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Heiter Lampert não usa esse pseudônimo para se esconder de alguém,nem tampouco procura manter-se no anonimato,escolheu lançar mão desse expediente porque cansou de ver as pessoas usando seu nome em vão. 24 anos,trancou o curso de jornalismo,mas não deixou de escrever nem por um minuto. Doadora de sangue,não bebe,não fuma e não usa nada que possa estragar o precioso líquido vermelho que corre em suas veias. E-mail de Heiter Lampert.
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Quarta-feira, Junho 30, 2004
Capítulo III
A Nuvem
*
Fotos: D.Lampert
A idéia era comer fondue. Havíamos saído no dia anterior pensando nisso, aliás, na noite em que fotografamos o castelo do Conde Drácula, em Canela. Saímos do castelo e paramos em um posto para abastecer, estava vazando água e deram o endereço de um mecânico para o Dave. A última coisa que podia acontecer era um problema mecânico na lua-de-mel. Pois bem. Era tarde da noite e fomos ao tal mecânico. Não fui com a cara do indivíduo, me parecia não saber o que estava fazendo. Mas como nós também não sabíamos o que ele estava fazendo, não podíamos reclamar.
Demorou um século para o cara descobrir o que era, tinha estourado os selos do motor (estou repetindo feito um papagaio, não entendo nada de mecânica) e ele disse que teria que trocar. Aí veio a proposta indecente: nos levaria à pousada, consertaria o carro e o traria de volta, são e slavo, no dia seguinte. Não achamos boa idéia e, munidos de uma garrafa Pet cheia d'água, voltamos para a pousada.
Na manhã seguinte, levamos o carro lá e resolvemos dar voltinhas pela cidade, para conhecer melhor. Passamos em uma lan-house, olhamos a net, conversamos, comemos, passeamos, passeamos, passeamos até que, exaustos, conseguimos recuperar o carro, após umas cinco horas de conserto. Felizes, voltamos para casa, ou melhor, para a pousada. Depois ainda comemos um sanduíche em Gramado.
Dia seguinte, ligeiramente frio, a idéia era, à noite, comer fondue. Passamos pelo vale (o mesmo buracão cheio de mato que podíamos ver da janela do primeiro hotel) e nada de conseguir ver a vegetação. A impressão era de que uma nuvem despencara no abismo e cobria todo o vale, como se fosse um grande lago gasoso. Era interessante, Dave pensou em tirar foto, mas não deu tempo "A gente tira na volta", resolveu.
Passamos em Canela e voltamos para a estrada, em direção a Gramado. Já não era possível ver nada. A nuvem havia subido e tomado a estrada, os carros estavam lentos, de faróis acesos e ainda assim não se via nada nem ninguém que estivesse mais de dois metros de distância. O hotel havia sumido, os carros, a rua, as pessoas, tudo. Estávamos dentro de uma massa branca, seguindo adiante, com cuidado para não espatifar o carro em outro automóvel.
- Que bonito...não acha? - Perguntou Dave, para me animar.
- Não, não acho. -Respondi, animada.
Não que achasse feio, mas não era nada bonito estar no meio daquela massa branca gasosa cegante em pleno trânsito, sem enxergar nem um palmo à frente do nariz do carro. Nada emocionante, a meu ver. Seguimos. Entrando em Gramado, era como se uma janela se abrisse. De repente, tudo claro, sem nuvem, tudo perfeitamente visível. Estranho. Olhei para trás, antes de comemorar. A Nuvem estava nos seguindo! Como em um filme de terror, ela entrava, engolindo toda a cidade, ameaçando nos engolir também.
Tentamos fugir dela, mas foi em vão. Em segundos, ela já estava invadindo o centro de Gramado, por todos os lados. Rodamos mais um pouco até virar uma esquina, quando o carro, subitamente, apagou. Sim, apagou, no meio da rua, junto da esquina, no meio do nevoeiro em que ninguém se enxergava ou pouco se via alguma coisa. Claro, ali já estava um pouco mais "enxergável" do que na estrada, mas ainda parecia um filme de terror de quinta.
Enquanto Dave tentava fazer a coisa funcionar, os outros motoristas buzinavam, freneticamente, irritados, atrás de nós, antes de passar, com cara de bravos, de qualquer jeito, invadindo a pista contrária (ah, é, para completar, a rua era de mão dupla). Não consigo entender a lógica disso. Acaso acham que alguém para seu carro quase atravessado na pista, bem feliz, em uma rua movimentada, no meio de um nevoeiro, de propósito? Os dois sem crédito no celular, Dave resolveu sair para comprar cartão e ligar para o tal mecânico. Abriu o capô e eu fui para fora. Fiquei com cara de dó, segurando o capô, enquanto ele foi buscar ajuda. Comigo do lado de fora, com o capô aberto, ninguém mais buzinou, nem reclamou, algumas pessoas pararam oferecendo ajuda, outras apenas olhavam e iam embora após notar que não era batida e que não teriam o prazer de ver algum indivíduo ensanguentado na esquina.
Depois de algum tempo, ele voltou, entramos no carro e ele voltou a funcionar. Paramos mais adiante e esperamos o tal mecânico, eu do lado de dentro do carro e Dave lá fora, no nevoeiro, eu não conseguia vê-lo. Finalmente, depois de muuuuito tempo o cara chegou, com um outro. Olharam o carro, mexeram nisso e naquilo e o cara cogitou a hipótese de ser um entupimento ou algum problema na bomba de gasolina, que deveria ser trocada e custaria uns mil Reais.
Agradecemos e ele foi embora. Maio brava com a situação, não aceitei acabar meu dia ali, continuaríamos nossos planos.
- Vamos comer fondue!
Rodamos mais um pouco até escolher o lugar. Era difícil, todas as placas anunciavam "seqüência de fondue" e eram todas iguais, como disse ao Dave, era seqüência de seqüência de fondue. Olhamos uns preços e, no final, acho que escolhemos pela cor mesmo...risos... fomos ao centro de Gramado, paramos o carro e a nuvem se foi, felizmente. Não conseguiu me fazer desistir de terminar minha noite bem.
*
*A Nuvem, invadindo a cidade, flagrada pelas lentes de D.Lampert
Continua no próximo capítulo
posted by Sunflower
1:29 PM
Terça-feira, Junho 29, 2004
Aline
O Castelo do Conde Drácula. Foto: D. Lampert
Passeamos bastante em Granela. Sem querer acabei encontrando o termo correto para designar as duas cidades que acabam parecendo uma só. A princípio, depois que você já viu tudo, não há mais nada para ver. Na verdade o que conta para mim, em Granela, é o valor sentimental. Foi a primeira viagem que fizemos juntos, em Outubro do ano passado. Ainda não tínhamos carro, então fomos de ônibus, caminhamos à pé na cidade e não vimos quase nada...risos...voltamos, à noite, exaustos e vermelhos de sol. Mas valeu porque estávamos juntos.
Poucos pontos turísticos urbanos, visitamos, algumas vezes, os dois castelos do Conde Drácula, o maior, residencial, em Canela, e o menor, de férias, em Gramado. Fomos ao de Canela, conhecido pelos leigos como Igreja de Pedra, o lugar é sinistro. Fomos à noite e morcegos circundavam a torre, tudo no maior clima de filme de terror.
Já pela manhã, resolvemos passar novamente pelo local, por curiosidade, minha irmã havia me falado de uma imagem da santa sucida. Uma mulher com um punhal direcionado para o coração, mas não era ali. Por dentro não é tão sinistra quanto a de Gramado, um pouco mais claro por dentro, menos imagens, porém mais símbolos estranhos nos vitrais. Mas a descrição da morada do Conde Drácula não vem ao caso, a história aqui é outra.
Estávamos de saída, quando fui abordada por uma menina com expressão de pena, ou melhor, uma expressão de coitada, para que nós tivéssemos pena dela.
- Tia, dá um dinheiro.- Pediu, com as pequenas mãos sujas estendidas.
- Não tenho dinheiro para te dar, menina.
- Por favor, tia, eu estou com fome, não comi nada o dia inteiro.
Aqui, um parêntese. Não dou dinheiro mesmo, salvo em raríssimas exceções, mas comida e água são coisas que não podemos negar a ninguém. Se a menina estava com fome mesmo, aceitaria comer.
- Você está com fome?
- Estou.
- Posso levar você para comer alguma coisa, você quer?
- Quero sim. -Respondeu ela, mais do que depressa, os olhinhos brilhando, ainda sem entender. Fomos eu, ela e Dave para fora da igreja, e enquanto descíamos as escadas, perguntei:
- Qual é seu nome?
- Aline.
- Quantos anos você tem, Aline?
- Dez.
- Você vai à escola?
- Vou sim, daqui a pouco, uma hora, começa minha aula, eu fico aqui só de manhã.
A calça e a blusa de moletom sujas, o nariz bem feito e os lábios finos contrastavam com os olhos escuros enormes e atentos e os cabelos castanhos bem penteados e presos em duas tranças laterais, cheias de prendedores coloridos, a pele queimada de sol. Na verdade não sei especificar se aquele tom queimado de sol era realmente queimado de sol, pura sujeira ou ambas as alternativas anteriores.
- Eu queria ser rica como a tia.
- Rica? Eu não sou rica.
- Ah, é sim.
- Não sou rica não, mas tenho pouco. E com o pouco que eu tenho procuro ajudar quem precisa quando posso. Você vai terminar seus estudos, vai ter sua profissão, ganhar dinheiro e então poderá ajudar alguém que precisa também. - Ela sorriu.
- O que você quer comer? - Quis saber Dave
- Eu quero um pastel.
- Bem, onde tem pastel por aqui?- Perguntei.
- Ali, naquela lancheria tem pastel que eu sei. - e completou:- A tia me paga um refri também? - Eu, rindo:
- Claro...mas está exigente essa menina, não?
Entramos na tal lanchonete. O dono, simpático, respondeu ao Dave que tinha sim pastel, mas assado, de frango com catupiry.
- Pode ser esse?- Perguntei, sob o olhar pasmo do dono, que desviou os olhos de Dave para Aline.
- Pode sim. - Respondeu ela, sorrindo.
Ainda contrariado, o homem pegou o salgado e colocou sobre um prato. Na hora de escolher o refrigerante, ela pediu um Citrus da Schweppe's. O homem avisou:
- Acho que ela não vai gostar desse, é muito cítrico.- Indignada, ela escolheu então a água tônica da mesma marca, de lata amarela. -Olha, eu acho que ela não vai gostar desse, é amargo.- o homem tornou a dizer.
Como realmente achei que ela estava escolhendo os refrigerantes pela cor da lata, perguntei se não teria uma terceira opção, então ela ficou com uma Fanta laranja.
Sentamos à mesa, eu de frente para Aline e Dave, ao meu lado, em outra mesa, tomando uma garrafa d'água. Ela pediu guardanapo ao dono do lugar e, com cuidado, pegou o salgado, toda importante, me ofereceu refrigerante, aceitei, por educação e tomei um micro-gole.
Feliz por sentir-se uma pessoa, começou a comer e a conversar conosco, me mostrou, encantada, o desenho de chaleira azul na parede. Tinha combinado que a deixaríamos lá comendo e sairíamos para fazer nossas coisas, mas não gostei do jeito do dono do bar, temi que a tratasse mal assim que saíssemos. Continuamos por lá.
- Olha aqui, esse é conterrâneo de vocês, lá da paraíba.- Disse o dono do bar às duas mulheres sentadas na outra mesa, atrás de mim, com sotaque nordestino. Acabei me metendo na conversa e em pouco tempo estava contando nossa história, elas, pasmas, porque nunca haviam visto um casal que se conhecera pela internet e que não fosse caso de polícia...risos....aliás, ficaram interessadas na ferramenta eletrônica, quem sabe, conheceriam bons partidos virtuais.
Alguém falou algo a respeito de chocolate quente. Aline, ainda com o enorme salgado nas pequenas mãozinhas de unhas sujas, arregalou os grandes olhos.
- Tem chocolate quente aqui?- Perguntou, baixo, para mim.
- Tem sim, você quer?- Ela assentiu, com a cabeça. Pedi ao Dave que nos comprasse dois, eu a acompanharia no chocolate quente e ele pediu ao homem horrorizado com a menina maluca que alimentava a trombadinha.
- Vão levar ela para casa?- Perguntou, irônico, ao Dave.
- Não, daqui a pouco ela vai para a escola.- Respondi.
Alguns minutos depois o homem, que ao que me consta não tinha nenhum problema auditivo, trouxe apenas uma xícara de chocolate quente e colocou-a diante de mim. Olhei para o Dave, olhei para o homem, já no balcão, de costas.
- Eu não tinha pedido dois chocolates? - Perguntou Dave a mim.
- Pediu sim.
- Ele não entendeu?
- Entendeu sim. - Respondi. Como acompanharia apenas por educação, já que não costumo tomar leite, entreguei a xícara à Aline.
- Não vai tomar, tia?
- Não, eu pedi para você.
De longe, ainda indignado, o homem perguntou, em tom jocoso:
- E por acaso ela vai aguentar comer tudo isso?
- Vai, é claro que vai, não duvide disso. - Ela sorriu para mim e deu mais uma mordida no pastel.
Sabem como sou, aquilo me pareceu uma espécie de intimidação e eu ouvi como um desafio, aliás, foi assim que ela ouviu também, e fez questão de não deixar nem um grão de salgado no prato. Pedi ao Dave que comprasse uma caixinha de cookies de chocolate para que ela comesse depois, quando quisesse.
Saímos de lá e ela já estava bem mais à vontade e me contou algumas histórias. Me falou da mãe, dos irmãos e de uma vizinha, dona da casa em que elas moram, que teve que vender a casa e alugar esta outra para comer.
O marido a deixou com uma penca de filhos, os mais velhos catam papelão para vender e os mais novos pedem dinheiro na rua, como ela. Foi falando o nome das crianças, parei de contar na sexta, Dave foi até a oitava. De longe ela avistou os três meninos, filhos dessa mulher, todos mais ou menos da mesma idade que ela.
Aqueles sim, tinham cara de marginais. Pequenas crianças com cara de adultos criminosos, dava até medo, ela respirou fundo, um misto de medo e autoridade, cumprimentou, eles olharam a sacola em suas mãos. Acredito que a cara que fiz para os meninos era parente da cara que ela fez. Uma distância providencial, cuidado para não parecer provocação e uma postura defensiva, caso inventassem algo.
Achei mesmo que a chamariam, ou que diriam alguma coisa, ou que tentariam pegar a sacola de biscoitos, ou cobrar de nós alguma coisa. Mas olharam, apenas, e nos deixaram passar. Alguns segundos depois, retomei a conversa, ela falando do quanto tira por dia pedindo aos turistas.
- Costumo tirar uns trinta Reais por dia. Já tirei até cinqüenta e poucos, mas era final de semana e eu fiquei a tarde inteira também.- Fez uma pausa. - Se minha mãe guardasse esse dinheiro que eu recebo, sobraria bastante no final do mês, daria para ela fazer bastante compra e eu não precisaria pedir todo dia.
Espantei-me com o raciocínio lógico. A menina é inteligente o suficiente para perceber que não sobra dinheiro nenhum porque a mãe gasta logo tudo o que chega às suas mãos. Assim não sobra nada nunca mesmo. Por outro lado, é complicado não ser imediatista nessas horas.
Engraçado é que, dias antes, eu havia escrito um conto, meio na brincadeira, mais ou menos sobre isso, onde a personagem rica raciocinava que se a pessoa já estava passando fome mesmo, o que custaria passar fome por mais um mês, guardar o que ganhava para gastar no final do mês, como um salário?
-Então, quando você tiver sua profissão, seu trabalho, ganhar seu dinheiro, você faz isso, que está bem certo mesmo. Gasta um pouquinho e guarda o resto, porque assim você nunca vai ficar sem dinheiro. Ela sorriu, mais uma vez.
- Eu vou atravessar a praça, tia, por onde vocês vão?
- Nós vamos seguir reto.
- Bem, então obrigada, viu? - Eu fui até ela.
- Eu sempre vou lembrar de você nas minhas orações, viu? E tenho certeza que Deus vai cuidar de você, não esquece de falar com Ele sempre também, tá? Para te proteger e te ajudar a ter tudo o que você tem direito. Não deixe de estudar, não importa o que aconteça, você não vai ficar para sempre nesse lugar.
Ela sorriu, emocionada, agradeceu e me abraçou. Dei-lhe um beijo no rosto e me despedi. Já no meio da quadra, conversando com o Dave, ouvi uma vozinha gritando, do meio da praça:
- Tchau, tia!!! - Olhei e vi a menina das trancinhas coloridas, sorrindo, pulando e dando "Tchau", feliz. Não mais a vi.
Não tirei foto, cheguei a pensar "puxa, poderia ter guardado a imagem daquela menina", mas guardei. Dentro de mim eu guardei. E tenho certeza de tudo o que eu disse, tenho certeza de que aquela menina esperta, inteligente, de personalidade forte e olhos enormes será muito mais do que ela imagina poder ser.
Elogiou minha saia, comentou vitrines comigo, me olhava, prestando atenção em cada gesto, encantada com alguma coisa que viu em mim e que queria ser. Tenho certeza da capacidade dela de ser algo muito melhor e maior do que eu (o que, convenhamos, não é lá muito difícil). Aline não era atração turística, não precisava ser fotografada, infelizmente eu não pude fazer por ela nada melhor do que fiz, mas continuo fazendo, em oração, e acredito na validade disso.
Muitas alines caminham pelas cidades. Canela gaba-se de sua beleza, de sua arquitetura, de sua cascata do Caracol, que nos cobra quase dez Reais para ser vista. Minha mãe falou algo bem certo, aquelas crianças, que a prefeitura ignora, amanhã podem se tornar os bandidos que ela tentará combater.
Não é mais fácil tentar dar uma vida digna a essa população? Aumentar os postos de trabalho (o comércio é praticamente todo familiar e a área de hotelaria e turismo não emprega essas pessoas), investir em educação e conscientização (controle de natalidade é fundamental, em qualquer classe social).
Não quero fazer aqui discurso demagógico, daquele que todo mundo faz quando vê as injustiças do dia-a-dia, não dá para ver crianças como estatísticas ao dar-se conta do universo inteiro que existe por trás. E da esperança nos grandes olhos de Aline, olhos de criança, diferente dos olhos amargurados daqueles meninos da esquina.
Claro, esse tipo de problema existe em todo o país, mas isso não pode ser usado como argumento para que fechemos os olhos. Alguns podem fazer coisas grandes por eles, outros podem fazer coisas menores, poucos não podem fazer nada, uma conversa com essas crianças pode alimentar algo de bom dentro delas.
Acredito no trabalho microscópico de formiguinha, mas não apenas nele. Não faço crítica a nenhum governo específico, já que vemos situações como essas espalhadas pelo país, mas é um absurdo que uma minúscula cidade turística, que fatura alto o ano inteiro, não faça nada por sua população, enquanto vive de aparências, da bela cara da cidade, dos prediozinhos afrescalhados, dos fartos cafés coloniais que por vezes nem aguentamos comer. Enquanto as crianças crescem revoltadas, à beira da igreja do Conde Drácula, passando fome e perdendo o futuro. Sensação de impotência recorrente. Ainda espero ver Aline bem.
Eu, na escadaria. Fotos: D.Lampert

posted by Sunflower
4:49 PM
Segunda-feira, Junho 28, 2004
O Retorno
Depois de uma semana, eis que a criatura que vos escreve retorna a esta tão viciante rotina. Estive aqui duas ou três vezes durante a semana para ler os comentários e e-mails, infelizmente não deu mesmo tempo de escrever nada. Obviamente que vocês terão de aturar alguns (muitos) dias de textos sobre a viagem, já que ela foi repleta de acontecimentos memoráveis.
Começaram a acontecer antes da viagem, obviamente. O dia foi agitadíssimo, ainda tinha coisas a comprar, tinha que ir ao banco, aos correios, fazer escova, Dave tinha que cortar o cabelo...aparentemente não iria dar nada certo, mas eu sabia que daria tempo de fazer tudo.
Aliás, quase não nos casamos. Nas últimas semanas, mais especificamente na última semana, tudo começou a dar errado, tudo que poderia acontecer de imprevisto para tentar nos fazer mudar de idéia aconteceu. Sim, eu sei, tinha gente torcendo contra, muita gente. Mas também tinha muita gente torcendo a favor, a começar por nós mesmos, e por isso eu sabia que daria tudo certo.
Corri para casa, a escova mal feita (pobre moça, se esforçou um monte, faltou me arrancar os cabelos de tanto que puxou, mas como não sabia fazer, fez errado. Em poucas horas o cabelo estava armando novamente), não tinha problema. Eu não queria o cabelo liso mesmo! Liguei o baby-liss. Enrolando mecha por mecha, o telefone toca. A voz estava diferente no início e eu nem reconheci, que horror! Também, ela não me liga há séculos!...risos.... era a Blanda, desejando felicidades. Conversamos enquanto eu enrolava meu cabelo.
Dave me ligou também, desesperado. Estava pronto e eu, mal havia acabado de fazer baby-liss. Disse a ele para esperar dez minutos, eu ligaria de volta. Fiz uma maquiagem "The Flash", me enfiei dentro da camisete branca, da meia-calça cinza mesclada, da saia preta de couro e do sapatinho boneca preto e saí correndo. Na verdade, tasquei também uma tiara de strass na cabeça, liguei para o Dave, ele já estava no carro. Aí sim, saí correndo.
O casamento no cartório foi super-hiper-mega-ultra-rápido. Só demorou um pouco mais porque a moça precisou ler meu nome inteiro duas vezes e, todos vocês devem saber, para ler meu nome inteiro duas vezes, é necessário, no mínimo, meia hora. O juiz tinha pálpebras enormes, que abriam até metade da íris, o que o fazia ter uma terrível cara de sono, e nos dava sono também.
Nosso casal de testemunhas, simpaticíssimo, e minha cunhada nos acompanharam. Infelizmente o casal (um grande amigo do Dave e a esposa) não pôde ir à casa dos meus sogros comer bolo. Como ficaríamos uma semana fora, também não foi possível guardar um pedaço de bolo para eles :), mas eles sabem que a intenção era boa :)
Esquecemos a certidão de casamento (ui, eu tenho isso!) com eles e tivemos que voltar para buscar, acabamos pegando um trânsito terrível e nos atrasamos para a comemoração. Ah, sim, ainda no cartório (do lado de fora) tiramos algumas fotos (todas iguais, diga-se de passagem) e fomos, felizes, comer bolo, depois de resgatar a certidão. A família toda já estava reunida, pai, mãe, avó, tios, tias e primas do Dave (os primos não puderam ir....) e uma menininha linda, filha do primo dele, todo mundo esperando para comer. :)
Todo mundo parecia feliz, acho que chegaram a pensar que este momento jamais chegaria, quem sabe aquela festa não era, na verdade, uma comemoração tribal do tipo "finalmente desencalhamos o rapaz"?? Acho que todas as festas de casamento são assim. Talvez tenha começado com este intuito, inconscientemente, a família comemora por, finalmente, ter se livrado daquele indivíduo :). Por mais que gostem, existe um momento em que é necessário passar de fase, virar a página e é ótimo quando isso acontece.
Para variar, tiramos fotos. Fotos, fotos, fotos....comemos bolo, salgadinhos, tomamos refrigerante, conversamos, rimos...já era perto das nove da noite e já deveríamos estar em Gramado há horas. Agradecemos ao pessoal, nos despedimos de todo mundo, entramos no carro, passamos em casa para pegar minhas malas, guardamos tudo no carro e pegamos a estrada.
Ainda não havia caído minha ficha. O dia passara tão rápido que eu acabei não tendo tempo de me habituar à idéia do casamento. De repente eu era uma mulher casada. Casada. Que coisa mais estranha. Jura, casada? Tem certeza? Mas isso não é coisa de velha não? Mulher casada, mal senta (em qualquer lugar, no carro, na cadeira, no chão, no banco) e já tira os sapatos? Por que é que não consigo manter os sapatos nos pés?
Olhando para a minha meia, os pés apoiados no painel do carro, eu abraçando os joelhos.
-Que estranho...
-O que é estranho?
-Ainda não processei a informação.
-Nem eu.
Bem, ainda tínhamos tempo para processar a tal informação. Ao menos estávamos felizes. Estávamos casados...esquecemos de amarrar latinhas na parte de trás do carro...risos....talvez nos ajudasse a compreender a nova fase.
Ao chegar a Gramado minha cabeça já tinha entendido algumas coisas. Eu estava casada, mas continuava sendo a mesma pessoa. Não que eu achasse que mudaria em alguma coisa só por assinar aquele papel e mudar a aliança de lugar. Na verdade eu tinha sim um pouco de medo de virar outra pessoa, séria, estranha, após adquirir um pouco mais de responsabilidade, mas, felizmente, somos as mesmas pessoas de antes. E as responsabilidades também não mudaram tanto assim.
Todo mundo tem que viver, se manter, cuidar de sua vida. Juntar duas vidas é juntar duas responsabilidades já existentes para formar uma terceira, única. Isso, é claro, quando se trata de duas pessoas adultas.
O hotel era lindo, o quarto, aconchegante. Recém-inaugurado, guarda um cheiro de novidade em todas as portas e paredes. Tudo é limpo, pouco (ou nada) usado, o hotel tem menos de um mês de vida. Vista para o Vale. Na verdade, um buracão cheio de mato :) Sou expert em matar o romantismo de qualquer ambiente...risos...bem, fora a vista para o precipício, que o Dave acha lindo, o lugar parecia seguro.
No dia seguinte, pela manhã, tomamos café e nos preparamos para sair. O destino agora era a Pousada da Lua, onde passaríamos os próximos dias. O que aconteceu entre o parágrafo anterior e este não pode ser escrito aqui porque este lugar é aberto, de acesso livre a menores de dezoito anos e tem uma censura violenta...risos...
Bem, chegamos à pousada. Os primeiros dias foram de preguiça e passeios entre as duas cidades. Tudo sempre muito romântico e, felizmente, pouco frio. Só começou a mudar a partir da metade da semana.
Continua no próximo capítulo :)
PS: Agradeço a todo o pessoal que entrou aqui, deixou comentário, mandou e-mail, cartão, mensagem parabenizando e desejando felicidades. Não esqueci de vocês, não, viu? E tenho certeza de que vocês também serão muito felizes, à medida dobrada da felicidade que me desejaram :) Acho que passarei o dia inteiro respondendo comentários...risos... voltei com mil idéias, vontade alucinada de escrever, empolgação e pique extra, para mais uns duzentos anos. Me aguardem...risos.... aliás, já se desenvolveram na arte de ler textos enormes em curto espaço de tempo?...risos...eu torturo vocês, não é mesmo?
posted by Sunflower
11:17 AM
Segunda-feira, Junho 21, 2004
Chegou o dia!!!!
Faltam menos de vinte horas para o casamento. É amanhã, é amanhã, que coisa...como passou rápido, muito rápido. Lembro de uma conversa que tive com o Dave, falando que o casamento estava longe, ainda faltava vinte e um dias!!! Ele me disse que passaria rápido, hoje me contou que esses vinte e um dias passaram mais rápido do que ele mesmo imaginava. Pois é, também acho.
Ainda falta coisa para fazer, alguns detalhes a comprar para a viagem amanhã cedo, fazer escova, arrumar a mala...é, a mala. Ainda não arrumei a mala. Argh, detesto arrumar mala, todo mundo sabe disso. Sempre deixo para a última madrugada, em cima da hora, acho que gosto mesmo de adrenalina...risos...
Conforme o prometido, alguns textos postados aqui. Mas por favor, não leiam todos de uma vez senão não sobra nada para os próximos dias. Ficarei uma semana fora, é tempo de sobra para ler os textos postados...mas também não deixem de lê-los achando que têm todo o tempo do mundo. Uma semana passa rápido e logo voltarei com novos textos enormes. A título de curiosidade histórica, nada os impede de, caso tenham lido todos os textos novos, leiam também os mais antigos, dos arquivos pré-históricos.
Nem sei se conseguirei responder aos comentários ainda hoje, de qualquer forma, algumas coisas mais urgentes devem ser esclarecidas. E o povo (curioso) quer saber como estou :). Bem, estou eufórica. Histérica, querendo fazer mil coisas ao mesmo tempo, querendo que amanhã chegue logo, querendo não precisar dormir agora...
É muito estranho tudo isso. Não faço a menor idéia do que me aguarda, não só na lua-de-mel, mas no resto da vida. Mas, acreditem ou não, estou muito feliz com a possibilidade de descobrir, de fazer dar certo, de dividir a minha vida com o homem que eu amo, crescer junto dele, amadurecer.
Mas percam as esperanças aqueles pobres seres que sonham em me ver com aquela pose de adulta, cara de adulta, expressão séria, fechada. Vou me casar, mas não vou virar outra pessoa. Assim como o Dave também não vai virar um cara sério, com aquela cara de adulto, carrancudo. Quem olhar de fora vai ter sempre a impressão de que são dois adolescentes amalucados que resolveram juntar as malinhas. Mas nós sabemos que, ainda que não pareçamos, somos adultos :)
Escrevi esses dias na comunidade das virgens, no Orkut (sim, eu participo disso) que não é o relacionamento que nos leva, mas nós levamos o relacionamento, somos responsáveis por ele, por fazer dar certo, e por quando dá errado. Quando os dois estão comprometidos a fazer a coisa funcionar, não tem como não dar certo. Usando um pouco a cabeça (e não há motivos para não usá-la), é perfeitamente possível construir um relacionamento estável e, melhor de tudo, agradável, para sempre.
Alguns riem, outros dizem "não é bem assim", ah, mas essa menina não sabe de nada, e não sabe mesmo, pobre sonhadora. Pois é, agora me diga se a maioria dos problemas de relacionamento não poderiam ser resolvidos pelas pequenas coisas, pequenas mágoas que a gente guarda e prefere não resolver na hora, achando que não faz diferença, descontentamentos que a gente cala, faz coisas que não queria fazer, só para não entrar em atrito...faz tudo errado, pensando que, ao evitar confrontos, evita também desgaste. Muito pelo contrário.
Quando as coisas são resolvidas na hora, quando você diz que não quer fazer tal coisa e explica o porquê de não gostar, quando fala que não acha legal tal comportamento, quando explica o descontentamento e pergunta, insiste para saber o que está acontecendo, pode até gerar um certo stress na hora, mas, ao final da conversa, certamente todo aquele peso terá saído e não se acumulará até virar um monstro insolúvel. E o relacionamento sairá fortalecido.
Temos testado esse tipo de atitude e, até o momento, está seguramente aprovado. E conversar sobre tudo, abrir o jogo mesmo, sempre, não ter nada a esconder. Seu parceiro tem de ser seu melhor amigo, acima de tudo.
Sei que existe gente observando, com aquele olhar cético, pensando "vamos ver no que vai dar isso", tentando adivinhar, afinal de contas, quanto tempo vai durar. Quando esses dois descobrirão que a vida a dois é horrível e duramente suportável (nunca imaginei que houvesse tanta gente desiludida neste mundo)? Olha lá, eles vivem rindo, se abraçando, achando tudo lindo...acham que casamento é fácil? Hum...casando tão rápido assim? Será que ela está grávida?
Não, não estou grávida. :) Tem gente que só pensa, mas tem quem fale mesmo. Ouvi, nos últimos tempos, umas tantas vezes: "Você tem certeza do que está fazendo?" "Olha, ainda está em tempo de desistir..." "Não faz isso não...", entre outras coisas. Pena. Eu já vi casamentos felizes, mas parece que eles têm um manto de invisibilidade aos olhos do resto da humanidade. Os casamentos terríveis, esses sim, ganham destaque.
O homem trai a mulher, a mulher chifra o marido, o marido era gay, ou tinha outra família, ela descobre que ele não tinha nada a ver com o homem com quem casou, ele descobre que ela é outra pessoa, diferente da que conheceu, ele se torna violento depois do casamento, ela é super ciumenta e faz escândalo até quando o marido cumprimenta a caixa do supermercado.
Ele chega em casa cansado, ela desembesta a falar sobre as contas, sobre as crianças, problemas, problemas e mais problemas, ele querendo paz, ela preocupada em resolver, resolver, resolver, taca-lhe mais problemas nas costas.Histórias desse tipo acabam destacando-se e são tomadas como regra geral. Não são. São casos comuns sim, mas de relacionamentos abandonados, ou deixados sem cuidado, para serem levados pela vida.
Falando nisso, me lembra uma música horrível, à qual abomino com todas as minhas forças. Não pelo ritmo, mas pela letra mesmo. O hino do conformismo: "Deixa a vida me levar. Vida, leva eu! Deixa a vida me levar. Vida, leva eu! Deixa a vida me levar. Vida, leva eu! Sou feliz e agradeço tudo o que Deus me deu." Não, não e não, não deixo a vida me levar, de jeito nenhum! Se você se deixa ser levado pela vida, em boa coisa não vai dar.
Assim é com qualquer relacionamento, se você deixar ele ser levado pela vida, vai começar a crescer matinho, sufocar aquelas florzinhas bonitinhas e coloridas, vai aparecer lagarta, fungo, formigas cortadeiras, ratos, baratas, escorpiões... tudo o que é abandonado deteriora-se. Ser levado pela correnteza, ao contrário do que se acredita, é morte na certa. Se a sua idéia é chegar em tera firme, ou em algum lugar, o negócio é nadar, remar, se esforçar, porque nem sempre o lugar para o qual a correnteza leva é o lugar aonde se quer ir.
Bem, tudo isso para dizer que estou certa do que estou fazendo, estou feliz e consciente, não sou um bichinho idiota indo, feliz, para o abatedouro (Comparação esdrúxula, porém válida). E para quem ainda duvida, não gasto mais o meu latim, mesmo porque eu não falo latim. O tempo mostrará. E se a pessoa mesmo assim não quiser ver, paciência, eu vivo em paz.
Se estou nervosa? Um pouco. Se estou uma pilha? Não, estou tranquila, não fossem as coisas que ainda faltam, estaria ainda mais tranquila, poderia dormir mais e gastaria menos corretivo nas olheiras amanhã :). Finalmente, passar de fase, aquela fase antiga já estava me cansando. Matamos o chefe da fase, pegamos a chave, abrimos a porta e passamos de fase. A vida, talvez, seja um imenso vídeo-game do Sonic.
Mas que a vontade de passar a madrugada inteira escrevendo compulsivamente persiste, é porque ao menos um pouquinho histérica eu devo estar, por dentro. Apreensiva, alegre, animada, pesarosa por não poder ter minha mãe e meus irmãos aqui agora....tudo bem, eles estarão na cerimônia religiosa, ano que vem.
Deixo-vos então...risos...por alguns dias, alguns poucos e lindos dias em que estaremos em lua-de-mel, este blog entra agora em recesso. Talvez, caso eu tropece em algum cyber café pelo caminho, poste um "oi", avisando que estou bem. Por isso, não desapareçam, please! E não deixem de comentar, também, adoro ler as mensagens e, quando puder, responderei sim, vocês sabem que eu respondo, não sou mesmo normal..risos..
A propósito, alguns recados: Claudio, não recebi sua carta, nem seus e-mails, achei mesmo que você tinha esquecido de mim, sei lá. Mas fico feliz ao ver que continua sendo meu amigo de sempre. Obrigada, viu? Espero poder vê-lo pessoalmente em breve :). Zekol, não te xingarei não...risos.... Jesse, só preciso de um e-mail válido seu para fazer o convite, Túlio, detesto quando dizem que "sou religiosa" porque para mim esta palavra tem outro contexto, que explico quando retornar, mas entendi sua pergunta. Não, nunca fui católica, sou evangélica, de família evangélica (só meu pai não era).
Nasci na igreja Batista, já fui da Sara Nossa Terra e sou, há quatro anos, da Universal. A Bíblia é, além de tudo, um livro interessantíssimo, de sabedoria, por isso vira e mexe cito alguma passagem por aqui. E como isso é muito forte na minha vida, não posso deixar de fora do blog, afinal de contas, aqui eu sou eu mesma, sem me disfarçar de nada. E isso faz parte do que eu sou.
E Butterfly, que espécie de pessoa adulta consegue calçar 34??? Menina, que coisinha mais delicada!...risos...eu, com meu 37/38, devo parecer um rinoceronte do seu lado...risos... Rufus, Blanda, Lu, Hipácia, Laly, Luís (o lacônico. Leu o texto?), Rúbia, Belle... obrigada pelo trabalho de comentar neste blog. Isso não foi resposta aos comentários, todos serão respondidos, afinal de contas, agora tenho um blog só para isso :).
E ALDY!!!!!! Obrigada pelo presente, amiga, obrigada mesmo, amei, achei lindo!!! O Hotmail não quis abrir, bloqueou o anexo e tive que encaminhar para o POP, onde pude baixar o arquivo, mas valeu o esforço. Obrigada, obrigada, achei mesmo lindo, puxa....
Bem, despeço-me agora, antes de sair devo dar uma olhada nos recados (espero que tenha algum) neste blog.
Saibam que não me esqueço de vocês em nenhum momento, penso em cada um de vocês, me lembro dos que não aparecem mais e dos que vêm sempre, nunca vi nem mesmo uma foto de grande parte dos leitores deste blog, mas nem por isso vocês são menos reais para mim. Tenho saudade, fico preocupada quando somem, acho graça do que escrevem, penso, quando dão opiniões sérias e me afeiçoei a todo mundo que passa por aqui e permite que eu fique sabendo. Tanto os leitores mais recentes, ainda perdidos, quando os mais antigos, já por dentro dos assuntos.
Agradeço pelo carinho que recebo de vocês, por poder contar com o apoio de todo mundo, sempre, com palavras de ânimo e declarações sinceras. Fico realmente tocada, já que tenho consciência de que vocês não teriam obrigação alguma de me dar atenção aqui. O mínimo que posso fazer é retribuir, com o que estiver ao meu alcance. Palavras sinceras, abraços e beijos virtuais, e orações que, tenho certeza, vocês sentem, onde quer que estejam agora.
Desejo tudo de maravilhoso a vocês e que até mesmo o que era para dar errado, dê certo, que as coisas ruins passem e vocês possam enxergar com novos olhos essa vida cheia de possibilidades, que se abre para nós, a cada nascer do sol. Sim, eu estou brega. Fazer o quê? É isso que o amor faz com a gente...risos...e, aproveitando o ensejo, mais uma praga: que sejam todos felizes e encontrem o amor bem correspondido, daquele que nos deixa ridiculamente idiotizados, como eu estou. Ridiculamente felizes...e, convenhamos, Fernando Pessoa, não há nada de ridículo nisso. Beijos a todos!!

posted by Sunflower
1:31 AM
Flash-Backs
Dizem que no último instante antes da morte, a pessoa vê a vida passar em flash-back, como um filme. Não sei quem foi que disse isso, já que para descobrir a pessoa deveria estar à beira da morte. E como de lá não se volta (e não se volta mesmo), tal criatura, ainda que isso fosse verdade, jamais poderia ter revelado o msitério, nem se quisesse.
Imaginando, porém, que realmente seja assim, acho que estou sempre à beira da morte. Diversas vezes ao dia me pego tendo flash-backs, vendo o filme de minha vida passar e deliciando-me por voltar a cenários há tanto esquecidos. A minha primeita escola, a minha segunda escola, minha infância, o prédio em que morava, minha adolescência, meus tios, meu pai, a Lady, minha casa, meus irmãos, minha mãe, meus sobrinhos...
São Paulo, Rio de Janeiro, Campo Grande, Porto Alegre...Campinas, Brasília, Canela, Curitiba, Gramado, Santa Maria, Tramandaí, a fazenda, no Anhanduí, o caminho, de ônibus, do Mato Grosso do Sul ao Rio Grande, passando pelo Paraná e Santa Catarina, atravessando o rio paraná de balsa, antes da ponte ficar pronta...
Os retiros da Igreja Batista, meus tempos de obreira, lembro até de minhas viagens ao Paraguai. A gravidez das minhas irmãs, o nascimento dos meus sobrinhos, eu lendo todas as revistas de bebê, como se o filho a nascer fosse meu. Juninho prematuro, no hospital, Raíssa, saindo da sala de parto, ainda sujinha, para dizer "oi" à titia.
As lágrimas do meu pai, sempre que se emocionava, eu no hospital, acordando da cirurgia, aos quatro anos, vendo a enfermeira retirar o soro do meu braço. Entrando para a cirurgia, horas antes, o cheiro ruim da anestesia. Os desmaios na escola, a perseguição dos colegas, no início da adolescência.
Meu pai no hospital, na unidade coronariana, eu pedindo a ele para nunca mais me dar um susto daqueles. A lágrimas em seus olhos, contando que, enquanto passava mal, pensou que sua hora havia chegado e que ele iria morrer. A visita em sua casa, alguns dias depois, vendo fotos dele com o enteado que depois nos roubaria, aniversários, fotos do dia-a-dia, dia-a-dia com ele, que me fora roubado. Dia-a-dia que era para ser meu, não daquele garoto sem pai. Tudo na casa me parecia falso, e a mulher que morava com ele, que eu sempre soube que não gostava de nós, seu olhar a denunciava, enquanto nos aturava por ali.
Os passeios à cavalo pela fazenda, na infância, os colegas na adolescência, o grupo do qual eu queria participar, mas no qual não me encaixava. O tratamento ortodôntico, os textos que escrevi. Minha Olivetti "tec, tec, tec" na qual escrevi, certa vez, que não a trocaria jamais por um computador, com toda a certeza do mundo, e bons argumentos até. A morte do meu pai, tão súbita, inesperada. O velório traumático, o último abraço, dois dias antes.
O início do inventário, o cuidado da minha mãe, as faculdades que comecei, os amigos que fiz e abandonei, a descoberta de um blog, em uma madrugada qualquer, curiosidade, uma pessoa especial. Uma série de e-mails com resposta impessoal, a primeira conversa no ICQ. Tantos amigos virtuais, pessoas a quem aprendi a amar e com as quais me preocupo, diariamente. A viagem para Gramado, em Outubro, o Lago Negro, os planos. A mudança.
Meu quarto em Campo Grande, Nermal sobre a cama. Em pensamento vou até minha sala e fico observando os móveis, quase posso tocá-los. O leite com cevada, morno, pela manhã, meus cunhados empacotando o computador e eu me dando conta de que realmente iria me mudar. Aquela gatinha pequena e suja, sendo maltratada por crianças no camelódromo, meu discurso a elas, a viagem ao veterinário, Bianca limpinha e vacinada em casa.
Eu, escolhendo a Lady em 1989, entre seus irmãozinhos na casa da Fernanda. Sem vergonha de escolher a gata mais bonita, que eles já haviam até adotado. Meu pai me levando o xinho, um ano antes, realizando meu sonho de ter um gatinho. As noites de solidão e tristeza, sozinha em meu quarto, escrevendo e não tendo esperanças de mais nada. Meus cachorros, os filhotes da Lady, o Nermal, filhote, com o problema no olho esquerdo que o salvou de ser vendido e desapareceu quando decidimos ficar com ele. Meu avô, doente, me agradecendo por não tê-lo deixado sozinho no hospital.
Meus pais se beijando, separados há anos, na porta de casa. Eu e minha mãe, na sala, conversando sobre a vida, de madrugada. Eu, no hospital, passando a noite do lado de fora, enquanto minha mãe dormia no CTI. O grupo de evangelização da igreja, em um bairro sem asfalto, casas sem número, pessoas sofrendo. Madrugadas atendendo telefone no SOS, pessoas desesperadas, uma história pior do que a outra, buscando uma saída.
Livros escritos e reescritos, ainda a incerteza do que, afinal de contas, eu queria ser. Jogar tudo para o alto e tentar ser feliz. O resto vem depois, há tempo, sempre há tempo. Mudança de discurso, tantas vezes me enganei. O quanto fui intolerante, teimosa e ainda sou, às vezes. O quanto não sou nada, aqui, sozinha, sem saber viver. Dependendo de Deus para cada passo nesse novo mundo. Cansada de não ter quem lesse gibis para mim, peguei um livro de alfabetização da minha irmã e aprendi a ler, sozinha, aos três anos. Passagem comprada, apartamento alugado, malas prontas. Fecho mais uma porta, mais um ciclo. Novo ciclo começa. Diferente.
Às vezes sinto falta da minha vida de antes, da Vanessa que eu era e choro. Mas os flash-backs são para compreensão, não sofrimento. Minhas bonecas, a sensação boa da companhia da minha irmã, a tristeza quando ela foi embora e a alegria quando retornou, já casada. E as histórias continuam, construindo nossas vidas.
O abraço da minha tia, a tristeza quando ela morreu. Meu irmão, me jogando, criança, para cima. A certeza e a confiança de que ele me pegaria, antes que eu chegasse ao chão. E ele nunca me deixou cair. O cheiro gostoso de material escolar novo, eu cheirando cadernos recém-comprados, livro novo, cheiro bom de brinquedo recém-saído da loja.
O abraço apertado do amigo, o susto de sua morte prematura, inesperada, meu encontro com a vida. Minha primeira peça de teatro, na escola, os elogios dos professores. A nova temporada, a pedidos, no ano seguinte. As outras peças, durante a infância e a adolescência, até a faculdade, antes que eu me decidisse por, primeiro, definir o meu papel na vida, antes de desempenhar outros. Os sons, as cores, os cheiros, as músicas da minha infância, meus primos, a casa da minha avó, sempre cheia.
Dave cantando músicas, naquela sua voz suave e doce, em meu ouvido, na pequena e charmosa rodoviária de Canela. O primeiro arquivo de som que recebi dele cantando uma música romântica, o segundo arquivo, que ouvi e ouvi novamente, infinitas vezes. A casa da minha tia, a piscina, os bolos de chocolate. Meu avô construindo a casa, ao lado da nossa.
A morte dos meus cachorros, minhas apresentações com o coral infantil municipal, até os treze anos, brincando de boneca com a Luana, criança de tudo, a catapora, a insolação. A morte da Lady, a triste despedida (Gateira, 03 de Novembro de 2003). Até hoje sonho com ela, quase todos os dias, como se não tivesse morrido, mas sim se recuperado completamente. A cidade dos meus sonhos é o que chamo de Porto Grande ou Campo Alegre, mistura impossível das duas cidades que amo, com o pessoal de lá e o pessoal daqui convivendo, paisagens misturadas, lugares mesclados, como eu gostaria que fosse.
Eu aqui, dormindo no sofá-cama, chorando pelo carpete, brigando no pet shop, na imobiliária, ainda em Campo Grande, vendendo doces na rua, descobrindo um interessante lado da cidade, do comércio informal. Vontade de comer bala de goma. Devo controlar a ingestão de açúcar, faz mal.
Não é exagero, essas lembranças todas me vêm, diariamente, e com elas, muitas outras. O tempo do news do UOL, meus anos de estudo na mace, as paixões platônicas, a certeza de que nunca encontraria alguém, o pedido sério e detalhado a Deus, as conversas com Dave. Os períodos de tristeza, depressão e recuperação, lenta e dolorosa, até o extremo oposto :) .
A promessa a mim de sempre falar a verdade, nada mais do que a verdade, não a minha versão dela. Ser sincera e não hipócrita. As vezes em que errei e senti Deus me perdoar, as palavras que ouço Dele, em meu coração, lendo a Bíblia, e que me trazem as respostas. Porque em minha vida tudo começou nele e nele termina, por meio dele são feitas todas as coisas.
O pôr-do-sol de Campo Grande, a cascata do Caracol, em Canela, o lago Negro, em Gramado, o noivado. Tantos planos e tanta coisa pela frente. O que passou me mostra que "O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor. (Provérbios 16:1). Estamos à beira da morte sim, todos os dias. E não há tempo a perder.
posted by Sunflower
1:29 AM
Inspiração
Pensei em escrever um conto, na verdade acordei morrendo de vontade de escrever um conto, mas não tenho história alguma para contar hoje, ao menos nada de realmente interessante. Minha irmã brigaria comigo agora (como sempre), ela, artista, nunca aceitou falta de inspiração como motivo para não criar.
Segundo ela, criação é trabalho; inspiração, detalhe. Pode ser. Até acredito que na área dela, de artes plásticas, trabalho conte muito mais do que inspiração, o que deve ser ótimo. Na minha área, é difícil. Tente fazer algo sem inspiração e terá um trabalho insosso. Porque a pintura, por mais representativa que seja, é sempre mais abstrata do que a palavra, ao menos do que as minhas palavras, porque sei que tem gente que joga palavras no papel como quem mistura cores em busca do tom ideal e gente que as joga no papel como quem espreme tubos de tinta na tela para dar a impressão de que pintou alguma coisa.
E convence. Pior é que convence; Aí saem coisas completamente sem sentido e, como na história da Roupa Nova do Rei, se você disser que não gostou ou que não viu sentido algum naquilo, é ignorante e analfabeto artístico.
Mas, voltando ao assunto, sem inspiração não há história, por mais que haja esforço, ao menos não uma história que convença e envolva o leior e recuso-me a escrever uma história que não seja envolvente, ao menos aparentemente. Não tenho a pretensão de ser unanimidade, sei que sempre haverá gente nem um pouco disposta a deixar-se envolver por meus personagens, mas quanto mais pessoas eu conseguir seduzir com minhas histórias, melhor. É o que busco.
E para ter história é preciso estar inspirada, sem história não há conto, logo, sem inspiração eu não conto nada. Meu problema é que quero sempre contar histórias carregadas, com alguma dramaticidade, algum diferencial, embora sempre cotidianas. Um dia, só para testar, experimentarei contar uma história bem banal, sem compromisso com nada, só por contar mesmo, bem sem-graça, como exercício, e ver se ao menos a mim ela convence. Com ou sem inspiração.
posted by Sunflower
12:41 AM
Insights
Por que é que os insights costumam acontecer de madrugada? Me deixem dormir, insights, senão em pouco tempo serei uma escritora cheia de textos, rugas e mau-humor. Vocês não irão gostar nada, nada disso. Nem eu.
Quero dormir, droga. Não estou nem um pouco interessada em saber que vocês, insights, descobriram o que eu deveria fazer, afinal de contas, com aquela moça que estava fugindo naquele texto e que, no contexto, já deveria estar morta há muito tempo, a menos que eu descobrisse uma boa desculpa para que ela permanecesse viva.
Não estou nem um pouco interessada em saber de idéias para começar contos, crônicas e até mesmo romances, nem mesmo uma ou outra idéia de continuidade para aqueles que estão parados há séculos, na gaveta. Quer dizer, talvez eu até esteja. Mas custa me deixar anotar no caderno, meio rascunhado, para continuar quando for dia? Por que raios tenho que levantar e ligar o computador caindo de sono às três da manhã?
Eu sei, reclamo quando os insights entram em recesso, mas me canso dessa hiperatividade noturna. Não acho ruim que trabalhem, mas acho de extremo mau gosto que me façam trabalhar de madrugada, quando eu já deveria estar dormindo há horas.
E ainda me cobram, os folgados! Me avisam dos textos que ainda não publiquei, daqueles outros que eu nem mesmo passei para o computador, daqueles textos enormes que eu deveria postar em outro blog e colocar um link aqui no Another Monster para eles... Não tenho chefe, mas meu cérebro é um chefe ainda mais cruel do que o seu, eu garanto. Ah, criem dedos e escrevam vocês mesmos, droga! Não sou escrava de insight algum!
Olha aqui, insight, pela última vez, minha cabeça está doendo, meus olhos estão pesados, isso significa que estou com sono e preciso ir dormir. Se quiser continuar trabalhando de madrugada, faça-o sozinho!! Nada me impede de retomar os estudos e ir fazer, sei lá, biologia, física, engenharia aeronáutica, qualquer coisa que me mantenha longe de insights literários geniosos. E sim, isso é uma ameaça. Vamos colocar ordem nesta casa! Vocês aí, eu aqui. Fechem os olhos e tentem dormir. Amanhã a gente conversa.
posted by Sunflower
12:32 AM
Domingo, Junho 20, 2004
Morena Apagada
Então você não vai pintar o cabelo de loiro, morena? Promete isso? Que pena. Porque deveria. Não só de loiro, porque é loiro, mas de vermelho, de verde, de preto, laranja, azul, cor-de-rosa, cobre, castanho, roxo, lilás... qualquer tom que queira, quando acordar, abrir os olhos e olhar-se no espelho, apagada, abatida, desbotada.
Olha a alma desbotada, não, não pode ser tingida. Ela é daquelas que se enfeita com fantasias coloridas, mas ela própria não é nada, não diz nada, não tem cor, nem verdade. É falsidade que não admite curvar-se à oxigenada verdade, a inexorável virtude de ser o que se é, por dentro, sem máscaras, não importando aqui o tom capilar. De nada adianta não trocar a cor dos cabelos e trocar, a cada dia, a máscara do rosto.
Se eu fosse você, morena desbotada, ficava loira só por desforra, sumia do mundo para visitar outros mundos, encontrava alguém com quem colher as mentiras. Muitas mentiras. O papel se perdeu, a cortina rasgou, o tempo passou, seu tempo passou. Vire as costas e siga o caminho distante, não olhe para trás, não olhe para mim.
posted by Sunflower
11:26 PM
Texto escrito no dia 25-05-2004
A Falsa Liberdade
Sim, o mundo mudou bastante. O interessante é que a tal inversão de valores trouxe uma espécie de inversão de preconceitos. Se antes era absurdo uma menina de quatorze anos (e até mais) trocar de namorado de seis em seis dias, hoje a menina que não faz isso é ridicularizada pela turma. A garota (ou pior, o garoto) que chega, por decisão pessoal, aos dezoito, dezenove anos virgem é vista com espanto pelos colegas.
Se antes era vergonhoso para uma garota perder a virgindade antes do casamento, hoje é vergonhoso assumir que se quer casar virgem. Pior ainda na fase adulta. Vinte, vinte e um, vinte e três, vinte e quatro, vinte e seis anos virgem? Deve ter algum problema. Se for bonita, certamente se acha tanto, é tão insuportável, que ninguém quis. Se for feia, é porque é feia mesmo, ninguém quis. Se não for nem bonita, nem feia, deve ser reprimida, ninguém quis também. E se a pessoa mesmo não quis?
É ingenuidade achar que existe liberdade sexual em nossos dias. Existe liberação do sexo, mas liberdade, a meu ver, seria poder escolher o que fazer (ou não fazer) de sua vida sexual sem enfrentar julgamento externo por isso. Por que essa ladainha toda novamente? Não devo falar disso desde o começo do blog, acho, há pouco mais de um ano. Ouvi de um garoto com um pouco de álcool na cabeça, esses dias: "Casar? Você vai casar? Cara, por que você não vai morar junto?" Como se fosse quase um crime, um absurdo indescritível assinar um papel.
A idéia de "morar junto" nunca nem me passou pela cabeça, todos sabem, é inadmissível para os princípios aos quais minha cabeça escolheu seguir. Claro que cada um segue aquilo que acredita e existem casais que são felizes morando juntos, mas não existe maior prova de amor do que comprometer-se documentalmente, perante a lei dos homens (dificulta na hora da separação também :) ), e é a maior prova de fé, acreditando que não há problema algum em assinar aquele papel, porque você não está tentando para ver se dá certo, está se comprometendo a fazer dar certo, porque depende dos dois. Eu não acredito em destino, acredito em esforço pessoal e creio que Deus honra esse esforço, abençoando o casamento.
Por isso a indignação daquele garoto- e não apenas dele- ao me ouvir falar do pecaminoso casamento, me abriu uma indignação. Ué, se é tudo igual, tudo a mesma coisa, casar ou morar junto, por que não casar? Por que é ultrapassado? Eu sou ultrapassada, sou do século passado mesmo, com minhas convicções e minha vontade de morar junto sim, mas de papel assinado. Trocar a carteira de identidade, a foto sim está ultrapassada, o nome está muito curto, vai ser Vanessa Stella Rodrigues Santana de Resende Lampert, diante da lei e diante de Deus.
Vejo olhares jovens, principalmente masculinos, assombrados diante da afirmação. O problema é que a maioria das pessoas simplesmente não consegue se colocar no lugar do outro, entender suas expectativas, decisões, princípios e sonhos, sem encarar como algo exótico, bizarro, de forma natural.
E viver na contramão do pensamento atual, daqueles que bebem, fumam, avessos ao casamento, tratando sexo como um ritual obrigatório de passagem para a vida adulta, experimentando todas as sensações, tudo ao mesmo tempo. Quanto mais referências você tiver (e menos coerência entre elas), menos incomodado será. Mas tudo bem, eu não tenho esperanças de ver o mundo respeitando diferenças, mas não custava, pelo menos, respeitar escolhas.
posted by Sunflower
11:25 PM
Sexta-feira, Junho 18, 2004
Perfil
Nome: Vanessa Stella Rodrigues Santana de Resende (quase) Lampert
Idade: 24, embora às vezes escreva 23. Não é tentativa de parecer mais nova, simplesmente não me acostumei com a nova idade ainda. Mas nasci em 1980, faça as contas.
Estado civil: Quase casada. Isso é estado civil?? Faltam três dias!!!
Profissão: Eu não tenho isso, não. Digo que sou escritora. Acredita quem quiser.
De resto...bem, tudo bem óbvio. Coisas que gosto de fazer...todo mundo sabe. Ler, escrever, tirar fotos, cantar, ouvir música, conversar... desenho, mas não gosto de desenhar, sou perfeccionista, desenhar para mim é uma tortura, tem que estar perfeito, 100%, e não paro enquanto não estiver. E nunca acho que ficou bom.
Alguma coisa que queira saber de mim que já não saiba? Sou tão livro aberto que nem sei se ficou faltando alguma informação nesses dois anos de blogs.
Estranhei a quantidade de perguntas para o perfil do Orkut. Não respondi quase nada. A pessoa que quiser conhecer a moça aqui vai atrás e descobre. O básico está lá. Casada :) , 24 anos, o link para o blog.
Mas e o perfil? Bem, gosto do meu nariz. Ele é melhor de perfil do que de frente. A boca diminuiu bastante depois do tratamento ortodôntico, que colocou os dentes na posição correta, para trás. Os olhos e a testa são enormes de frente, de lado, em qualquer posição. A sobrancelha me parece legal (apesar de ser rala e clara, mas isso se corrige com lápis :) ) e dá para notar que os olhos imensos são puxados, o que muito me agrada (e tasco um delineador preto para realçar e um rímel preto, que os cílios também são claros). Gostaria de ter um queixo maior, mas acho que o meu já está de bom tamanho, se ele fosse proporcional à testa eu teria um cabeção. Queria também ser mais morena, me ajudaria a fazer amizade com o sol.
Esses dias uma amiga comentou comigo que quando eu digo que não me acho bonita parece que quero confete, que me acho bonita sim, mas quero elogios. Ora, eu não preciso de elogios. Gosto, mas não preciso. Aliás, fico sem graça e nunca sei como responder. Se me achasse bonita mesmo diria, ou não diria nada, já que assumo o que sou quando sei que sou, quase não falo disso aqui. Sei que não sou feia, mas não sou bonita. Sou fotogênica, pode ser, mas não me acho bonita mesmo. Acostumei com a minha cara, gosto dela, me aceito. Sou uma criatura amável e simpática (além de muito modesta... risos...), talvez por isso algumas pessoas digam que sou bonita. O que sei é que não sou. Dizem que o que vale é o conjunto. Pode ser, mas ainda assim me acho estranha, não bonita.
Mas meu perfil é bom, gosto dele. De frente também, me habituei à cara que tenho. Não poderia, por exemplo, fazer plástica para afinar o nariz, já que meus olhos pareceriam ainda mais distantes um do outro. E meu rosto pareceria mais largo. E eu pareceria um ET. Meu periodontista queria que eu cortasse a gengiva para que os dentes parecessem maiores. Até pensei na possibilidade, mas acho que não vale a pena. Eu sou eu com esses dentinhos minúsculos, quase inexistentes, e a gengiva imensa mesmo.
Uma outra amiga me diz que eu costumo ver meus defeitos maximizados e ignorar as qualidades. Isso em tudo, não apenas fisicamente. Pode ser, pode ser. Dizem que sou crítica demais. Aliás, eu mesma digo isso. Sou mesmo, infelizmente. Mas já melhorei, pensam que não? Eu era bem pior! Fisicamente, por exemplo, gosto dos meus olhos enormes. :)
Mas não admito que ninguém fale mal de mim para mim, me defendo mesmo! Não entendo a razão de alguém apontar meus defeitos por apontar, simplesmente. Mas em outras ocasiões, travo guerra comigo. Entre aquela que quer acreditar que é bonita e legal, a outra que quer achar que é feia e chata e uma terceira, que acha que não é bonita, nem feia, não é legal, nem chata. Geralmente fico com essa terceira, a coluna do meio.
Talvez isso possa ser resquício daquela época da adolescência em que eu era horrorosa, não me vejo mais daquele jeito, mas também não consigo enxergar nada muito diferente. É estranho. Ao mesmo tempo em que minha mãe (e agora o Dave) diz que quando me arrumo bem e saio na rua todo mundo olha porque me acha bonita, em algum lugar em mim aquela Vanessa de dentes separados, boca imensa, quarenta quilos, desengonçada, me diz que todo mundo me olha porque me acha estranha. Exótica, esquisita, quase feia. Pior é quando, tentando elogiar, me dizem que eu tenho "Uma beleza diferente". Eu escuto que tenho "uma cara estranha", e fica tudo do mesmo tamanho.
Tento me livrar dessa Vanessa desde que minha imagem mudou (e eu tenho consciência de que mudou), mas tenho obtido poucos avanços significativos. Claro, todos eles devem ser valorizados. Ao menos agora eu tenho consciência de que a imagem mudou, menos mal, há alguns anos, nem isso. Também consigo agora me olhar no espelho e ver uma imagem agradável, na maioria das vezes. Lembro de uma época em que fugia de espelhos.
Engraçado, vejo uma imagem agradável, mas para mim aquela não sou eu. Estranho, até hoje, a imagem refletida. De onde surgiu essa moça que me segue e se coloca em minha frente sempre que eu passo diante de um espelho? Não tenho complexo de nada, aceitei minha cara como ela é, só ainda não entendi direito como ela é. Meu cérebro não se livrou de parte da imagem anterior e se sente desconfortável nesta aqui, embora não reclame :). Eu me sinto confortável em meu corpo, mas não na cara da moça do espelho. Ela é estranha.
Estranho, depois de tanto tempo valorizando apenas meu crescimento interior (aquela idéia de que, já que você tem um exterior horrível, que ao menos o conteúdo compense), agora, para meu bem-estar emocional e manutenção da minha saúde mental, devo concentrar-me em adaptar minha auto-imagem a algo que se aproxime da realidade. Pode parecer ridículo, pode parecer balela, mas é a pura verdade.
Por outro lado, melhor assim. Ridículo quando a gente vê uma pessoa feia dizendo-se bonita, com toda a segurança de que é bonita e pensa: "Putz, essa criatura não tem espelho em casa? Não tem senso de ridículo?" Talvez eu tenha medo de ser vista assim, quem sabe? Se bem que os ignorantes são mais felizes, a criatura que ignora sua própria condição e se diz bonita, ainda que pareça antipática e arrogante certamente tem bem menos problemas existenciais que eu...risos...
E não quero elogios, por favor, ou então alguém vai dizer que fiz este post com segundas intenções, o que não é verdade. Mesmo porque nem adianta falar, adianta? A gente vai enxergando o que tem para enxergar, se houver algo a enxergar, com o tempo, quando se está disposta a isso. Quero apenas expor um problema real. Ainda que puramente imaginário.
Mas tudo isso passa, tudo passa. Quero viver intensamente o que tenho, o que sou e por isso queria descobrir o quanto antes tudo o que posso sobre mim, para poder viver plenamente todas as minhas possibilidades, seria interessante. Acho engraçada a moça do espelho e tiro um monte de fotos dela. É a boneca que eu tenho em casa e que me serve de ilustração para aquilo que escrevo, mas tenho a plena consciência de que sou muito mais do que ela, o que sou vai além da moça do espelho.
Me divirto com ela, troco suas roupas, testo cores novas, pinto seu cabelo, faço maquiagem...é um brinquedinho que ganhei depois de adulta, gosto dela, mas prefiro a moça descabelada de olhos inchados, aparelho móvel nos dentes e cara lavada que vejo no espelho pela manhã, quando aquela outra moça ainda está longe, se parece mais comigo, embora não me interesse sair com ela pela rua...risos...
A moça do espelho tem sua utilidade sim, não posso negar. Não posso negar também que este texto está meio esquizofrênico, mas é normal, não há outra forma de explicar isso, minha relação com a moça do espelho. Não quero que ela vá embora, quero conseguir entendê-la, e fazê-la entender o quanto é efêmera.
Tenho bem clara em minha mente essa divisão, entre a moça do espelho e a moça de dentro. A do cérebro, a da alma, que gosta da vida, das coisas que podem ser tocadas, cheiradas, sorvidas, escritas, lidas, observadas... gosta de sentir o gosto bom do chocolate, de ver outra alma em outros olhos, decifrar sonhos, maquinar idéias pela madrugada.
A vida é muito boa, muito boa mesmo, aproveito a vida, este mundo, de uma forma diferente das outras pessoas. Não bebo, não fumo, detesto sair à noite, odeio barulheira de boate, não suporto reuniões sociais em mesa de bar com meia dúzia de seres alcoolizados, nunca me agradou a idéia de sair por aí beijando bocas desconhecidas, ou conhecidas e não amadas.
A beleza da vida está nas pequenas coisas, em ver tudo como um presente, encarar as coisas ruins como desafios a serem superados, até as lágrimas são bonitas, se nos servirem para crescer e não chorar mais. Minha vida é um presente. Não tem nada de fantástico, absurdo, incrível, mas é fantástica, absurda e incrível pelo simples fato de existir.
Ainda tenho muita coisa a fazer e cada coisa em seu devido tempo. Por enquanto, o tempo é de consolidar a estabilidade emocional que consegui, aproveitar o amor que ganhei, curtir essa vida de mulher feliz e realizada à qual por tanto tempo imaginei não ter direito. O resto...bem, para o resto eu tenho tempo e farei sim, tudo a sua hora, em sua devida ordem de importância. Primeiro, o amor, que eu tenho o direito de aproveitar isso como tenho o direito de aproveitar o gosto do chocolate na boca. Com a diferença que este chocolate nunca acaba. E não acaba mesmo, porque não queremos que acabe.
Esclareço aqui que comecei a gostar de viver bem antes de me apaixonar, comecei a gostar de viver quando cansei de querer morrer. Escrevi, certa vez: "Cansei da morte, como antes havia me cansado da vida". E foi assim que começou.
Conforme o prometido, a título de comparação, um fragmento de texto abaixo, escrito em 1998, pouco menos de dois anos antes de eu decidir que tudo seria diferente e que eu deixaria meu orgulho de lado e buscaria em Deus minha saída. Devo dizer que às vezes rio daquela menina boba, que não conseguia (e pior- não queria) enxergar o mundo de outra forma, que não sabia ainda o que estava perdendo e achava que só os mais limitados intelectualmente conseguiam ser felizes, ou achar que eram.
"Sabe, eu daria tudo para poder sair deste planeta, mais especificamente para poder voltar ao meu planeta. Aqui me sinto cada vez mais sozinha e deslocada, sinceramente, posso estar escrevendo uma grande besteira, mas acho que já estou por aqui tempo demais, sabia? Já enjoei deste planeta, este planeta já enjoou de mim, não vou me adaptar e não tenho nada produtivo para fazer por aqui.
E para completar toda a desgraça ainda sou inteligente demais para essa população terráquea e isso faz meu cérebro fundir ao perceber que não dá para sair desse lugar horrível. Minha vontade é me trancar em um quarto sozinha e passar o resto da vida escrevendo, lendo, desenhando, ouvindo música e cantando, feito louca. (...).
Meu Deus, o que é que eu vou fazer neste lugar? Estou ficando cada vez mais louca, meu cérebro dá voltas incríveis em torno de si mesmo e cada vez eu fico mais e mais confusa e tonta. Não tenho mais vontade de fazer nada, muito menos de viver uma vida comum. Por mim passaria o resto de meus dias dormindo, a vida é bem mais tranqüila assim. Se ao menos eu pudesse ser compreendida... o mundo poderia acabar agora, não poderia? Não quero amanhã, não quero o ano que vem, não quero nada. Estou desequilibrada e isso não é bom. Veremos o que fazer da vida. Veremos." (17-12-1998)
Reconhecem essa pessoa? Eu, felizmente, não reconheço mais. Como se eu tivesse tirado aqueles óculos sujos e embaçados que eu usava e colocado uma lente clara e limpa, através da qual pudesse ver as cores e os detalhes que antes me passavam despercebidos. Eu compreendo aquela menina, mas não tenho pena dela. Ela tinha pena de si mesma, ainda que não admitisse, e queria que os outros também se compadecessem de seu estado lastimável.
Estava perdendo tempo e nem sabia, não conseguia e não queria enxergar as coisas de outra forma. A vida é bonita, difícil sim, mas bonita, o coração batendo dentro da gente é a coisa mais maravilhosa que existe, saber que existe alguém lá em cima que se importa, saber que a gente pode mudar o rumo das coisas, se quiser. Não levar a vida a sério demais, nem se levar a sério também. A vida passa, tudo passa, o tempo é curto. Por isso mesmo, viver tem pressa.
PS: A propósito, sobre o início do texto, acabo de ler: "Enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada" (Provérbios 31. 30). Esse temor não é medo, é respeito, reverência. Só para constar. :)
posted by Sunflower
3:23 AM
Novidade
Respondi comentários, exceto os do post anterior, que ficam para amanhã. Na verdade até tinha respondido, mas se perderam e não poderei responder hoje. Devo dormir "cedo", já que amanhã é o último dia útil antes do casamento e tenho trilhões de coisas acumuladas a fazer. Argh! Isso, apenas isso, me estressa. Imaginar-me casada é a melhor coisa do mundo, o que me deixa histérica é não ter conseguido cumprir todos os compromissos aos quais me propus.
Alguém deve estar perguntando: "Mas se já respondeu os comentários, onde estão essas respostas, afinal?" Bem, eu tive uma graaaande idéia! :) Não sei se é boa ou se é ruim, mas sei que é grande e deu trabalho...risos...
Como minhas respostas andam cada vez maiores e acabam competindo espaço com os posts, resolvi criar um blog só para elas e agora toda vez que responder comments, posto lá e aviso aqui, com o devido link. Só neste post já há três.
Então, divirtam-se. I'm answering comments here. Quatro :)
E a contagem regressiva: faltam três dias (porque passou da meia-noite, já é sexta) para que eu me torne Sra Lampert. Ei, falando nisso, tenho e-mails a responder, não esqueci não, vejo se até sábado consigo enviar todos.
A propósito, encontrei, neste site (aliás, o texto do site é bem interessante), a seguinte foto da Rua dos Andradas, no centro de Porto Alegre, que, ainda mais do que as outras, serviu de inspiração para que eu escrevesse este texto do dia quinze. Me parece meio antiga, mas ainda válida:
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posted by Sunflower
1:49 AM
Quinta-feira, Junho 17, 2004
A Bota
Como postar sem ter respondido todos os comentários? Como dizer isso sem correr o risco de acabar sem nenhum comentário neste novo post? A vida é cheia de riscos. Comentem à vontade, amanhã os comments estarão respondidos.
Há quatro invernos, ou mais, procuro uma bota. Mas não uma bota qualquer, procuro "A" bota. O padrão de beleza feminino deste início de século exige mulheres magérrimas, preferencialmente compridas e mal acabadas, embora seja sempre útil tascar um silicone para que não se pareça uma tábua ou um esqueleto ambulante. Só que todo mundo se esquece de que (além de ser feio para caramba) mulher muito magra costuma ter perna muito fina.
Bem, alguém pode dizer que eu já passei da minha fase de muito magra, embora ainda me enxergue um palito. Engordei, estou com 58Kg, 1,72m (ainda que difamadores digam que esses dois centímetros a mais sejam ilusórios), mas continuo magra, com pernas finas. Pernas finas.
As modelos desfilam, "lindas", esquálidas, anoréxicas, flutuando desengonçadamente pela passarela, botas de salto dez e cano alto, ajustadíssimas na panturrilha....onde elas encontram essas coisas??? No mercado calçadista, elas simplesmente não existem...ou quase não existem. Procurei, procurei, procurei e nada! O máximo que encontrei foram botas em cujos canos caberiam uma perna minha e, no mínimo, mais um braço.
Não queria esconder minha panturrilha dentro de um cano imenso que- pior- já viesse com o formato de uma panturrilha!!!! Vi algumas meninas com esse tipo de bota por aí e me lembrei das galochas de borracha que usávamos para ir à fazenda em dia de chuva. Ficavam ótimas em minha irmã (que tem pernas grossas), mas em mim pareciam sapatos do bozo. Pior foi o vendedor me convencendo a comprar um exemplar dessas botas que já vêm com as pernas...de outra pessoa:
- Mas nem fica assim tão grande.
- Fica sim, enorme.
- Mas esse tipo de bota não fica justa na perna de ninguém.
- Te garanto que ficariam até apertadas nas pernas da minha irmã...aliás, das duas. Só eu tenho pernas finas em casa.
- Mas eu ainda acho que fica ótimo.
- Eu achei horrível.
- Eu não sei se está na moda, mas vi muitas gurias usando esse tipo de bota por cima da calça. Hoje mesmo vi umas três. Deve estar na moda. Assim, mais larga, dá para usar por cima da calça e fica legal.
- Eu acho horrível. Mesmo porque eu quero comprar para usar com saia.
- Mas com saia também fica legal.
Se tem coisa que eu odeio mais do que bota enorme na panturrilha é vendedor subestimando a minha inteligência (vide Contatos Imediatos, mas vide depois, agora termine de ler este post). Tudo bem que ele quer que eu compre, mas mentir e me julgar idiota já é golpe baixo. Eu lá ia pagar cento e cinquenta Reais em uma bota que não ficou e-xa-ta-men-te do jeito que eu queria? Se não existe essa bota eu não compro bota nenhuma, ué!
Outro problema: todas as botas com o cano mais ou menos legal tinham salto agulha. Eu detesto salto agulha. Simplesmente não sei andar com salto agulha. E, vocês devem saber, alguém que não sabe andar de salto agulha andando de salto agulha fica, no mínimo, ridículo. E quando o cano era bom e o salto até mais largo, o bico era fino demais. Também não sei andar de sapato de bico fino. Meu pé é largo, livre, gosta de espaço, adora sandália. Prender meus dedos em um sapato de bico fino é quase um crime! E nada saudável.
Rodei, rodei, rodei até desistir. E olhe, para que eu desista de algo que quero muito a procura tem de ser muuuuito chata, cansativa e improdutiva a ponto de me exaurir e me fazer tomar aversão pela coisa. O que aconteceu pouquíssimas vezes durante minha vida adulta. Dave, no entanto, continuava a me dizer que eu encontraria a tal bota o que, àquela altura, já me soava como uma praga já que, para encontrar, teria que continuar procurando.
Caminhando pelo centro da cidade tropecei em uma loja que tinha uns sapatos diferentes das outras que eu já tinha visto. Os sapatos, tanto aqui quanto em Campo Grande, me parecem todos padronizados. Uma vez, ano passado, tive a impressão de ter visto uma bota como a que eu queria em Campo Grande a oitenta e cinco Reais. Não tinha dinheiro e, na semana seguinte, já monetarizada, voltei à loja e não tinha mais a bota. Quem me conhece sabe o quanto é difícil me ver gastar oitenta Reais em um sapato ou em uma roupa. Dói no fundo da minha alma. Fico sem, mas não compro. No caso da bota, porém, era diferente, comprá-la, depois de anos de procura, se tornara uma questão de honra.
Entrei na loja e olhei umas botas. Me chamou a atenção uma strech, parecendo couro, o cano parecia estreito, o salto era fino, mas não agulha, o bico era fino, mas nem tanto, ligeiramente arredondado e bonito. Perguntei o preço. Oitenta e nove Reais. "Noventa", meu cérebro, esperto, processou. Barato, para uma bota de cano longo. Pedi para experimentar a 38 e, alguns séculos depois, a vendedora chegou com o calçado. Experimentei, andei um pouco...não ficou justinha, mas ao menos não fiquei nadando dentro dela. Pensei em levar, mas achei melhor deixar reservada para o dia seguinte, amadurecer um pouco mais a idéia.
Caminhando, pensando na bota, deparei-me com outra loja de sapatos e, por curiosidade, entrei para dar uma olhada. Encontrei a mesma bota, da mesma marca (Vizzano), por sessenta e nove Reais (Setenta - disse meu cérebro, mais que depressa). A vendedora me disse que, por ser strech, eu poderia levá-la a um sapateiro para ajustar o cano, mas acho que nem vai precisar. Comprei, claro, e fiquei em paz com a minha consciência.
Já usei a bota hoje, para testar, por baixo da calça. Imagina, você passa a vida toda com complexo por ter pernas finas e, quando se livra dele, tem que escondê-las em botas enormes???
Tirei algumas fotos e, ao vê-las, me dei conta de que a tal bota se parece muito com uma bota feita de borracha que minha barbie usava quando eu era criança. Preta, cano longo, até pouco abaixo do joelho, ajustada na perna, salto firme, bico nem tão fino, um pouco arredondado. Será que essa imagem ficou impressa em meu subconsciente e, inconscientemente eu rodei invernos e mais invernos atrás dessa bota idealizada na infância? Será que, no fundo, eu queria ser a Barbie?
Quem sabe meu inconsciente acabe me fazendo trocar este template por um rosa, com glitter, gifs coloridos e dolls loiras com botas imensas, daquelas com solado do tipo tijolão (o que Dave chama de "bota do Kiss") e enormes olhos azuis. Até, quem sabe, estrelinhas perseguidoras de mouse (quantos dois leitores me restariam se acontecesse isso com o blog?...risos...) e eu, lentamente, transformo-me em uma Barbie, em uma metamorfose semelhante à de Jeff Goldblum em "A Mosca".
Bem, ao menos a imagem que me restou de minha infância relacionada à Barbie foi a da bota de cano longo. Imaginem só se meu subconsciente fosse menos ligado em acessórios e encasquetasse que eu deveria ter peitos gigantescos??? Ou cintura de vespa estrangulada? Certamente isso me custaria muito mais. E daria muito mais trabalho.
PS: Como disse, amanhã começo a postar as respostas dos comments. Sim, vai ficar enorme. Sim, vou colocar mais textos no final de semana. Sim, vocês terão coisas para ler aqui durante a semana inteira e caso eu tropece em um cyber café na lua-de-mel, mando um "Oi". É, o cúmulo do vício...risos....
PS2: Disse a uma pessoa hoje que não acreditava em suas boas intenções, mas não deu tempo de explicar o porquê. Mentiu demais (e sabe disso), não consigo adquirir confiança no meio de mentiras. Ainda que ela insista, não consigo acreditar mesmo, deve entender, desculpe. Mas a conversa foi interessante. Eu e meus eternos dilemas de consciência...
posted by Sunflower
5:53 AM
Terça-feira, Junho 15, 2004
O Centro da Grande Cidade
Não posso negar que o centro de Porto Alegre me assusta um pouco. À primeira vista a impressão que se tem é de que as ruas são fechadas para o trânsito exclusivo de pedestres, mas não são. Os carros transitam com dificuldade (os poucos que se aventuram, mais especificamente os que são obrigados, como táxis e lotações) entre as centenas de pedestres que se aglomeram nas ruas.
Sim, nas ruas, sobre o asfalto. Aliás, isso não é exclusividade do centro, acontece em toda a cidade, só que no centro esse fenômeno ocorre em escala estratosférica. Os pedestres no asfalto, os ambulantes nas calçadas. A coisa mais bizarra do centro, a propósito, são os ambulantes e os panfleteiros.
Vamos por partes. Os ambulantes. Vai ser meio difícil passar, por escrito, a entonação robótica das frases decoradas para que vocês sintam a estranheza que eu sinto. Para começar, todo mundo grita, aqui ninguém vende nada em silêncio. Não sei se aí onde você mora é assim, lá, onde eu morava, não era. Logo que cheguei quando vim a passeio, em Outubro, simplesmente não entendia o que significava o tal do vlvlvlvlvlevlevlevlevlêêê que eles tanto anunciavam. Não é uma entonação animada, a pessoa que fala isso está estática, apática, apenas seus lábios se movem, quase em transe, às vezes agita um saquinho com fichinhas plásticas que fica sobre sua mão, em geral, direita.
É tudo de forma robótica, quase sempre linear, quase mântrico. Demorei dias para entender, olhando o conteúdo do saquinho, que eles diziam "Vale, vale, vale, valêê", vendendo e comprando vale-transporte. Dizem isso bem rápido, comendo as vogais, com exceção do último "ê". Ignoram o princípio da venda, o de criar no consumidor a necessidade de obter o produto. Compra o vlê só quem já queria o vlê antes de chegar ao vendedor. O resto passa.
Outras: "Gizquematabaratatraçaeformigasóumreaal", isso tudo assim, sem espaço e sem vírgula. Se o tal gizmatassecupim, juro que teria comprado. Aí vem o que acho a pior abordagem de todas, cheguei a levar sustos horríveis com as mulheres que...ai, não dá para explicar direitinho aqui, sem o audiovisual, mas vou tentar.
Elas batem o panfleto no ar, na sua frente (o papel chega a fazer "schlept") e depois o deslizam na horizontal, como se lhe dessem passagem, em um gesto quase lírico. No momento em que estalam o papel no ar, dizem um FÁÁÁÁÁ e quando o deslizam, continuam: "bricadecalcinha" e enquanto você passa, ainda não refeito do susto, escuta o FÁÁÁÁÁÁÁbricadecalcinha.... FÁÁÁÁÁÁbricadecalcinha..... FÁÁÁÁÁbricadecalcinha.... devidamente acompanhado do "schlept" a cada "FÁÁÁ". Assustador.
Há outros que, com o mesmo tom robotizado perguntam "Queeeem nasceuemquarentaecinco? Queeeeeem nasceuemquarentaecinco?", também tem aqueles que estão sempre vendendo o último bilhete da megasena. Ou eu é que sou sortuda e sempre passo na hora do último bilhete ou as criaturas têm uns quinhentos últimos bilhetes para vender.
E os outros ambulantes, camelôs "normais" que perguntam: "E aí, amiga? Vai querer um tênis, amiga?" "Cd de música, amiga?" "Vamos dar uma chegadinha, amiga?" Nunca tive tantos amigos na vida, embora desconfie que eles só estejam interessados em meu dinheiro. Mas nem só de bizarrices vive o cento Porto-alegrense.
Há também atores que vestem-se e pintam-se de estátuas, passam horas imóveis até que alguém lhes dê uma moeda, então a estátua se move e entrega uma mensagem em papel para o transeunte contribuinte. O grupo que toca música peruana (ou seria boliviana? ou chilena?) em frente às lojas americanas, o senhor cego tocando acordeão perto da livraria na qual gosto de passar as tardes, o outro, tocador de violão que faz um som engraçado com folhas (de árvore) que tira de um saco de estopa que carrega consigo. Ou o grupo de jovens que eu poderia jurar que tocariam rock, tocando música country americana no meio da praça.
Quadros tristes, um senhor inválido que se arrasta pelo chão para conseguir esmolas (acredito que se alguém lhe oferecesse uma cadeira de rodas ele não aceitaria) e, coisa que eu nunca vi em Campo grande, índias mendigando, sentadas no chão, sujas e esfarrapadas, com seus indiozinhos no colo. Lá os índios plantam, colhem, fazem artesanato e vivem da renda de seu trabalho.
Não há lugar o suficiente para estacionar, por isso existem dezenas de estacionamentos e centenas de flanelinhas, de todas as idades, surgidos de todos os lugares. Ah, esqueci de falar dos panfleteiros engravatados que anunciam que a financeira para a qual trabalham (não importa qual seja) trabalha com "crédito rápido, sem cheque e sem burocracia". Quem acredita pega o papel. Em algumas vezes eles carregam enormes bandeiras com o nome da empresa e você tem que desviar-se delas.
Sem esquecer aqueles seres plantados entre a rua e a calçada, anunciando: "Cortedecabelocompro ôro! Cóórtedecabelocomproôro!" Não sei exatamente qual é a relação entre cortar o cabelo e comprar ouro, tenho até medo de perguntar. Porto Alegre é uma cidade interessante, agradável de morar (sim, gosto daqui, mas ainda estranho), embora ainda me diga "Bu" quando saio à rua.
Embora não seja tão maximizada como São Paulo, há em Porto Alegre uma sensação de que algo não encaixa. Seja nas ruas labirínticas, estreitas e cheias de carros, seja nos prédios antigos e gastos do centro da cidade, que fazem com que as pessoas, todas bem arrumadinhas, pareçam não pertencer ao cenário.
Ou quem sabe a inadequação esteja no contraste de imagens, de um lado uma favela suja e feia, ou o centro cinza e caótico, do outro um parque limpo e bem cuidado, um pequeno lago, uma grande área verde, um bairro com árvores exuberantes, construções delicadas e clima ameno. Poderia ser uma versão maximizada das charmosas cidades do interior, mas perdeu-se ao crescer. Porto Alegre é uma terra de contrastes.
Carroças puxadas por cavalos machucados, doentes e desnutridos carregam homens pobres, moradores das favelas que eles chamam de vilas, e uma pilha de caixas de papelão, catadas na rua, nos lixos, dividem espaço com belos carros, importados e nacionais, novos, bonitos, a moça maquiada dirigindo, reclamando da lentidão da carroça à sua frente. Cocô de cavalo no meio da rua, de cachorro sobre a calçada, cestos de lixo, de coleta seletiva, coloridos, um ao lado do outro. Lixo orgânico e lixo seco. Algumas vezes a divisão é mais específica: papel, vidro, plástico e alimentos. Facilita a reciclagem.
Uma mulher de botas pretas, salto agulha e bico fino. Cabelos longos, lisos e pretos, óculos escuros, sobretudo preto, calça preta, blusa cinza. fala ao celular, irritada. O batom escuro realça os lábios finos. Em pé, integra-se ao ambiente, fazendo parte do cenário. Sentada, no canto, uma menina observa. Os cabelos cacheados, descoloridos e presos, os lábios pálidos, grandes olhos delineados de preto. Calça branca, blusa vermelha, casaco azul e sandália com meia. Porto Alegre, definitivamente, é uma terra de contrastes.
posted by Sunflower
1:16 AM
Domingo, Junho 13, 2004
Meio Atrasada
Todas as palavras em negrito neste texto são links, caso alguém se interesse em seguí-los.
Este é o post do dia dos namorados...risos....relembrando, é claro, eu sou um Baú de recordações ambulante, pior do que qualquer velhinha, sempre recordando do passado, ainda que ele seja recente, sempre comparando com o presente e aprendendo com ele que nesta vida nada é definitivo (exceto meu casamento, ok? :) ) .
Há um ano, exatamente, escrevi o texto abaixo. Resolvi postá-lo novamente para que as pessoas que passaram este dia doze sozinhas possam ter um pouco de esperança e ver o que pode acontecer com elas, caso a vida resolva dar uma cambalhota, como fez comigo. É preocupante...risos..
Tudo partiu de um comentário do Alec, em relação ao post que escrevi no dia 13 de Junho e ao qual respondi no dia quinze, depois dei uma lapidada na resposta e a transformei no texto que transcrevo aqui:
14-06-2003
(Sobre o dia dos namorados)
Vanessa Stella
O Namoro
Eu vi um casalzinho, iniciando o namoro no dia 13. Não era dia dos namorados, mas aquilo me comoveu muito mais do que qualquer cena obrigatória do dia 12. Eram adolescentes, estava na cara que eram apaixonados, estavam meio sem graça, ela, nervosa, colocava o cabelo atrás da orelha de cinco em cinco minutos e ele olhava para o rosto dela como se estivesse vendo a coisa mais linda do mundo. Ele era muito bonito, mas nem sei se já tinha 17 anos, ela, provavelmente da mesma idade, era sem graça, até meio feinha de rosto, um pouco gorduchinha, cabelos esticados à base de escova, mas com uma expressão tão doce que não tinha como pensar mal da moça. Ficava até bonitinha no meio da cena, mas só a paixão cega e avassaladora explicaria o olhar daquele menino, como se não houvesse mais ninguém no shopping além deles dois.
A conversa parecia estar ótima, mas era conversa dos olhos, dos corpos, da alma, porque nenhum dos dois parecia estar prestando atenção nas palavras que o outro dizia. Tudo era pretexto para encontrar o momento certo de tomar coragem e.... finalmente. Um beijo. Em um piscar de olhos meus, eu nem vi o momento certo, só vi que ele interrompeu uma frase dela, para passar daquela conversa falsa e sem sentido para a realidade. Era o que queriam fazer. Que beijo lindo! Nunca vi um beijo tão lindo, tão puro, tão cheio de amor, de esperanças, de ilusões. Acabado aquele momento mágico ela sorriu, olhando para o chão. Ele segurou a mão dela e sorriu, sem disfarçar aquele olhar maravilhoso. Ela finalmente percebeu e retribuiu o olhar, sem esconder o quanto esperou por aquele momento. E ficaram assim, alguns segundos, que me pareceram intermináveis, até que começaram a conversa real.
E não, eles não estavam "ficando", não estavam atraídos fisicamente, simplesmente. Estavam apaixonados, de verdade. Tão inconfundivelmente apaixonados que no meio de tantos casais, de tantos beijos e de tantas histórias, esta comoveu sinceramente o coração nada simpático da criatura congelada que vos fala. Não costumo me comover facilmente com essas coisas, nem me emocionar, o que seja. E como não podia deixar de ser, fiquei lembrando de mim naquela idade e me dei conta, pela ducentésima vez, que não passei por aquilo. Nunca tive alguém que me olhasse daquele jeito, nunca tive um momento assim. E essas coisas passam, não adianta me dizer "você ainda vai encontrar alguém que goste de você assim", não vou. A não ser que me apaixone por um guri de 15 anos, nem assim. Eu não sou mais daquele jeito, essa fase tem uma certa inocência, ainda nos dias de hoje, a ilusão, a paixão sem futuro...a certeza de que tudo vai dar certo... eu poderia ter tido isso, mas acabei deixando passar para viver uma ilusão unilateral. Mas é bom. Bom para eles, que podem viver isso desta forma, desta maneira linda, com aquele olhar perfeito. Ainda que não dure muito, eles viveram. E nem era dia 12. :)
Duro constatar a bela verdade, eu estava errada. Em tudo, praticamente. Primeiro que encontrei sim alguém que gosta de mim de uma forma sincera, pura, límpida, cristalina, profunda, completa....e ele tem duas vezes a idade que mencionei, ainda que não pareça...risos....ainda que aparente ter dez anos a menos, o rapaz em questão tem trinta anos pouco vividos. E nossos beijos, devo dizer, são ainda mais lindos do que aquele que vi no shopping. E não há ilusões, apenas amor, esperança, segurança e certeza de um futuro feliz. Um amor amadurecido sim, mas doce e suave como o daqueles adolescentes....muito superior ao deles em questão da nossa idade e amadurecimento emocional (ahá, quem me vê falando isso deve rir....emocionalmente amadurecida? Bem, muito mais do que uma menina de dezessete anos, isso sou).
Preconceituosa, que achava que os homens, ao passarem dos quinze anos, perdiam a capacidade de amar e adquiriam a de aturar a mulher ao seu lado apenas por interesse sexual. Quer coisa mais horrivelmente desiludida que isso? Desculpem-me homens que prestam, eu os jogava no mesmo saco em que apodreciam os canalhas babacas. Felizmente até para as desiludidas preconceituosas existe uma segunda chance quando são sinceras em sua profunda ignorância. Pedi a Deus, ele me deu, mesmo sem eu merecer, ganhei e não reclamo...risos....e não devolvo!!!
Esses dias que antecedem o casamento têm sido maravilhosos e horríveis ao mesmo tempo. Maravilhosos porque todo esse sentimento está ainda mais intenso e nosso relacionamento nunca esteve tão bom. Horríveis porque tenho que comprar roupas chiques de frio (coisa praticamente impossível para alguém que gosta de sair na rua vestida de astronauta a essas temperaturas polares), tingir o cabelo, fazer escova, depilação, falar com o pastor, comprar bota, tentar recuperar minha câmera na assistência, comprar, comprar, comprar, arrumar, arrumar, arrumar...ah, também tenho que arrumar a casa, colocar o lixo na rua, lavar a louça (nesse friiiiiiiio), passar aspirador (não na louça, calma que ainda não estou assim tão maluca)....isso tudo a partir de segunda...e faltarão apenas sete dias!! Uma mísera semana para fazer quinhentas mil coisas!!! Mas o resto compensa.
E confirmar a reserva dos hotéis. É, estou anotando tudo aqui, para não esquecer. Já anotei na agenda, mas no blog fica mais fácil consultar :) Ainda tem o componente psicológico, todo mundo sabe. Para o pessoal que namora como todo mundo namora, o casamento dá um ligeiro frio na barriga e nada mais. Mas para mim, terá uma novidade a mais e, obviamente, estou curiosa :)
Claro, não posso esquecer de postar os duzentos e cinquenta mil posts que prometi...risos....engraçado, eu interessada nos hotéis com acesso à internet...depois me dei conta de que será minha noite de núpcias, minha lua-de-mel, caramba! Deixa o vício para depois!!! Ou quem sabe, escreva os textos naquele bloquinho pequeno, escondida, dentro do banheiro, como todo bom viciado deve fazer. Depois é só digitar e postar enquanto Mr. Lampert, "O Marido" estiver trabalhando.
Outra coisa, as madrugadas não serão mais minhas, droga. Devo postar durante o dia. Já estou com crise de abstinência, antes mesmo de mudar os hábitos. Mas ao lado dele valerá a pena dormir, afinal de contas, não existe nada melhor do que dormir abraçadinho... (alguém me dirá que existe sim...bem, respondo depois do dia 21)
O dia dos namorados foi maravilhoso (argh, que guria cansativa, tudo é maravilhoso nessa vida, Vanessa? Tudo é maravilhoso nessa vida de Vanessa?), como todos os dias que passamos juntos. Foi o primeiro dia dos namorados que passei acompanhada, e nenhum outro teria valido tanto. Passeamos, ontem fomos ao cinema....todos os dias são especiais, mas este final de semana foi ainda mais. E sim, estou feliz, mais do que nunca, que bom, finalmente. Um dia, a título de curiosidade, posto a vocês um texto da minha fase obscura, para que vejam o quanto valorizo este sentimento, este momento, tudo o que me faz assim tão feliz. E valorizar é cuidar, não deixar diminuir a intensidade, cuidar, estar sempre atenta. E para isso não tem dia.
posted by Sunflower
4:39 AM
Comentários
"Nossa, parabéns por se casar. Felicidades mesmo. Blog legalzão o seu, hein! Pra quem dizia que nunca ia amar ninguém, ehehehee... vc é bem apaixonada, né?! Mas é importante isso mesmo, tem que lutar pela felicidade!!!! Beijocas!!!
Zekol
Zekol, seja bem-vindo ao Another Monster :) Sabe, existem algumas coisas que a gente fala na vida e que engole depois, lentamente...risos...minha vida tem muitas dessas coisas, uma delas é dizer que nunca iria amar ninguém, que nunca encontraria alguém do jeito que eu queria, etc, etc, etc.... mas a vida dá voltas muito rápidas e nos deixa tontos. A gente não sabe de nada, nada mesmo. Coisas mudam com uma rapidez extraordinária, então dizer "eu nunca" é uma grande bobagem, a menos que seja algo que vá totalmente contra seus princípios e seu caráter, o que, obviamente, não era o caso. E você está certo, lutar pela felicidade, é o que faz a diferença. Beijos!! Obrigada :)
"Vanessa leio seu blog há algum tempo mais nunca comentei... tenho uma historia parecida com a sua... sou paranaense e me mudei há 3 anos para Campo Grande, Sozinha... aqui conheci meu amore e em pouco tempo nos casamos, hoje lendo alguns posts passados, como qdo estava arrumando as suas coisas para ir pra Porto Alegre, me identifiquei muito com Ti... é muito engraçado, os mesmos medos, as mesmas duvidas, as incertezas e acima de tudo a vontade de realizar algo novo, independente e mostrar do que se é capaz... fico feliz pela sua historia, e por ter encontrado um amor verdadeiro e saiba que estou aqui torcendo por você...parabens pelo casório, muitas felicidades e Sucesso!"
Giovana
Giovana, eu gostaria de ler sua história, se puder me mandar um e-mail para heiterl@bol.com.br ou hkanswitch@hotmail.com... acho importante isso, de conhecer histórias semelhantes, ver que não se está sozinha no mundo com aqueles medos, aqueles sentimentos...e principalmente, ver que eles passam...e o que vem depois. Fico feliz em saber que temos essa torcida e pode ter certeza de que, mesmo não te conhecendo e não sabendo de sua história, torço por você também agora :) Sério mesmo. Obrigada pelo carinho, volte sempre (e comente para que eu saiba que você está acompanhando). Beijos!!
"Hehehe, sim, sim, eu sou acho que... a sua mais antiga leitora (e vc idem para meu blog). Somos amigas há quanto tempo mesmo? Passou depressa. Como eu já li tudo tim tim por tim tim, não cliquei nos links, massssssss preciso desejar sorte de novo e parabéns de novo? Parabééénnnnssss!!!! Vc vai continuar sendo muito feliz. Beijos!!!!"
Blanda
Ih, Blanda, você é louca, lia a porcaria do Vansblog...risos.... acho que você e o Alec eram os dois únicos indivíduos malucos a ter coragem de ler aquela coisa...risos....mas ele foi útil, foi útil...risos....e desejos de coisas boas são sempre bem-vindos, ainda que repetidos...risos... e somos amigas há uns dois anos. Sim, dois anos....que coisa, não? Beijos e obrigada (por tudo)!!!
"Nossa, jááááááááá?!?!?!?!?!? Bom, parabéns, né? E boa sorte no novo Estado de coisas... :)
Ah, e antes que me esqueça: a felicidade transbordante faz bem a você. "
Hipácia
:) Obrigada, Hipácia! E, veja só, a felicidade transbordante também te faria bem, então lá vai a praga do dia: você ainda vai ser muuuuuuito feliz, menina, muito mais do que eu :) (Se é que isso é possível neste momento...risos...)
"Primeiro de tudo Van, Parabens, me desculpe mas tenho que dizer uma coisa!
Eu vou parar de escrever na net por causa de alguns comentarios...E não tenho mais paciencia com gente que não tem sensibilidade ou no minimo curiosidade de ler um texto, por isso que o nosso país está uma merda, tem nego que tem preguiça de ler!
Fora isso eu estou muito feliz, acho que eu que sou critico demais, Van, seja muito feliz, eu não disse mas também me casei a pouco tempo...estou muito feliz!"
Má
Má, mais crítico do que eu, sinceramente, é impossível que você seja. E se eu me importasse com críticas já estaria enterrada na areia há séculos, ninguém é unanimidade e tem muita gente ignorante neste mundo. Eu, sinceramente, tenho uma dificuldade absurda de gostar das coisas que escrevo. Raramente tem um texto que eu acho bom, mas sei quando a crítica é bem fundamentada e quando parte de gente que nada entende e tem outros motivos para criticar. Até hoje, veja só, encontrei poucas opiniões muito bem fundamentadas criticando meus textos. E a maioria das críticas era em relação ao conteúdo.
Ora, crítica em relação ao conteúdo é tranquilamente tolerável para mim, já que o mundo é muito heterogêneo, opiniões divergentes, idéias antagônicas e todas essas palavrinhas complicadas. E se houver, por outro lado, alguma deficiência na construção do texto, a ser apontada de forma bem clara e fundamentada, sem problemas, aprendo o jeito certo e conserto. Agora criticar por criticar muita gente faz e essas pessoas merecem apenas ser solenemente ignoradas. Sobre o casamento, menino, você também se casou? Me conta, me conta, como foi? Obrigada e fico feliz em vê-lo feliz :)
"Êba!!!!! "Love´s in the air, lá-lá-lá..." (Não lembro da música toda, rssss....). Eu só posso dizer que sei que vocês estão fazendo a coisa mais certa no momento! E olha que eu fui mais abusada, depois de 6 meses que conhecia o Alê e de estarmos namorando há 3 meses, juntamos os trapinhos, com a desculpa de que estávamos gastando dinheiro à toa pagando 2 aluguéis (ô desculpinha forçada, rss....). Enfim, ainda não nos casamos nem no civil, nem no religioso, mas não descarto que isso ainda aconteça, mesmo não sendo mais tão importante assim. Só penso que seria muito bom poder usar o sobrenome dele, rsss... É só o que falta, hehehehe!
feliz Lua-de-mel congelada (Congelada? Sei... O gelo vai passar longe, pelo jeito, rsss...) =X
Bia
Hahahahahahaha..... Bia, essa sua desculpa foi pior do que a nossa....risos.... mas sabe, é legal esse negócio de casar no civil. Muita gente acha bobagem, que é a mesma coisa quando se ama e tal, mas se é a mesma coisa então por que não oficializar? A coisa mais legal, também acho, é esse negócio de usar o mesmo sobrenome, provando que vocês são agora uma nova família, etc... Quando fui levar os papéis ao cartório tinha um rapaz que estava levando as assinaturas dos padrinhos, ele disse que está casado há oito anos e que agora a esposa dele tinha falado da vontade de oficializar a união. Veja só, oito anos e um filho depois eles estavam se casando no civil. Achei bonito isso. É, eu sei que sou boba, mas achei bonito...risos... e no religioso é bom pelos motivos listados no outro post. Além da bênção de Deus, que eu sei que teremos mesmo adiando a cerimônia, um dia em que todo mundo olhe exclusivamente para a sua cara deve ser ótimo...risos....veremos. E...bem....er...acho que frio não passaremos...risos...a não ser do lado de fora do hotel....risos... Beijos!!!
"Vanessa, Vanessa, que máximo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Eu queria muito poder te dar os parabéns pessoalmente... Que legal!!!!!
Parabéns, para vocês dois, de verdade. Sejam felizes, muito felizes.
Beijos!"
Margarita
Larissa, obrigada!!!!! :) Gostei da reação feliz! :) Também estou feliz, feliz!!! Na verdade era tudo o que a gente queria, há tempos, então estamos eufóricos, mal podemos esperar que esses oito dias passem!!! E, espere, logo, logo você poderá me dar os parabéns pessoalmente ;) Beijos!!!!
"OH!Que legal!!
Parabéns!Parabéns!"
Gerusa
Gerusa, sumida!! Que saudade de você, menina! Obrigada, obrigada!! ...risos... apareça, viu?
"Nossa, eu nem te conheço e numa primeira visita ao seu blog me deparo com uma boa notícia dessas! Hehehehe!
OK, eu não me lembro de quando seu blog era muito, muito chato há um ano atrás. Muito menos de nenhum desses dias em negrito que você mencionou aí.
Mas gostei do blog, você escreve muito bem. Depois com mais calma vou ler alguns dos textos mais antigos.
Boa sorte com o casamento, tomara que tudo dê certo mesmo!
Beijos
Bahia
Bahia, antes de mais nada, tudo que está em negrito, na verdade, é link. Aliás, sempre que houver algo em negrito neste blog, não custa nada passar o cursor do mouse por cima, para ver se vira mãozinha e dá para clicar. De resto, obrigada, e vai dar tudo certo sim, espero que você volte mesmo e acompanhe essa montanha-russa na qual sentei há dez meses. :) Mais uma vez obrigada e seja bem-vindo a bordo! :) Beijos!
"Mas que notícia é essa, hein, Vanessa Stella Lampert??? Ual!!!
Bem, eu não conhecia seu blog na época que vc não tinha namorado e falava que nunca ia amaar ninguém, então nem tenho o que comentar sobre isso... qnd entrei no seu blog pela primeira vez (qnd vc estava no BON, falando que não gostava de estar lá), vc já estava com o Dave.
Tb não concordo com quem diz que a vida precisa estar estabilizada pra casar, pois quem, hoje em dia, fica com a vida totalmente estabilizada? Acho que ninguém, né!? Mas, tb acho, que não se pode unir com alguém estando com um grande problema financeiro...
Bom que vc vai deixar alguns textos pra gente ler. Adoro ler seu blog. Sentiria falta se não pudesse mais lê-lo. Mas, enfim... parabéns pelo casamento e boa sorte com os preparativos.
Beijos, Sra Lampert.
Túlio
Túlio, você é da época do BON, né? Acho que é o único leitor que me sobrou de lá...risos...ao menos algo de bom aquilo me trouxe. Bem, você tem r |