de fusão/solidificação está lá pelos 12°C.

Só para comprovar as explanações dadas num post lá embaixo, a primeira coisa que eu pensei quando vi o blog foi: "Puxa, que moça bonita." Depois de passar os olhos pelos posts, pensei: "Ué. Parece ter pontuação", para logo depois: "Mas está pontuado corretamente mesmo. Que estranho. Vou dar uma lida." Daí eu li, e concluí: "Ela se expressa bem, e tem idéias interessantes, além de ser extremamente simpática." Que nos sirva de lição."
Cal

Cal, estranhou ter pontuação?...risos...bem, obrigada, isso foi um baita elogio, achou que iria encontrar um típico blog-fofo, imagino. Espero que continue lendo, continue gostando e, ainda que deixe de me achar bonita, continue achando minhas idéias interessantes :). E quando começar a fazer frio aé em São Paulo me avise, para que eu fique bem longe dessa cidade...risos...porque se você começar a sentir frio, singifica que eu possivelmente congelaria à mesma temperatura...risos... Beijos.

"Sinto por seu pai, linda... Sinto mesmo...
Com relação à música clássica ou instrumental (da qual sou não só bom ouvinte como dedicado executor), se alguém ainda não percebeu a sutil qualidade que há por trás de notas sonoras sem palavras é porque não sabe, simplesmente, o que é música. Até postei sobre esse assunto hoje...

No fundo, tocar é "tocar", sei que vc entende. Uma musiquinha que toco, por exemplo, composta em torno de 1540 e que dura não mais do que um minuto, me enche tanto de vida que não é possível descrever a satisfação estampada em meu rosto enquanto a executo. E muitos jamais a ouvirão, e nem sequer saberão o que é se deixar transportar para um época bem diferente da nossa, e poder sentir a melancólia por trás de umas poucas notas musicais... E tudo isso cabe dentro de uma música que dura um minuto apenas.
Basia mille."
Rufus

Rufus, Dave diz que não conseguirá dormir enquanto você não lhe disser o nome desta música. ..risos... Quanto a "tocar é 'tocar' ", isso é perfeito. Tocar é "tocar", assim como escrever também é tocar, embora não haja aqui o belo jogo de palavras que você usou...risos..mas a música ainda vai mais fundo (e me trucidem por isso meus colegas escritores, mas aqueles que são verdadeiramente artistas e não apenas "escrevinhadores técnicos", sabem que é verdade), a música toca direto a alma, não precisa nem mesmo passar pela mente para ser sentida, é, simplesmente, absorvida...sorvida, como um delicioso copo de suco de uva :) Beijos!!!

"Até que em fim consegui entrar no seu blog! Fazia três semanas que não dava pra entrar... ficava empacado! Ainda não li nada, mas, pelo que dei uma olhada, tem muita coisa pra ler! Que raiva de não de não ter conseguido entrar este tempão!!!!"
Túlio

Ué, Túlio, que estranho...primeiro o Gabriel, agora você! O que tenho notado é que a página está meio pesada, demorando muito para abrir e não entendo por quê...não é culpa das fotos, sempre tive trocentas fotos no blog para carregar...isso tem cheiro de blogger...

"Aê, Vanessa, lembra de mim? Eu enchia seu saco no news do uol. Assossegue-se, não vim aqui pra isso.
Com uma coisa tenho que concordar com vc: Que metamorfose, vc era bem feinha mesmo, e o engraçado é que essa sua transformação continuou do tempo que eu te enchia o saco pra cá. Aquelas fotos que a gente viu de vc (a gente= eu, Amauricio, etc) estão bem diferentes dessas de agora. Não posso negar que vc tá bem melhor. Esse Dave fez milagres na sua vida. Continue embonitando."
"Ricardö"-antigo news Uol

Olá, "Ricardo". Bem, primeiro, feliz fico em saber que você não está aqui para torrar minha paciência, mesmo porque eu não deixaria uma bagunça daquelas acontecer por aqui. Bem, te agradeço, e tenho que concordar contigo, Dave fez mesmo milagres na minha vida...mas em níveis bem mais subjetivos, embora o amor melhore- e muito- a aparência de qualquer pessoa. Obrigada :)

"Na época que vc frequentava o NG do Uol, e eu tinha por passatempo, na época, te encher o saco, reparei que vc realmente ligava pro que a gente falava. Vc mordia demais a isca, devia ser resquício dessa adolescência maltratada, excesso de defesa.

Gostei da fase atual do seu blog, há alguns dias venho acompanhando, e acho que agora gostei de vc. Sério, tu é gente boa. Deve ser esse seu amor pelo namorado inflamando os inimigos."
"Ricardo", ex-ng UOL

Pode ser, "Ricardo", excesso de defesa e falta de paciência. Mas eu não te culpo, o Vansblog era mesmo terrível. E minha fase atual, depois de conhecer o Dave, realmente, é a que eu gosto mais. Deve sim, ser culpa dele. Abraços.


O resto, prometo, ainda hoje....que raiva do Word....



Ah, não acredito que perdi todas as respostas de comments que estava escrevendo....salvei no word, mas, estranhamente, ao abrir agora, apareceu apenas a primeira parte do arquivo....apenas um comentário! Maaaass...quem me conhece sabe que Vanessa Stella é uma criatura teimosa. Lá vou eu tentar resgatá-los.




Sexta-feira, Abril 23, 2004


A Saga

Bem, estou devendo postar as respostas, mas não vou deixar de escrever por conta disso, não é? (E nem vocês deixarão de comentar, não é mesmo? :) )

Fui à imobiliária e, bem fofamente, contei à moça meus problemas. Ela achou melhor ligar para a proprietária e tentar um acordo, fez duas propostas: ou a mulher fazia os consertos necessários e eu continuava aqui ou ela me liberava da multa contratual, pois afinal de contas, mal faz quatro meses que loquei essa joça e estou reclamando desde o início.

Simpaticíssima, a proprietária deste maravilhoso imóvel não aceitou liberar-me da multa dizendo que conta com esse dinheiro do aluguel (primeiro, não parece. Segundo, e eu com isso?). Não parecia muito inclinada a consertar algo aqui, tanto que a moça teve que lembrar a ela de que ela não faria esses consertos por minha causa, mas porque é uma benfeitoria ao imóvel, ela deve fazer isso.

Bem, resultado: ela pediu um prazo e agora imobiliária vai fazer uns orçamentos da troca do piso e descupinização. Sabe quanto era aquela descupinização que ela não quis fazer? Duzentos Reais. Ora, se ela não quis pagar duzentos Reais pela descupinização (e pena que não sei onde ela mora, senão mandava uns cupinzinhos para ela, de presente), imagina a troca do carpete, que é muito mais caro!

Então, ela quer que eu espere mais um mês. Tia, eu não posso esperar mais um mês. E não é justo que me obriguem a pagar para sair de um lugar que me faz mal à saúde. E também não quero mais ficar aqui! Imagina só a poeira que não vai levantar a troca de piso....ela vai me ceder um quarto na casa dela para morar enquanto isso?

Falei para a moça da imobiliária que, não sendo possível negociar, terei que ver isso na justiça. Pô, alguma justiça deve haver neste mundo imobiliário! Ela me disse para ver o que consigo fazer. amanhã mesmo vou à caça do juizado de pequenas causas e saio deste lugar o mais rápido possível, nem que tenha que vencer a tal D. Marisa pelo cansaço. Veremos os próximos capítulos da Saga "Vanessa em busca da justiça imobiliária". Argh.

Ah, e Blanda, você não chegou aqui, você é da época do Vansblog, você não conta...risos....agora muita gente ainda não respondeu como chegou aqui. Ao que eu percebi a maioria veio de comments de blogs alheios, muitos eu até sei de onde, outros não faço a mínima idéia...mas isso fica para as respostas aos comments. Amanhã, assim espero.




Quinta-feira, Abril 22, 2004


Eu



É, andei meio afastada para ver se conseguia dormir de madrugada, para variar. Para variar, pouco consegui de resultados concretos. Não tenho muito problema com os meus horários, o problema é que o resto da cidade não acompanha o meu ritmo. Aí se eu preciso ir ao banco, pagar alguma conta, ao correio, imobiliária, alguma loja, o que seja, o dia acaba muito prejudicado, isto é, acabo não fazendo nada - ou quase nada- do que deveria e sinto-me terrivelmente incompetente e frustrada com isso. E frustração dá mais sono :)

Hoje não fico até tarde na net porque amanhã tenho que brigar na imobiliária. Pois é, estou protelando isso há séculos, mas não dá para ficar mais tempo aqui, tem o problema dos cupins, do carpete, o frio chegando, a rinite fazendo a festa, a proprietária nem aí, o aluguel caro demais pelo pouco que temos aqui e, para piorar, novos problemas.

Vocês devem se lembrar deste post intitulado "mulatinha nova na bocada"...pois é, o que a ignorância e ingenuidade não fazem com uma pobre menina de 24 anos (pô, filha, você tá muito velha para ser ingênua). Leiam (ou releiam) o texto e percebam que eu não vi nenhuma maldade no comentário do senhor idoso que faz a (in)"segurança" da rua. Pois é...

Bem bobinha, feliz, achando engraçado que o cara tivesse chamado uma branquela como eu de "Mulatinha"...e só. Pois é, dias depois ele chegou, meio bêbado e começou a falar um monte de coisa que eu não entendia. Aí disse: "Eu fico todo dia de manhã em frente à padaria te esperando passar, torcendo para você passar, pensando: será que ela passa aqui hoje? Mas não tem nada de mais, não tem nada de mais eu te achar bonita, gostar de você, você é muito simpática e quem sabe, né?"

"Quem sabe, né?" Ficou batendo algum tempo na minha cabeça. Não acreditei que estivesse ouvindo aquilo. "Bem, com licença, eu tenho que entrar", virei as costas e entrei no prédio. Em seguida viajei e passei uma semana em Campo Grande. Quando contei a história para as minhas irmãs, ainda sem perceber perigo algum no que o cara tinha dito, levei uma bronca daquelas. Me fizeram prometer que nunca mais falaria, nem cumprimentaria o tal homem.

Tudo bem, assim fiz, ao voltar. Dave, que já sabia da história, também não via nada de mais, até eu contar da última conversa que tive com o tal "tio". Pior, o cara todo dia parava o Dave para pedir dinheiro, chamava Dave de "padrinho", começou pedindo um Real e nos últimos tempos já estava pedindo dez, vinte... até nesse dia em que contei a conversa ao Dave e o cara teve a cara-de-pau de pedir trinta Reais, para comprar gás. Ok, nem eu tenho gás em casa, tio. Dave disse a ele que não tinha dinheiro, que era final de mês e toda aquela conversa.

Outro dia ele veio oferecendo um relógio ao Dave, para que ele comprasse, dizendo ser de sua propriedade. Comecei a ficar irritada com a presença do homem e parecia que quanto mais eu ficava irritada, mais ele aparecia por aqui. Alguma coisa estranha havia, ele com um olhar muito esquisito.

Pensei que pudesse ser espiritual e lá fui eu pegar sal consagrado na igreja (e quem me conhece bem sabe que ando "armada", sal, azeite, essas coisas de pentecostal...mas não pensem que é para temperar demônio, please ), joguei sal em toda a extensão da entrada da casa, orei impedindo todo o mal de se aproximar. Dito e feito, o homem, que já tinha até colocado a cadeira em frente ao portão, não apareceu mais ali.

Passado mais algum tempo, ele voltou e lá fui eu com o sal novamente. O cara estava dormindo na cadeira, em frente ao prédio, eu jogando sal, Dave fez barulho de abrir o portão e o homem nem se mexeu. Olhei para cima e vi minha vizinha, esposa do síndico, na sacada, olhando. Fazer o quê? Cumprimentei e continuei jogando meu sal por ali, nem sei o que ela pensou que era, mas não me importa também.Novamente deu certo e o homem não apareceu mais.

Claro, eu sei que ele não pode fazer nada contra mim, mas o problema é que me irrita demais isso, não sei exatamente o motivo, mas ando muito, muito irritada com a presença dele e já não posso sair sozinha depois das seis, nem voltar sozinha da casa do Dave. Nem mesmo sair do carro sozinha e entrar no apartamento, tenho que ser escoltada por Mr. Lampert até a escada do prédio. O que me irrita mais ainda porque sempre fui independente, nunca precisei de escolta para nada, amo ter o Dave a me seguir, mas às vezes o guri está cansado e tem que fazer toda essa caminhada por conta do indivíduo que fica ali, de olho. Outra boa razão para que eu saia correndo daqui. Tomei aversão por este apartamento, este prédio, esta rua.

Quem se lembra sabe que eu fiz de tudo para vir para cá, queria este apartamento, e tinha que ser este, mesmo porque era menos pior do que todos os outros que tínhamos visto. Sabe também que o escolhi pela internet e que lá não estava escrito, junto às especificações, "cupins em todas as portas e rodapés, piso carpete mofado, estragado, velho e horroroso". E quando Dave veio ver também não deu para notar tudo isso e disseram a ele que só havia cupim em duas portas, o que, imagina-se, seria fácil de resolver. Bem, amanhã é dia de briga e contarei o resultado. De resto, deixe-me ver...comecei a responder aos comentários, terminarei amanhã, durante o dia.

Depois dessa história do sal minha vizinha deve ter achado que joguei algum pozinho enfeitiçado no homem ali...risos....não sei exatamente o quê, mas ela me olha de um jeito estranho agora... A propósito, um leitor desavisado leu muito pouco do blog, viu o nick "Heiter Kanswitch" no info, ali na coluna laranja e me escreveu, todo feliz, dizendo "pelo nick tu és bruxa" e disse que ele também é.

Lá fui eu explicar que Kanswitch é um sobrenome alemão que a tonta aqui inventou para um personagem sem jamais imaginar que alguém poderia ler Kans Witch e me confundir com uma bruxa. Mesmo porque eu sempre li com a pronúncia germânica, o "W" com som de "V" e jamais fiz tal confusão. De uns tempos para cá, vendo tanta bruxa, wicca, e essas coisas nos blogs, comecei a desconfiar que o tal Kanswitch pudesse ser passível de algum equívoco. "Mas não"- ponderei- qualquer um que ler o blog vai perceber que sou evangélica e que protestantismo e bruxaria, definitivamente, não combinam. Ou se é um ou outro.

Ledo engano. Enganei o pobre bruxinho...risos...coisa que me fez apressar uma decisão há muito protelada, a de trocar o sobrenome do nick. Obviamente que o e-mail continuará "abruxalhado", mas ao menos assim, de cara, ninguém vai se confundir. A partir de hoje, Heiter (alegre, feliz) não é mais Kanswitch e sim Lampert. Embora eu deva confessar que até o Heiter começa a me incomodar, já que fui confundida diversas vezes com um homem. E gay...risos...

Dave mesmo quando viu meu nick Heiter (Van) em um comentário pela primeira vez, antes de me conhecer, achou que fosse um homem, algo do tipo Peter Van Heiter...risos...e não gosto de enganar ninguém. Quem sabe, nos próximos dias eu mude de Heiter para alguma outra coisa? Estou precisando me reinventar, já disse aqui que tenho ciclos de desconstrução e reconstrução, neste momento quero me reconstruir.

Desde o mais fútil, mudar a cor do cabelo, por exemplo, até transformações mais profundas, jogando para o poço do abismo atitudes ruins minhas, que me incomodam e acabam fazendo mal aos outros. Tudo bem que daí, no começo, terei de colocar o Heiter entre parênteses nos comments para o pessoal saber de quem se trata....pensando bem, isso vai dar trabalho...risos...

Ah, eu queria saber uma coisa, se alguém puder me contar, como você chegou até o Another Monster? Foi por algum link? Onde? Foi pelo Google? O que estava procurando? Se é que você pode contar, é claro...risos...diariamente algumas pessoas chegam aqui procurando por "métodos abortivos", "acompanhante travesti", "foto homens de sunga"... hoje alguém entrou com "cabelos volumosos abaixar" :).

Já tentei, a vida toda, relaxamento ajudou, mas me fez perder os cachinhos e ressecou demais, uso alguns cremes para cabelos crespos, mas a melhor saída que encontrei foi ASSUMIR. Principalmente aqui, onde o pessoal acha o máximo essa plantação de cabelo que eu tenho na cabeça. É, isso aí, me interne, se quiser.

PS: Fiz o primeiro pavê da minha vida (que o pessoal aqui chama de "Torta de bolacha"). Dave diz que gostou, levou para a família dele experimentar (deve ter gostado mesmo, senão não teria feito isso com eles). Amanhã digo o que eles acharam. Eu, autocrítica ao extremo, achei bastante esquisito, embora comível.

Outro PS Dave, por favor, me traga a câmera de volta, começo a ter crise de abstinência, não aguento mais tanta foto parecida!

Para terminar o post-monstro de hoje, dois olhinhos sorridentes para vocês (tem coisa mais estranha e mais feliz do que olhos sorrindo? É, eu sei, tem.):






Segunda-feira, Abril 19, 2004



Hoje pela manhã acordei com outro ovo de páscoa! Mr. Lampert ouviu as súplicas externadas no post de ontem e trouxe para mim mais um carregamento de chocolate o que, emocionada, agradeço.

Começa a fazer frio por aqui. Não sei exatamente se está assim tão frio. O pessoal com quem converso diz que está "fresquinho", enquanto isso a friorenta aqui está congelando.....não se esqueçam que meu ponto de fusão é algo em torno de 23 graus. Congelo, congelo, congelo....brrrrr....brrrrrr......brrrrrr.......

Congelo tanto que congelo o cérebro. O post sobre a maconha só conseguiu estar aqui porque já estava pronto desde ontem, o post anterior foi recortado e colado da Josephine e este aqui está sendo rabiscado por dedos trêmulos no editor do Blogger Br....br..brr....brrr....brrrrr.....

Tenho graves problemas com o frio e creio que, se engordasse alguns quilos, teria menos problemas, já que a camada de tecido adiposo poderia servir como um belo isolante térmico natural. Muito osso, muito frio.

Sendo assim, despeço-me, antes que comece a falar muita bobagem por aqui. amanhã volto, ou hoje mesmo, mais tarde, mais agasalhada e com o cérebro em pleno funcionamento. Assim espero.

Encerrando o dia, a pedidos (sim, me pediram), uma versão maior daquela foto da Praça Shiga, créditos: D.Lampert.

Aproveitando o ensejo, do mesmo fotógrafo, o Lago Negro, em Gramado:

PS: Os cisnes que aparecem na foto são, na verdade, os pedalinhos. Estávamos dentro de um deles, tirando as fotos. Os verdadeiros patinhos e cisnezinhos estão em algum lugar, imperceptíveis já que, perto dos pedalinhos, ficaram minúsculos.



Para que Josephine não me chame de Góia por só postar textos do Edmund, encontrei o seguinte texto no Diário de um Lunático e aproveito para reproduzí-lo aqui, já que perdi o sono.

Romântica demais

"Escrevi hoje pela manhã no Patota's Place: " As coisas sabem como deixar de ser românticas com muita facilidade." E estive pensando um pouco mais sobre isso.

Tinha uma amiga que tinha o sonho romântico de encontrar seu príncipe encantado em um chuvoso final de tarde em um local descampado e, emocionados, eles se aproximariam e trocariam um caloroso beijo encharcado de chuva. Seus sonhos românticos, porém, foram seriamente danificados quando eu lhe alertei que nessas condições ela estaria se arriscando a, mal encontrado o príncipe encantado, ele virar príncipe torrado por ser o ponto mais alto do descampado, praticamente um pára-raios orgânico.

Viúva, mesmo antes de se casar, desesperada, ela agarraria o belo rapaz e seria, junto com ele, eletrocutada pelas românticas forças da natureza... se, no entanto, o rapaz e ela viessem se arrastando pela grama molhada, como soldados em combate, teriam mais possiblilidades de sobrevivência, embora o grau de romantismo aí diminuísse consideravelmente.

No entanto ela não me ouviu, mas também, felizmente, não encontrou seu príncipe encharcado. Confesso que passava noites em claro preocupada com isso, mas depois percebi que cada pessoa é responsável pelo que decide para a sua vida e nada posso fazer para mudar a ordem das coisas.

A manutenção da vida, porém (por pior que ela esteja), deve estar acima de qualquer sonho romântico, de qualquer problema ou planejamento a médio, curto ou longo prazo. A vida pode estar ruim hoje, o que não significa que não possa melhorar amanhã. Ainda bem que é assim, as coisas são cíclicas e não-lineares e é por isso que vale a pena.

Ainda que o príncipe chovido tenha que ser abandonado sozinho no meio do descampado. Se ele quiser eletrocutar-se, que morra sozinho, tentei explicar à minha amiga, você nada tem a ver com os desejos suicidas de tal rapaz da realeza. Cada um faz sua escolha, ainda que a intenção dela fosse subir no cavalo branco (se este aparecesse antes do raio, obviamente) com ele e viver um belo conto-de-fadas (lembrando sempre que contos-de-fadas sempre acabam antes de terminar), não podia ignorar que o tal raio ali estaria, pronto para mandar os sonhos para o espaço, juntamente com ela, o príncipe e o pobre cavalo branco que nada tinha a ver com a história.

Como já disse, felizmente a tal amiga não encontrou o príncipe. Achou um sapo, mas já o devolveu à lagoa. Agora não fala mais em príncipes, nem em sapos, a bem da verdade agora não fala mais em nada, acho que entrou em estado de choque e prefere permanecer calada a esse respeito.

Não que eu não acredite em melosidades e acontecimentos românticos, mas acho que manter um pé na realidade é sempre aconselhável. Minha amiga não fala mais comigo. Por que será? "

por: JOSEPHINE BUTTERFLY 4:48 PM




Leia isto, é o link para a notícia transcrita abaixo.

O cara queria comprar "só" quase meio quilo de maconha... Quando é que ignorantes como Marcelo Anthony e Luana Piovani vão entender que, ao comprarem a maconha do traficantezinho à porta do hotel estão alimentando o tráfico que aumenta a violência e causa estados de guerra como o que ocorre hoje no Rio? E quando os juízes mais ignorantes ainda entenderão que diferenciar o usuário do traficante, antes de ajudar o primeiro, apenas colabora com o segundo? Se não houver quem compre, não haverá quem venda, parece um pensamento simplista? Bem, talvez a coisa toda seja muito mais simples do que se imagina....estamos lutando contra a consequência e deixando a causa solta, impunemente.


Ator Marcelo Anthony é preso comprando maconha
Ele passou 12 horas preso em Porto Alegre; foi solto por decisão de juiz que entendeu que ele só comprava a droga, mas não traficava

Porto Alegre - O ator Marcelo Anthony passou a madrugada e a manhã deste sábado preso em Porto Alegre. Ele foi detido pouco depois da meia-noite por uma força-tarefa do Ministério Público, Polícia Civil e Brigada Militar quando estava recebendo cem gramas de maconha diante de um hotel no bairro Praia de Belas. O pagamento, segundo o promotor Flávio Duarte, havia sido feito antecipadamente com um cheque de R$ 400, que seria trocado por um de menor valor porque o traficante não estava entregando os 200 gramas combinados inicialmente.

Marcelo Anthony atuou este ano na série Um Só Coração, da Rede Globo, e viajou à capital gaúcha para participar, na sexta-feira, do último dia de filmagens do curta-metragem Lótus, do diretor Cristiano Trein.

A ação do Ministério Público, em conjunto com a Polícia Civil e a Brigada Militar, começou a prender traficantes durante a tarde desta sexta-feira, na estação rodoviária de Porto Alegre. Uma equipe flagrou uma jovem de 22 anos, que chegava de Florianópolis, entregando uma bolsa com mil comprimidos de ecstasy a um homem que estava sendo investigado. Na seqüência, na casa do traficante, encontrou mais um quilo de maconha e 703 figurinhas de LSD. A droga seria distribuída em uma festa programada para o fim de semana.

A força-tarefa passou a monitorar os passos de outros integrantes da quadrilha e descobriu que um distribuidor iria entregar uma encomenda na frente do hotel. Ao flagrar o negócio, descobriu que o cliente era o ator. Ao todo, foram presas seis pessoas durante a operação.

Depois de lavrar o auto de prisão em flagrante no Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), a polícia conduziu Marcelo Anthony ao Presídio Central. O ator ficou no setor de triagem das 6 horas ao meio-dia. Foi solto por decisão do juiz plantonista Mauro Borba, que entendeu que ele comprava droga, mas não traficava.

Diversas mulheres que estavam entrando ou saindo de visitas aos maridos ficaram esperando diante do presídio para ver Marcelo Anthony de perto, mas ele saiu com o rosto encoberto por uma toalha.
Por: Elder Ogliari


E a quem discorda, apresente uma solução mais eficiente que não seja completamente (nem parcialmente) utópica.




Domingo, Abril 18, 2004


Já ia dormir quando vi, no blog da Hipácia o seguinte quadrinho, precedido pela seguinte explicação:

"Heiter Kanswitch dialogando com Hipácia Escher:


( - Thanks!)"



Não podia deixar passar...risos... menina, você é demais. Escreva o que estou te dizendo (ou melhor, nem precisa, eu já estou escrevendo), ainda vou te ver toda sorridente, saltitante, contando, toda feliz e otimista as alegrias da sua vida. Te amo, viu?

O Vício

Falando em amor, Mr. Lampert, traga-me mais chocolate que meu ovo de páscoa está quase acabando e eu estou entrando em crise de abstinência antecipada.




Gente, sono e saudade de casa, foi o que aconteceu ontem. Não se preocupem quanto a isso, acho que passa...risos...hoje aproveito para dormir mais cedo, aliás, já estava dormindo, só passei por aqui para dizer um "oi", espero voltar amanhã. Continuem lendo o que não leram (sempre tem algo que não leram para ler...risos...) Beijos!




Sábado, Abril 17, 2004



Revirando meus arquivos, meus textos, meus guardados, mexendo em papéis há muito esquecidos, procurando dentro de mim algo para colocar aqui, virando-me de cabeça para baixo, tantas coisas, tantos lugares e neste momento, nada. Simplesmente nada a me mostrar para onde ir.

Estralo meus dedos, daquela forma que ninguém aguenta ouvir, um a um, o quanto posso. Encosto, devagar, um dedo ou outro no teclado, após ter deixado a caneta de lado. Tem que ser assim. O novo anel em meu dedo me avisa que as coisas estão diferentes agora, justo eu, que já usei tantos anéis...

Vou largando as coisas pelo caminho, não quero mais esse piso e essas janelas, não bate sol aqui, mas também não vou pagar para sair, há de ter um jeito. Largo partes de mim por onde passo e sinto que preciso falar, ainda que não consiga. Falo, mas ninguém entende, nem mesmo eu.

Lágrimas, vez ou outra, sem que eu queira, sem que eu veja, sem que eu diga nada, apenas sinta....soluços pela manhã dizem o que não quero dizer e querem me mandar embora. Não, eu não quero. Ou até quero, mas não posso.

Pular este momento, este dia, esta semana, passar logo para a minha vida, para aquele lugar que sei que existe e nunca chega, porque o tempo não passa. E se arrasta. Largo as coisas pelo caminho, me largo por onde passo, não estou mais onde deveria, nem sei mais onde quero estar.

Passam-se os dias, as horas, os segundos, a cada momento eu me vejo mais e mais ausente, mais e mais calada. "Vamos, fale alguma coisa!" Eu falo, mesmo sem palavras, falo, ainda que não abra a boca, meus olhos falam, minhas mãos, meu rosto, meus dedos...

Mas não, não olhe para mim, o rosto inchado, eu tão longe...o corpo cansado, querendo dormir. Eu quero dormir. Abro a janela e o sol já se foi. Até ele, até ele. Ninguém me espera, nem o sol. Espero a lua aparecer, mas hoje ela está escondida sob as nuvens. Alguém disse que vai chover. Eu digo que já choveu, hoje, logo cedo. Espero então que tudo brote, novo, verde, limpo, alegre, como gosto que seja, que não me falte nada, que só me falte a dor.




PS Shigue, Shiga é o nome de uma cidade no Japão, segundo o Dave, é cidade-irmã de Porto Alegre, o que quer que isso signifique.

Mais um PS Bia, as fotos foram todas tiradas pelo meu digníssimo namorado Dave, menos a da folhagem, que foi culpa minha :) Ele é ótimo, não? Além de ser ótimo escritor é excelente fotógrafo! :) E, é claro, (leia em entonação de tiete na arquibancada) lindo!!!! Lindo!!! Lindo!!!!...risos...



Texto retirado do meu ex-blog de contos e textos, que saiu do ar. Me dei conta de que a maioria de vocês nem chegou a lê-lo, já que ele só foi postado lá.

Segunda-feira, Março 15, 2004
Posted 3:54 AM by Sunflower

O Baú da Velha Senhora


Lendo. Sempre problemática. Li algumas coisas, comparei com outras....vi que talvez eu tenha entrado em sua vida como substituição. Sabe quando um jogador se machuca e o técnico pega logo o primeiro que vê pela frente? Sei, é horrível, mas não há outra forma de comparação.

Vi coisas que foram de outra pessoa antes de serem minhas. Lugares, sons, palavras....como se tudo o que eu tivesse fosse repetido, usado....

Sim, eu me senti mal. Apesar de algo dizer dentro de mim: "não seja boba, Luísa, você sabe que não é assim". Eu sei e não sei, é complicado. Como se fosse eu a intrusa na história de vocês dois. E realmente eu fui.

Eu não sou ela, não sou. Me levou para aquela ponte, me cantou aquela música, me deu aquele livro, tiramos aquelas fotos...e eu nem sabia, nem sabia....na verdade era ela, não eu. Não eu.

Bobagem, olha só o tamanho da bobagem. Alguém me pergunta se eu acredito nisso. Não, não acredito. Você diz que não quer falar daquele tempo, que é tudo escuridão quando pensa no passado. Diz que eu lhe trouxe a luz. Eu sei.

Mas queria apagar tudo, sabe? Tudo mesmo. Mandar tudo para o espaço e ficar sozinha com você. Sem passado, sem presente, só eu, você e o futuro. Apreciando as coisas boas, a esperança, a paz que temos.

Ouvir você falar sem parar, me perguntar o porquê de estar tão calada. Calo-me porque quero te ouvir. E leio de novo porque sou idiota e quero inventar problemas que não tenho. Não basta os que temos?

Vai passar, viu? Tudo de ruim, eu sei que vai passar, você sabe também. Me desculpe se eu sou tão boba, se não entendo coisas que deveria entender, se não sou perfeita, se escavo para desenterrar cadáveres há tanto esquecidos, se vou lá remexer no baú das teias-de-aranha para buscar lembranças daquela velha senhora que sentava na cadeira da varanda, a madrugada inteira, feito louca.

Me desculpe, eu sou uma burra. Ao invés de olhar para o lado, ouvir essa voz macia dizer que me ama como jamais amou ninguém, ao invés de acreditar nesses olhos que me dizem o quanto não conseguem viver sem me ver....prefiro acreditar em velhos cacos empoeirados de coisas que achei tão parecidas com as que você me deu....

Acreditar em você, em nós, em mim, naquilo que temos....insegurança besta, sem sentido. Somos tão fortes passando por essas tempestades....não vivo mais sem você, nem você (eu sei) sem mim.

Fecho então o baú empoeirado das teias de aranha, empurro lá para o fundo as lembranças da velha senhora, da qual você nem lembra o nome, enterro novamente, prometendo jamais revirar aquela terra, mesmo após ter descoberto tanta coisa...

Inútil, tanta coisa inútil. Para que olhar para trás? Você me diz que acabou, fechou a porta e nunca mais a viu...eu aqui, tentando imaginar-lhe o rosto quando jovem. Olho novamente o retrato amarelado, imagino-a sem as rugas, os vincos, a flacidez da pele...escureço seus cabelos em minha mente e penso se ela já foi melhor do que eu.

Em nada. Você diz. Em nada. Eu sei. As lembranças envelhecem. Ninguém pode competir com uma lembrança, mas pode-se ganhar dela. Ganhar sem competir.

Guardei o baú, retirei da parede o quadro de sua esposa morta, a velha senhora de rosto vincado e pescoço coberto de linhas. Abro o armário da cozinha, fazer o café e esperar que as crianças acordem. Venha para a mesa, Renato, me desculpe se toco mais uma vez nesse assunto.




Sexta-feira, Abril 16, 2004



Anda meio quente por aqui e eu cada vez mais alucinada, sem conseguir dormir nos horários certos, sem conseguir desgrudar dessa internet, do computador, deixando para amanhã o que eu tenho que fazer hoje.

Ontem tive um ataque de saudade e morri de vontade de correr para casa, abraçar minha mãe e ficar lá com ela por um tempo. Como é difícil essa vida de gente grande...

Mais difícil ainda é alguém conseguir me convencer a ficar sozinha aqui no meu canto, dormir, quieta, quando não tem uma mísera criatura com quem eu possa conversar de madrugada ou à noite, depois que o Dave volta para casa e eu fico aqui, alone.

Ok, não posso falar disso senão ele se sente culpado, começa a sofrer, a ficar com aquela carinha de gato sem dono, inverter toda a história e me fazer sentir culpada. Droga, ele sempre consegue.

Ouvi alguém falar, dia desses que "se for para eu ficar com ele vai ter que ser do jeito que EU quero". Puxa, será que é tão difícil perceber que não é assim que dá certo? Dá certo se não for nem do jeito que ela quer, nem do jeito que ele quer, mas do jeito que os dois querem. Em um relacionamento que você espera que tenha futuro, no qual você realmente investe, é necessário, eu disse necessário que os dois cedam, e essa é a parte mais difícil.

Principalmente para uma pessoa teimosa, voluntariosa, independente (cabeça-dura, tá?) como eu. Puxa, esse negócio de ceder foi bem complicado, mas....deu para ver que eu consegui, não?...risos...cedi tanto que olha só onde vim parar! Mas olho para o Dave aqui, deitado no sofá, comendo chocolate enquanto eu leio algo que escrevi (e sei lá por que, mas ele adora que eu leia para ele as coisas que escrevo) e sinto que valeu a pena. E ainda vale.

Por isso, ouvir "vai ter que ser do jeito que EU quero" me dá pena. Pobre menina, ainda vai ter que sofrer um monte até aprender que relacionamentos amorosos são reações de dupla troca, não dá para um lado ceder tudo e o outro ficar completamente estático, só aproveitando o lado bom de se ter alguém, não é justo!

Estou usando webline, da GVT, pago um valor fixo por mês e posso acessar o quanto quiser, no horário que quiser. É discada e a linha fica desocupada, para ligações. Por isso, não há motivo para passar a madrugada toda na internet, a não ser o hábito mesmo. Péssimo hábito. Qual é o problema em tentar deixar de ser morcega e ir dormir mais cedo, acordar de manhã e, aí sim, acessar a net? Velhos hábitos demoram a morrer, já diria Garfield.

Falando em Garfield, vai ser lançado O FILME DO GARFIELD em junho ou julho, coisa assim. Estou doida para assistir! Adoro o Garfield, foi uma das leituras que marcaram a minha infância e uma das que, certamente, ajudaram a formar minha personalidade, por pior que isso possa parecer. Sim, imaginem uma criança de quatro ou cinco anos lendo Garfield- e entendendo!!!

As revistinhas eram dos meus irmãos e neste momento estão no quarto do Dave....duvido muito que ele esteja lendo, já que mal tem tempo de respirar, portanto, resolução de ano-novo, amanhã as trarei de volta para a ducentésima releitura. Depois, se ele quiser, empresto, uma de cada vez. Se bem que também estou com uma pilha de revistinhas do Groo em meu quarto que ainda não terminei de ler...risos..não tenho moral para exigir nada do rapaz, não é mesmo?

Sem contar que entulhei o coitado de livros para ler em seu praticamente inexistente tempo livre, já que quando não está trabalhando ele está comigo e quando não está comigo, está trabalhando, quando não está comigo, nem trabalhando, como agora, está dormindo. Pobre rapaz!

Ah, garotas de cabelos cacheados, o Rio Grande do Sul é seu paraíso!...risos....por alguma razão obscura, as pessoas deste lugar acham o máximo ter molinhas pulando da cabeça. Nunca falaram tão bem do meu cabelo quanto aqui, aliás, nunca falaram do meu cabelo, ninguém nunca deu a mínima para o meu cabelo e eu vim de um lugar em que existe o "culto à escova e à chapinha", coisa que não acontece por aqui, por incrível que pareça. Por isso, nunca usei tanto o cabelo solto, às vezes quase não dá para ver a minha cara, mas isso é mero detalhe.

Agora acho que cumprirei a promessa que fiz ao meu digníssimo namorado e dormirei, finalmente, antes que esteja na hora de acordar e ir tomar café com ele, já que não consigo deixá-lo ir trabalhar sem ver sua digníssima cara e conversar um pouco (cara, como a gente conversa! Achei um mais tagarela que eu. Alguém imagina uma pessoa em seu juízo perfeito a me dizer "você tá quieta, fala mais um pouco"???).

Depois, claro, volto para casa para dormir mais um pouquinho :) Esses dias têm sido maravilhosos.

Beijos!!! Mãe, Claudia, Dave, Margie, Guilherme, Carla, esse povo do "mundo real" que costuma de vez em quando dar uma "esticadinha" aqui no virtual.

PS: Dave levou de volta a câmera, "por alguns dias"...aaargh...será que sobreviverei??? Enquanto isso, fotos repetidas. Aguentem.




Quarta-feira, Abril 14, 2004


Outono

Costumamos passear, final de semana e final da tarde, eu e o Dave, rodando de carro por Porto Alegre. Eventualmente encontramos lugares dignos de belas fotografias. O outono traz paisagens que nos enchem os olhos e, infelizmente, a câmera da qual dispomos não capta a real beleza dos lugares que tentamos registrar, mas eles estão guardados para sempre em minha mente.

As folhas secas no chão, espalhadas por toda a calçada e começando a tomar conta do asfalto, as árvores que se fecham, entrelaçando os galhos no alto, formando um túnel sépia iluminado por raios que atravessam os vãos entre os galhos, onde antes havia folhas. Sinto-me dentro de um quadro, literalmente. A vontade é de sair do carro, sentar no chão e ficar lá, apenas contemplando.

Sentindo-me também naquele sépia outonal, com as folhas douradas, amareladas, alaranjadas e algumas que ainda resistem, verdes, presas às árvores que ainda não se renderam, completamente, à estação. Prefiro o outono à primavera. Claro, flores gritantemente coloridas são lindas, mas a paisagem melancólica de outono sempre me toca mais fundo, como se houvesse algo de mim naquelas folhas espalhadas pelo chão e na renovação de ver, ao final de tudo, a árvore voltando à vida, dizendo que perdeu suas folhas, mas jamais deixou de viver.

E há algo de meu naquelas folhas, naqueles tons mesclados, naquela imagem bucólica, algo de passado, algo de alma, de dentro, de vida, de perda, de belo, algo de meu. Como se eu respirasse folhas secas, em um instante. Como se eu fosse folhas secas, por um momento, e no outro, deixasse de ser. E a vida cai a meus pés, pedindo-me para pisar no passado, caminhar sobre ele, ver que nada mais importa e que apenas aquela paisagem dourada subsiste. Uma suave brisa me gela a alma, não é um quadro, é real, é perfeito.

Quem pintou aquela imagem realmente sabia o que estava fazendo, é perfeito, perfeito demais para mãos humanas, dedos de madeira que se entrelaçam entre o asfalto e o céu, corajosos raios de sol invadem a paisagem e iluminam minhas mãos enquanto tento pegar alguma folha perfeita. Eu quero encontrar a folha perfeita. Não acho, de perto não estão tão bonitas quanto são, juntas, de longe. São parte de um todo, sozinhas, não têm a mesma força.

Mesmo assim pego algumas, se não as perfeitas, as melhores, ou menos piores, lembranças de que vimos tudo aquilo, prova irretocável de que estivemos por lá. E estivemos. Eu, ele, as árvores, o sol, as folhas secas espalhadas pelo chão, folhas das quais tanto escrevi, durante tanto tempo, e que, daquele jeito, só existiam em minha imaginação.

Ontem eu vi a paisagem que imaginava há tanto tempo, quando escrevia, falando de minha vida: "ao meu lado só vejo galhos mortos e folhas secas" Mas hoje não há mais, dentro de mim, nem galhos mortos, nem folhas secas, nada mais que me lembre o vazio e a dor da ausência, da solidão e da falta de esperança. Os raios, o sol, finalmente ele transpôs os galhos mais altos e brilhou, vigorosamente, abrindo toda a beleza do lugar que eu julgava sombrio. Aqui, dentro de mim, nada mais há imerso em escuridão.

Saio do carro, mas não me sento na calçada, a observar a bela paisagem, caminho até a árvore, recolho algumas folhas do chão, olho as folhas da árvore, ela sabe que voltará a ser verde e que o outono passará e, após o frio, o sol novamente brilhará, trazendo vida a todos os espaços vazios. A árvore sabe. Até a árvore sabe e eu, às vezes, não sei.


Foto ao alto: Eu, pegando algumas folhas secas para levar para a mãe do Dave, que já me confessou gostar muito delas. Garanto a você que ela adorou o presente. No sentido figurado, é claro. Sim, não tinha nada assim tão sépia nem tão seco, mas dá licença de ser poética, tá? :)


Eu, feliz, na Praça Japão.


Como existem casinhas lindas neste Estado....jardins bem cuidados, flores, casas bem feitas...e a gente tirando foto da casa dos outros...risos...


Outro ângulo da folhagem em frente à casa. Tudo bem que esta casa, se vc notar na foto acima, parece afogada em tanto verde...risos...mas é lindo do mesmo jeito :) Agora uma coisa eu digo, pessoalmente isso era muuuito mais bonito, nossa, sem comparação. As flores são de um laranja vibrante, o verde em diversos tons escandalosamente lindos. Na foto, as flores ficaram amarelo-sem-graça e as folhas em um verde apagado.


Lago da Praça Shiga, aqui pertinho de casa. A praça é minúscula, mas linda, linda, linda....



Mais um carregamento de comments

"É impressionante o quanto vc mudou mas tinha a mesma essencia no olhar,a alegria e a luz q vc tem até hoje. E naum ligue pra essas pessoas q torcem tanto contra tua felicidade q até inventam coisas desse tipo q o ciclope falou. Abstraia. E agora,lendo tua história da adolescência,entendi porque vc é tão especial. Minha namorada tb passou por isso mas como a Laly era pq ela era gordinha.Como vc, ela tornou-se uma pessoa incrível, muito forte por dentro e linda por fora. Abraços a vc e ao Dave."
Giulianni

Giuliani, fico tranquila, as coisas sempre se resolvem. E que bom que sua namorada soube lidar bem com isso, revertendo o mal que tentaram lhe fazer. Abraços!

"Eu passei por tudo isso também e começou a se intensificar depois da 5a série. Tudo por causa da timidez e também por ser um dos mais feinhos da turma. E o agravante no meu caso é que menino não pensa duas vezes antes de bater em outro menino.
Por isso eu sofria muito aquele tempo e ainda sofro pelo fato dessas humilhações terem me deixado muito fraco pessoalmente. Acho que foram os piores anos da minha vida ao mesmo tempo também acho que foram os melhores, pois fora da escola minhas melhores amizades aconteceram nesta mesma época. Enfim, que pessoas ignorantes, ainda que fossem só crianças...
alec

Alec, crianças sabem ser cruéis, principalmente as que são criadas sem o menor respeito pelo semelhante, como essas. O importante é a gente aprender a lidar com esse tipo de coisa e evitar que nos tolha pelo resto da vida. Acho que, aos poucos, você vai conseguindo minimizar os efeitos dessas humilhações da infância em sua vida, não? Agora esse negócio de bater, com certeza piora tudo, né?
Eu, sinceramente, nunca entendi qual era o prazer que essas crianças tinham em fazer esse tipo de coisa. Isso realmente mina nossa auto-confiança, auto-imagem e nos deixa terrivelmente inseguros...mas o negócio é não aceitar ser escravo de traumas de infância, lutar mesmo, nem que seja só de raiva, para se tornar uma pessoa melhor. E você é uma pessoa maravilhosa. Beijos!!

"Hey Van, quem é o outro Ciclope? Dave, não fui eu (o Ciclope do Em Mente, o Leandro) que escreveu aquilo. Vanest, Não deixe o Dave ter má impressão de mim. Beijão."
Ciclope

Ciclope, cheguei a desconfiar disso, depois de responder, já que o IP do cara não batia com o seu, ou com os que costumam ser de Campo Grande. Muito estranho. Me desculpe ter achado que era você e ter respondido como se fosse você, mesmo tendo achado estranho o jeito como o tal Ciclope se expressou. Já conversei com Dave e iniciamos uma investigação para saber de quem se trata. As coisas sempre se resolvem.

"Gostaria que o outro Ciclope colocasse o endereço do blog dele ou o e-mail para se diferenciar de mim."
Ciclope

Isto, é claro, caso ele queira se diferenciar de você....suspeito alguém aparecer aqui e usar o mesmo nick de uma pessoa que me conhece bem (pessoalmente) tentando tirar uma informação que aparentemente gostaria que fosse verdade. Me desculpe, mas não posso deixar de achar que houve má intenção naquele comentário, principalmente agora, sabendo que não se tratava de você. Beijo, menino, não fica chateado, como eu disse, as coisas se resolvem.

"Bem... se vc não se importa, continuarei no anonimato, não é que eu não queira me esconder, nada disso! Vc entendeu exatamente o que eu disse e sinceramente, nem achei q vc fosse responder!
Realmente, não quis ofender ninguém e penso que não o fiz.
Eu só quis mesmo comentar algo q percebi, penso como vc, acho q ficar inventando personagens é fazer o leitor de bobo, ou quem sabe enganar-se a sí próprio.
Agora uma coisa te digo, se vc desconfia de quem sou, vou ficar surpreso(a)! E mais, até para ser "exibida" há de se ter um certo charme, se é que vc me entende, e isso, "ela" não tem, aliás, nenhum..."
O vento

Entendo que você não queira se expôr, por isso te peço que me escreva e te explico por quê. Sou horrivelmente curiosa e desconfiada, estava imaginando que você era uma pessoa, mas depois pensei bem e percebi que você não foi daqui para lá, mas veio, de lá para cá, de alguma forma. Por isso minha desconfiança passou de uma pessoa (que já confirmei não ser você) para outra pessoa, com quem nunca conversei, mas que faria todo sentido se fosse você. Tem algumas coisas que eu queria entender, só isso. Se puder, me escreva hkanswitch@hotmail.com, tranquilize-se, suas informações e identidade serão mantidas no mais absoluto sigilo :).

Se você não quer se esconder, como eu realmente acredito, mas apenas se preservar, e eu vejo sentido nisso, não haverá problemas em me contactar. Quanto ao exibicionismo, sinceramente, eu comecei a me perguntar se eu também parecia ridícula daquela forma, ao ver o impacto que as imagens me causavam. Cogitei até nunca mais colocar uma foto minha neste lugar, mas fui dissuadida dessa idéia pelo Dave.

Eu realmente pensei em não responder, mas jamais poderia, porque tive a mesma sensação que você, aliás, não é a primeira vez que isso acontece e você deve saber disso. Imagens, textos, nomes...caramba, que falta de criatividade! Aposto em "fazer o leitor de bobo E enganar a si próprio", as duas coisas. Mas as máscaras sempre caem, sempre! A menos que estejam grudadas com super-bonder na cara da pessoa...mas sabe, ainda assim elas se descolam...e revelam uma face pior do que antes da máscara. Que pena, não? Abraços, aguardo seu e-mail.
"Hahaha...

Van, você mudou bastante... mas não era feia, não mesmo. Quanto às máscaras caírem... sim, é sempre bom conhecer o verdadeiro rosto das pessoas, mas nunca deixa de ser dolorido... E pessoas como você e Claudio Téllez de fato são uma descoberta, uma ótima descoberta por sinal.

Beijos."
Laly

Realmente, Laly, eu não era feia, eu era horrível...risos.... E você também é uma ótima descoberta :) E olha que eu já morria de vontade de conversar contigo desde o tempo em que eu apenas lia o pessoas que eu quero transformar em pedra, afinal de contas, éramos as duas únicas mulheres do grupo e você era a única mulher do grupo que falava alguma coisa...risos...
Beijos!




Terça-feira, Abril 13, 2004


Comentários

U-a-u.... este blog esteve mais movimentado nas últimas 24 horas do que durante todo o final de semana. Acho que sou leitura de meio de expediente, os chefes de vocês devem me detestar. Aí no final de semana meus leitores têm mais o que fazer :)

Claro, eu tenho de responder aos comentários porque alguns são impossíveis de não serem respondidos. Não gosto de deixar mal-entendido, nem questionamentos sem resposta, dúvidas no ar, ou qualquer outro tipo de coisa distorcida.

Gosto da interação e acho que já disse isso milhares de vezes, mas nunca é demais repetir. Gosto de ler os comments, responder, ter esse feed-back, entender o que estão entendendo do que eu digo, fazer comentários sobre algo já comentado, enfim, me ajuda e ajuda a vocês também, acho...ao menos diverte, o que já é alguma coisa.

"Van,fiquei emocionado lendo o final do texto porque me sinto seu amigo mesmo não te conhecendo pessoalmente.Nunca tive sorte com amigos na adolescência tambem mas nenhum deles tentou me matar,que amigas doidas as suas,hein? E só mais uma coisa,você mudou bastante!Pra melhor,claro.Bejão!"
Giuliani

Giuliani, agradeço. Ah, e sorte sua que seus amigos de adolescência não eram psicopatas...risos...

"Ouvi de fontes seguras q vc e o Dave terminaram há uns dez dias e que vc achou melhor não contar no blog. É verdade? Como vc está?"
Ciclope

Ciclope, eu estou bem. Suas fontes é que não estão. Quem te disse isso? Como jornalista você deveria saber que fontes nunca são assim tão seguras, sempre é necessário averiguar, checar. Realmente, há dez dias eu não estava bem, mas era por causa da viagem da minha irmã, nada a ver com o Dave, que, aliás, me deu muito apoio naqueles momentos.

Sua fonte deve trabalhar em alguma revista de fofocas, daquelas de R$0,99, que inventam notícias para vender alguma coisa. O que estranho é a motivação da fofoca...por que raios alguém inventaria isso? O que estaria vendendo, o que ganharia espalhando uma notícia dessas? Quem é essa sua fonte?

Não, não é verdade, não terminamos. Estamos bem, muito bem, e talvez seja exatamente isso que incomode. Estranho, não? Pessoas se incomodarem com a felicidade alheia....ora, que vivam, trabalhem, lutem, batalhem por sua própria felicidade!

Se agora estou feliz certamente não foi caminhando pelo vale das facilidades que consegui, manter um relacionamento legal como o que temos nunca é fácil, é preciso muito diálogo, compreensão, amizade, humildade para reconhecer erros e disposição para mudar quando necessário.

Agora a criatura passa o dia deitada no sofá esperando que o príncipe encantado caia do céu ou que seu relacionamento vire uma maravilha da noite para o dia sem que ela precise se esforçar e depois vem se incomodar com a minha felicidade???? Pode coisa mais irracional?

E você, me conhecendo, deveria saber que eu jamais passaria por um problema desses e continuaria aqui no blog, falando dele como se nada tivesse acontecido, isto é, mentindo, enganando, usando uma máscara como as que eu tanto condeno, falsificando uma vida para mim. Não sou dessas.

Resumindo, bem que sua fonte gostaria, mas não, eu e o Dave não terminamos e nem vamos terminar :) Leia a resposta dele, mais embaixo, neste post.

"Muito interessante seu texto "Atentados à amizade" ainda preciso te contar a minha história a respeito dos meus amigos! Achei legal o que vc escreveu ali em baixo rs, eu queria que vc me desse seu e-mail, pra mim te mandar algumas coisas, contar algumas coisas tb,inclusive um foto sua ao lado da Victoria q eu montei!!! rs bjaum
ps: meu e-mail esta ai!"
Gabriel Teixeira

Gabriel, o e-mail está no final do info, na coluna à esquerda, abaixo do contador, é hkanswitch@hotmail.com . Pode mandar as histórias dos teus amigos, adoro ler. E fiquei curiosa para ver essa foto...risos... aguardo seu e-mail! Beijos.
.
"Eu não diria Patinho Horrendo, mas estás muito mais bonita agora. E quanto a essas "amizades"... Como há gente estranha, não? Mas você há de convir que usar um álbum de casamento foi bem original. Brincadeirinha. Que tristeza. Eu nunca tive "amigos" assim. E eu tô bem, obrigada! A Meg se preocupa porque eu estou com uma fadiga crônica resultante de mononucleose. Uma outra interpretação para isso seria... eu sou meio preguiçosa. Mas o importante é que estou sarando, já. Um abraço."
cath

Cath, tem razão, eu não era Patinho Horrendo, era Patinho Abominável :). Bem, realmente, minha ex-amiga foi mesmo muito criativa em sua tentativa de assassinato infanto-juvenil :) certamente ela queria abrir minha cabeça em relação ao casamento...hehehe...sim, essa foi horrível. Então você teve mono?? Menina, que horror!! Mas já está bem, isso me deixa mais tranqüila. Cuide-se, viu? Beijos!
PS: espero que tenha gostado, coloquei os acentos :)

"Sei exatamente sobre o que vc fala, a mim, vc sempre pareceu muito arrogante, mas ao menos é sincera, não fingindo ter qualidades que não possui... Já a "invejosa"...
Perceba como agora até a foto dos olhos, parecem os seus..."
Anonymous

Pois é, Anonymous, eu percebi. Sabe, antes ficava irritada com essas coisas, desta vez fiquei com pena (e um pouco irritada também, confesso). Sério mesmo, muita pena, porque pessoas não conseguem se construir com mera maquiagem barata, você pode pagar dez ou duzentos Reais em um delineador, mas se não respeitar seus próprios traços, ficará ridiculamente falso, ridículo mesmo, é a idéia que tenho quando falo na importância de assumir quem se é, sua personalidade, qualidades e defeitos, sem criar personagens para si, sem imitar ninguém, sem inventar qualidades, como você mesmo disse.

E se quiser inventar personagens inexistentes, tudo bem, mas inventar alguém que já existe é, no mínimo, plágio. :)

Pena. É isso. Além de um discreto risinho arrogante que, devo admitir, me escapou. Não fico ofendida por você me chamar de arrogante porque entendi o fundamento do seu comentário e porque entendi que você não teve a intenção de ofender, mesmo porque se eu nunca tivesse ouvido isso de ninguém até poderia ficar brava... Você foi sincero e me chamou de sincera, o que, para mim, é um grande e verdadeiro elogio.

Talvez seja meu jeito de falar, de defender o que penso, de assumir quem sou, às vezes um pouco agressiva, mesmo sem querer ser, talvez minha empolgação em falar de mim, de minhas conquistas, minhas verdades e minha felicidade, talvez seja minha cara antipática mesmo, o sorrisinho cínico que de vez em quando me escapa e que eu odeio, o olhar superior que eu não faço, é genético.

Não sei quem é você, embora desconfie, nem sei como você identificou por tão poucas linhas dos três primeiros parágrafos, embora, se for quem eu desconfio que seja, eu já saiba. Novamente sobre os olhos...bem, a idéia era haver semelhança, mas...made in Paraguay.... :)

"Oi Vans, oi todo..
Sempre tive muita bronca de máscaras. Mas penso que, dentro do medíocre universo das máscaras, a pior, a mais covarde, a mais desprovida de caráter é máscara do anonimato, entende? Uma coisa que aprendi, desde criança foi, para o bem ou para o mal, dar a cara a tapa. Naum me importo em apanhar, estamos aí pra isso. Nem adoto o estilo "bateu-levou". Mas penso que um bem inestimável que temos é nossa hombridade, nosso caráter. Isso é o que nos faz assumir a autoria de nossos pensamentos e palavras. Mas, infelizmente, caráter naum se vende em gôndolas de supermercado.
Bjs Vans, bjs a todos que mostram a cara..."
Claudio Freitas

Pois é, Claudio, também tenho esse problema de assumir a autoria de tudo o que digo. A única coisa que não faço é assumir, com todas as letras, o que eu penso, quando causará problemas desnecessários ou descambará para a baixaria (e tem algumas pessoas que fazem coisas para te irritar, no claro intuito de puxar briga, ainda que, pela frente, digam o contrário).

Nesses casos prefiro recolher parte de minhas armas e portar-me como uma lady, ainda que às vezes tenha dificuldade de controlar meu temperamento explosivo e a vontade de explodir a pessoa em questão. :)

Agora vejo que você, ainda que portando-se como um Lorde, estava fulo da vida quando escreveu esse comentário...risos...

Agora, complementando: se inventar, não assumir o que diz, não assumir o que pensa, dizer uma coisa quando se sente outra, pensar uma coisa e dizer o oposto, querer ser outra pessoa, fingir, sorrir quando se tem raiva, ser alguém pela frente e outro pelas costas...isso tudo, para mim, demonstra falta de caráter.

Se a pessoa não quer ter caráter, que não tenha, problema é dela, desde que não prejudique ninguém, nem encha a paciência de ninguém com isso. Beijos!

"Beijão, Van!

Seu namorado desnaturado (eu) acaba de ler os textos que você escreveu. Muito obrigado, meu amor. Certamente eu não mereço aquilo tudo...mas se você pensa assim, eu não vou contrariar não. :)

E também digo: Thank God I found you!!!

P.S: Já ia me esquecendo...
Olá Ciclope! Se eu e a Vanessa terminamos, nós ainda não fomos notificados. É mais provável que sua fonte esteja confundido os casais...

Um abraço pra você e pra sua fonte pouco informada."
Dave

AAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!! DAVE!!!!! Você comentou! Vai chover hoje...risos...momento histórico, é seu segundo comentário neste blog, em quase oito meses de namoro! Claro que você merece o que eu escrevi, você é uma pessoa maravilhosa, sabe o quanto me faz bem estar ao seu lado.
Quanto à resposta ao Ciclope..bem, depois dessa ele certamente já deve ter se convencido e deletado sua fonte seguramente equivocada. Beijos, beijos, beijos e mais beijos! T amo mto mto. Comente mais vezes para que eu comece a agir naturalmente quando responder :)

"Achei o teu blogger no post da Lábios de Pitanga e resolvi passar para conferir, imaginando que tu escrevesse bem, já que ele estava linkado no blog de alguém cuja opinião respeito muito.

E referente ao post, uma amiga minha e eu sempre discutimos sobre esse assunto...Será que nunca vamos deixar de pensar no bem dos outros, mesmo sabendo que estas mesmas pessoas não se importam com a mesma intensidade com a gente?E o pior é quando percebemos que as pessoas não estão tomando a melhor atitude mas não temos como chegar e falar porque sabemos que só gastaremos saliva, que não vai adiantar em nada...É desmotivante não crer nas pessoas, de ver que elas mentem para si mesmas, que fogem do que realmente querem fazer e do que realmente querem falar! E o pior é que a minha esperança não morreu...

E Van lembrou-me de 2 sobrinhas da minha dinda que são de SP e vieram passar as férias, há uns 5 anos atrás, aqui na praia de Imbé, no RS...A maioria das pessoas me chamavam de Vá, e ver que pelo sotaque o Vá virava Van era o máximo para mim.Tenho saudade delas!
Esta parte do comentário não coube no anterior...Demos graças ao CTRL+C e ao CTRL+V!Com certeza visitarei o teu blog mais vezes...os poucos posts que vi são muito bons!Parabéns!"
Nessa

Oh! Outra Vanessa! Seja bem-vinda, é sempre bom ter mais uma Vanessa por aqui, quem sabe poderemos, enfim, dominar o mundo? :) Lábios de Pitanga é um dos motivos pelo qual não posso dizer que foi horrível passar uma semana no BON. Valeu por ter sido encontrada aqui por ela, que é uma ótima pessoa, embora às vezes meio paranóica...risos...

Estou lutando, sabe? Lutando para não perder as esperanças na humanidade. Realmente, é frustrante ver pessoas ridiculamente afundadas em mentiras, inveja e dissimulações, ver que simplesmente não conseguiriam nunca ser nossas amigas ainda que, "bobinhamente", tenhamos acreditado nisso algum dia... Bem, desde que ninguém mais deixe cair um álbum de casamento na minha cabeça ou me dê uma bicicleta sem freio para que eu me espatife no asfalto, sem problemas...risos...

Quanto ao apelido, sempre detestei "Vá", acho até que já comentei isso por aqui, há séculos, quando ouço "Vá", me soa estranho, como se fosse o prenúncio de um xingamento "vá plantar batatas", "ah, Vá ver se estou na esquina!"...

Algumas pessoas me chamam de Nessa, mas nunca fui muito Nessa, não sei, não combina. Van surgiu na Internet mesmo, meu primeiro nick foi Vany, (lê-se "vâni"), depois passei a assinar apenas "Vanessa" e as pessoas, achando Vanessa longo demais, passaram a me chamar de Van.

Quando inventei o outro nick, "Heiter", por achar Vanessa um nome muito comum (você sabe o quanto...risos...), tive que me identificar, colocando "Van" entre parênteses, assim, em meus comentários sempre me identifico como Heiter (Van) e não sou confundida com nenhuma das centenas de Vanessas perdidas pela blogosfera. Seja bem-vinda, novamente. Volte sempre, viu? Beijos!

"Olhe, Van, nunca tentaram me matar, não, mas eu sofria humilhações inenarráveis no primário - havia uma música que era cantada para mim por todas as meninas da turma: "baloooofa, baleeeeia, saco de areeeeeeia..." (eu era gordinha dos 7 aos 10 anos).

Falando sério, você não faz idéia de como isso de máscaras e falsidades tem me incomodado nos últimos meses. Ou melhor, talvez faça alguma, afinal, você lê o meu blog... As máscaras de todos têm caído, e é muito triste ver que é de todos, e não só de alguns... Amigos, amigos, só os novos, eu acho."
Laly

Laly, além de tentarem me matar, eu também sofria humilhações inenarráveis....mas foi dos 11 aos 14 anos, com um pico de crueldade entre os 12 e 13 anos, com a sala inteira e algumas outras salas da sexta, sétima e até oitava série participando das sessões de tortura.

Quanto às humilhações...que horror, Laly, isso me deixa indignada até hoje...sei o que é isso, eu era feinha, magrela, comprida, dentes separados e projetados, boca enorme, nariz de bolinha, desengonçada, falava com a "língua presa", pior que o Palocci e, para piorar, era inteligente, tinha opiniões próprias, notas boas e bom relacionamento com os professores, o que, junto com outros fatores, irritou as pessoas que começaram essa ladainha...as outras vieram a reboque, como bons papagaios que eram. Repetiam sem conhecer a ideologia por trás das ofensas, apenas porque me julgavam feia. Para ter uma idéia, eu aos 13 anos, bem feliz, em foto tirada pela menina do álbum de casamento:

Olhavam para a minha cara no recreio e fingiam levar um susto, depois caíam na gargalhada, me chamavam de feia, me ignoravam, eram grosseiros, me isolavam de todas as turmas, trabalhos e atividades, sem esquecer, é claro, dos apelidos. Medusa (aos 11 anos, em outra escola), Defunta, Beiçuda , Trezoitão e outras coisas desse altíssimo nível.

Levei, ao final da sétima série, alguns garotos que "Puxavam o côro" das grosserias à coordenação e todos, exceto um, tiveram a cara-de-pau de negar, mas como os professores sabiam, foram advertidos. Um deles até reprovou por conta disso e me odiou por muitos anos.

Minha reação à essas coisas, creio que tenha sido a sua também, foi viver minha vida, me conhecer, ser eu mesma, ler, escrever e fazer as coisinhas que eu gostava, sem me importar em ser aceita pelo grupo, já que ninguém me aceitava mesmo e eu nada poderia fazer para mudar aquilo que eles rejeitavam em mim; tive que crescer por dentro e virar uma pessoa com conteúdo, já que não tinha embalagem aprovada.

Claro, eu dava atenção extrema ao meu interior e não ligava para o lado de fora, já que me achava horrorosa mesmo, mas nunca deixei de gostar de mim porque sabia que eu não era só a parte externa. Quando veio a adolescência, 16, 17, 18 anos, e a metamorfose, saí da fase larval e nem percebi.

Demorei anos para recuperar a auto-confiança relacionada à minha aparência física e mais alguns anos para me acostumar a pessoas que, ao contrário de antes, se aproximavam de mim apenas pela minha aparência, sem se importar com o que eu tinha por dentro. Aliás, quanto menos tivesse por dentro para essas pessoas, melhor. Aí me fechei porque não sabia lidar com essas coisas.

Hoje ainda tenho dificuldades para aceitar naturalmente quando alguém diz que me acha bonita, mas eu já fiz as pazes com a minha cara, tanto que é um exercício de aceitação colocar minhas trocentas mil fotos aqui, por exemplo. Ao menos agora, depois de ter complexo de tudo o que você possa imaginar, consigo aceitar meu rosto e meu corpo como sendo parte do que eu sou, os defeitos, as qualidades, percebi que aliar o interior com o exterior é um dever, é minha obrigação, porque a parte de fora é um reflexo da de dentro. "O coração alegre aformoseia o rosto", diz a Bíblia, no livro de Provérbios. Se eu aceitar a minha alegria, tenho de assumir que alguma beleza há em mim. :)

Crianças (e pré- adolescentes) sabem como ser cruéis....têm a técnica exata de arrancar as unhas dos coleguinhas diferentes com alicate e não ter nenhum problema de consciência com isso. Façamos o máximo para não criar filhos tão medíocres.

Quanto às máscaras...bem, eu sei sim...risos....tenho acompanhado, em silêncio, há algum tempo. Também tenho me sentido em um baile de máscaras, para te dizer a verdade ando com um pé atrás com todo mundo, isso é muito ruim, não é? Mas que bom que as máscaras têm caído, antes tarde do que nunca...aí dá para ter uma idéia exata de quem são essas pessoas e você não perde mais tempo com elas.

Mas calma, não são todos. Eu, por exemplo, sou suspeita para dizer, mas não uso máscaras, nem contigo, nem com ninguém, talvez por isso arranje tanta encrenca por aí...risos...sinceridade excessiva. O Claudio Téllez, nosso amigo em comum, também é uma pessoa desprovida de máscaras...ao menos nunca o vi usando nenhuma. Pelo menos dois, não? Já é alguma coisa...risos.. beijos!

Ovo de Páscoa que eu e o Dave, ambos precisando ganhar uns dois quilos, dividiremos durante a semana!


Finalmente eu tenho chocolate! :) Talvez por isso o tamanho do post-resposta-de-comments de hoje.

PS: Sabe que olhando aquela foto que postei ali acima, de 1993, eu me identifico mais do que nessas fotos recentes? Acabo de descobrir que aquela ainda é a imagem que meu cérebro tem de mim, completamente desatualizada. Que coisa, não?




Domingo, Abril 11, 2004


Atentados à Amizade

Pessoas que não sabem ser elas mesmas, que vivem imitando os outros, criando personagens para si, vivendo de máscaras...argh! Já falei disso aqui umas quinhentas e oitenta vezes e essas pessoas CONTINUAM A EXISTIR !!! Às vezes tenho a impressão de que, se falar sobre uma característica abominável de alguns seres humanos, eles simplesmente abandonarão as tais atitudes abomináveis, abrindo os olhos para o ridículo e a perda de tempo.

Ser você mesmo, por pior que você seja, e tentar melhorar, não maquiar, omitir ou ignorar o que te incomoda, parece papo de auto-ajuda e prometo a mim mesma que nunca mais tocarei em tal assunto neste blog. Embora saiba que, caixinha de contradições como sou, amanhã posso esquecer da promessa e fazer algum outro comentário repetido sobre o assunto. Droga. Talvez seja meu eterno otimismo, em achar que pessoas mudam, se conscientizam e, finalmente, viram gente. Ledo engano, não é o que vejo. Pioram, a cada dia, se assim decidem viver.

Eu deveria reaprender um conceito bem simples: pessoas vivem do jeito que querem viver, que escolhem viver, se serão ou não felizes assim, é problema delas e não meu. Sempre acho que é problema meu e lá vou eu dizer: "ei, não faça isso, não aja assim, você nunca será feliz fingindo desse jeito". E se a pessoa não quiser mesmo ser feliz? Não é problema dela? É problema dela, ué! Então que fique com o problema dela.

Estava lembrando hoje (nada a ver com a primeira parte do post, ou talvez até tenha) estava me lembrando hoje de como nunca tive sorte com amigas durante a infância e adolescência. A maioria tinha graves problemas comigo que minha mãe classificava como "inveja", ao que eu sempre rebatia: "inveja de quê?" Estava em minha fase de patinho horrendo e para mim apenas as meninas bonitas eram invejáveis.

Lembrei das inúmeras tentativas de assassinato que tais delinqüentes juvenis cometeram contra minha mal crescida pessoa.Um álbum de casamento (daqueles pesados, de madeira, revestidos com veludo) que acidentalmente se jogou sobre a minha cabeça, abrindo um talho que precisou de cinco pontos e que me rendeu longos meses com um ridículo topete