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Vanessa/Female/21-25. Lives in Brazil/Rio Grande do Sul/Porto Alegre/Higienopolis, speaks Portuguese and English. Spends 20% of daytime online. Uses a Slower (28.8k-) connection. And likes Escrever/Ler.
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[AD-SIZE][AD-SIZE] Heiter Lampert não usa esse pseudônimo para se esconder de alguém,nem tampouco procura manter-se no anonimato,escolheu lançar mão desse expediente porque cansou de ver as pessoas usando seu nome em vão. 24 anos,trancou o curso de jornalismo,mas não deixou de escrever nem por um minuto. Doadora de sangue,não bebe,não fuma e não usa nada que possa estragar o precioso líquido vermelho que corre em suas veias. E-mail de Heiter Lampert.

Sábado, Julho 31, 2004


Socorro

Estive afastada nos últimos dias por conta de um curso de primeiros socorros que resolvi fazer. Antes que alguém me pergunte "por que você resolveu fazer um curso desses?" Respondo.

O curso é oferecido pela empresa na qual Dave trabalha, para os familiares dos funcionários. Quis me inscrever primeiro porque era uma oportunidade de ficar perto dele durante o dia, fomos e voltamos juntos, almoçamos juntos e pude passar um tempo com ele.

Depois, gosto da área de saúde. Não sou daquelas que não pode ver sangue e me interesso um monte pela área médica, coisas do gênero. Até pensei em ser médica em algum momento da minha vida. Só não fiz a faculdade porque queria ter uma vida. Só opta por essa carreira quem realmente tem vocação. Ou os malucos aproveitadores, que são muitos.

Aprender coisa nova é algo que eu adoro fazer. Se eles inventarem um curso sobre qualquer coisa para os familiares dos funcionários, eu estou dentro. Amo aprender, conhecer gente nova e ouvir suas experiências de vida, sou curiosíssima.

Mas acabo absorvendo muito mais informação do que sou capaz de processar. depois quero escrever sobre tudo e fico feito uma barata tonta, sem saber por onde começar. Acabo não fazendo nada e fico assim, um tanto quanto angustiada, por tanta coisa na cabeça e tão pouco tempo.

Enfim, resolvi escrever uma coisa de cada vez. Talvez dê certo.

O curso foi muito interessante, a idéia era passar primeiros socorros trabalhando com improvisação, sem aquela coisa certinha dos manuais, sem caixinha de primeiros socorros, sem nada. Rasgando a própria camisa para fazer ataduras, imobilizando a cervical com roupa, improvisando talas com material disponível na rua, enfim, algo realmente prático.

Ao final do curso, houve uma simulação. Ao todo foram seis vítimas, em grupos de três. Atendi uma do primeiro grupo, junto com outras pessoas. Era um acidente, a mulher tinha perdido a mão e teve parada cardíaca. Prestamos os socorros e a transportamos até a sala.

No segundo grupo, eu fui uma das vítimas. Minha personagem tinha apanhado do marido e tentou se matar, por atropelamento. Perdeu um braço, fraturou a perna e teve uma parada cardiorrespiratória no meio do salvamento.

Era para dar trabalho mesmo, ela achava que estava bem e tentava levantar. Bem, a idéia era essa, mas o pessoal me segurou e não deixou que eu me levantasse.

Os professores adoraram a interpretação, tinha uma outra menina que também era de teatro amador (esposa de outro funcionário) e fez uma moça enforcada. Idéia dela mesma. Deu trabalho para o pessoal do socorro, mas também foi muito bom. Fazia tempo que eu não representava, apesar de toda aquela tinta vermelha e fora o medo de cair da maca (aí quase chorei de verdade), foi legal. Foi bem didático. Não tem jeito, não se aprende apenas com teoria.

Como as imagens são falsas, mas são fortes, preferi deixá-los apenas com uma pequena foto, tirada antes da simulação começar e essa, detalhe de uma outra, onde estava o grupo inteiro, no encerramento do curso. A expressão foi feita a pedido da moça que estava tirando as fotos. :)


Espero, sinceramente, nunca precisar usar o que aprendi, mas a gente nunca sabe, não é mesmo? É bom estar preparado, já que o socorro imediato pode salvar uma vida. Claro que o socorrista é só para evitar que o indivíduo morra ou que suas lesões se agravem, o socorro mesmo deve ser feito por pessoal especializado. Mas enquanto a ambulância não chega, ao menos tentar manter a pessoa respirando ou estancar uma hemorragia todo mundo deveria saber fazer.

Nossa primeira reação é sempre a de querer ajudar, mas sem as informações corretas, podemos até agravar o estado da pessoa. E ninguém está livre de um acidente, não precisa ser uma tragédia em que se perca um braço, mas um acidente doméstico, por exemplo. Queimaduras, quedas, cortes, entorses, luxações, primeiros socorros prestados de forma correta podem fazer a diferença. Achei ótima a iniciativa da empresa. Pena não poder revelar o nome dela aqui...risos....

Estava conversando com a Blanda, comentando algumas coisas do curso, que nem todo mundo sabe, por exemplo, faca, espeto, pedaços de vidro, objetos estranhos não se pode tirar, faz uma atadura com um pano, qualquer coisa, ao redor do objeto para mantê-lo no lugar até o médico atender, porque ele não pode nem sair, nem entrar mais. Se tirar pode agravar a lesão e causar uma hemorragia que pode até causar a morte, dependendo do local, tem que ir com a faca, vidro, espeto, o que seja, para o hospital.

No caso de hemorragia nasal causada por impacto, por exemplo, o correto é colocar gelo sobre o nariz (devidamente protegido por um pano, lógico). Quando torcer o pé, outro exemplo, compressa quente realmente aliviaria a dor, mas agravaria o inchaço, o certo também é colocar gelo. Em hemorragia nasal causada por crise hipertensiva, coloque um pano para a pessoa não ficar toda ensaguentada, mas é melhor não tentar estancar. E corra para o hospital.

Aliás, primeiros socorros são primeiros socorros apenas, a pessoa vai precisar sempre de segundos socorros, terceiros socorros, vigésimos socorros, levar ao hospital é essencial. Só lá poderão dar início a qualquer tipo de tratamento. A obrigação de quem não é da área é apenas cuidar para que não haja agravamento da lesão e para que a pessoa mantenha-se viva. Isso, por si só, já é um motivo suficientemente bom para ter aceito fazer o curso.





Sexta-feira, Julho 30, 2004


Aborrecida

Tinha um texto para postar hoje, já enrolado desde a semana passada, mas vou enrolá-lo um pouco mais para, em edição extraordinária, falar sobre algo que me deixou muito chateada, para não dizer extremamente brava.

Se tem algo que me tira do sério é a falsidade, a falta de caráter, a covardia. Ano passado aconteceu algo parecido neste blog. Eu havia acabado de anunciar meu namoro e dizer que viajaria para Porto Alegre para conhecer o Dave. Naquela época eu ainda tinha um stalker importado do News do Uol. De vez em quando ele aparecia, deixava recado e saía correndo.

Então um leitor freqüente, que até já tinha conversado comigo pelo ICQ e trocado alguns e-mails, postou um comentário com o nick do tal stalker, escondendo-se atrás da identidade de alguém que não gostava de mim para não ser responsabilizado pelo que dissesse.

No mesmo post, algum tempo depois, ele colocou outro comentário, desta vez com seu próprio nick. Sem muito trabalho, descobri que os dois comentários eram da mesma pessoa. Ele ainda tentou negar, mas diante das evidências, teve que admitir. Fiquei chateada, fiz discurso, ele disse estar arrependido, pediu desculpas, eu desculpei, mas certamente envergonhado, ele nunca mais voltou aqui. Engraçado é que só se arrependeu depois de eu ter descoberto tudo...

Não foi o que ele disse, ou como disse, mas o que fez. Quer dizer algo para mim que ninguém mais pode saber? Para isso existe o e-mail. Quer falar algo aqui? Assuma o que diz. Eu assumo. O mínimo que a pessoa tem que fazer é ter caráter e assumir o que diz e as insinuações que faz.

Agora aconteceu a mesma coisa. Alguém que costuma vir aqui sempre, deixar comentários amigáveis, participar do blog com certa frequência, resolveu postar um comentário falso, com outro nome, como se fosse alguém que não me conhece e que ficou ofendido por um termo que usei em um texto do Another Comment.

Não conheço essa pessoa, não sei quem é, de onde surgiu e qual nome é o verdadeiro, se é que algum deles é. Não sei o motivo do comentário raivoso, muito menos se o conteúdo do comentário é verdadeiro ou se isso foi apenas uma desculpa para brigar. Sinceramente, pouco me importa.

Não sei a razão que o levou a ficar irritado comigo, mas também isso pouco me importa. O que me importa é descobrir que é uma pessoa em quem não posso confiar e que não tem o mínimo caráter para assumir sua verdadeira opinião a meu respeito. Também não me importa sua opinião a meu respeito, se eu nem mesmo sei quem você é.

Claro que eu gostaria que todo mundo me visse como eu sou, me enxergasse sem tascar um rótulo no meu nariz, entendesse, sem problemas, quando estou brincando e quando estou falando sério. Que entendesse também que eu falo o que penso e gosto de questionar, sem que isso signifique que estou testando alguém.

Entendesse também que eu cuido o que digo, desde que não interfira no desenrolar do texto na minha cabeça e que muito mais importante do que uma palavra ou um termo que eu use, é o contexto do texto todo. E isso não apenas do meu texto, mas de qualquer um. Algumas pessoas deveriam aprender a ler antes de arriscar-se a fazê-lo.

Tirar uma palavra do seu contexto e usá-la como desculpa para brigar e me julgar, para mim, é agir de má-fé. Isso, sinceramente, enche o saco. Aliás, eu já estava de saco cheio, depois desse acontecimento ridículo fiquei pior ainda. Tremenda babaquice.

Fiz este blog para treinar texto, para me divertir e divertir quem vem por aqui também, por tabela. Não quero ficar batendo boca com ninguém, nem ficar esquentando a minha cabeça com nada. Se não gosta de mim, feche esta janela, esqueça este endereço, não volte mais, não leia mais nada, não fale mais coisa alguma.

O que não suporto é gente falsa, gente que não assume o que pensa, que pela frente age de uma forma e pelas costas, de outra. Falo contra mentira e falsidade aqui neste blog direto, eu abomino esse tipo de coisa, não aceito mesmo. Eu não preciso disso. Ninguém precisa.

Quero continuar escrevendo minhas coisinhas, postando aqui as coisas boas da vida, colocando fotos, me divertindo e divertindo vocês. Por favor, o mínimo que você pode fazer é ser honesto comigo. Se não puder, melhor nem vir mais aqui. Aliás, prefiro assim.




Quinta-feira, Julho 22, 2004


Dia 21 de Julho de 2004

Parabéns para nós!!!


Hoje faz um mês que me casei :) Se eu nunca me lembrei o dia do início do namoro (mesmo porque esse dia é meio confuso, nunca sabemos quando exatamente foi), agora vocês terão de me aturar todos os meses aqui comemorando o dia 21.

Foi rápido. É, eu sei que foi rápido. Hoje percebo o quanto foi rápido, e me espanto por ter sido tão rápido e a gente ter tanta intimidade, tanta certeza do que quer, mesmo tendo sido rápido.

Com três meses de namoro a gente parecia já ter sei lá, uns dois, três anos juntos. Já se conhecia muito bem. Por isso o rápido nem foi tão rápido assim.

Mas de repente eu estou no futuro. Aquele futuro que esperei tanto acontecer e que tantas vezes duvidei que aconteceria (coisa feia, né?). Eu, casada com o homem que amo, que me ama, sendo feliz, a cada dia mais feliz...que coisa mais estranha...

Não estou reclamando, é estranho mesmo, para quem já estava irritantemente acostumada com a solidão eterna. Quando os dias passam sem alteração nenhuma, a gente tem a impressão de que será assim para sempre. E de repente, quando a gente menos espera, muda tudo. E mudou tudo.

Tudo culpa de um dia em que eu estava entrando na página principal do blogger, para fazer login e vi no Fresh Blogs um nome que já tinha visto nas duas noites anteriores. "Quem é esse indivíduo que posta todos os dias no mesmo horário que eu?" (Naquele tempo eu postava todos os dias no mesmo horário). Fui verificar.

Me encantei instantaneamente com o rapaz, mas não percebi que já estava gostando dele. Voltava lá todos os dias, nem sempre comentava, mas adquiri o hábito de ficar de plantão dando reload na página mais ou menos na hora em que ele postava, para ver se tinha texto novo.

Sim, Dave tinha um blog. E de cara não deu muita bola para mim, o que foi ótimo. Ótimo e terrível ao mesmo tempo, já que na hora eu não achei aquilo nem um pouco ótimo, mas foi importante para que o interesse aumentasse (na verdade o interesse aumentou por birra....risos... Ao menos uma vez na vida minha teimosia foi útil :)

Depois de uns três meses e meio, mais ou menos, começamos (finalmente) a conversar, ficamos amigos no mesmo instante e em menos de um mês já estávamos namorando.

Para a minha tristeza, ele largou o blog, mas continuava escrevendo para mim. Dois meses depois da primeira conversa eu já estava viajando para Porto Alegre, e nos conhecemos pessoalmente. Fiquei aqui uns quinze ou vinte dias e voltei para Campo Grande. Arrumei minhas coisas e quatro meses depois do primeiro "oi" no ICQ, fiz a mudança para Porto Alegre.

Cinco meses depois, ficamos noivos, no mês seguinte nos casamos. E hoje, onze meses depois da nossa primeira conversa, um ano e três meses após o dia em que descobri aquele bendito blog, estou feliz, casada com aquele rapaz de texto maravilhoso, que não tinha nome, nem rosto, por quem me apaixonei no primeiro instante em que...li !!!

Confuso isso, não? Ah, mas eu acho essa história linda, apesar de, na época, muita gente ter me chamado de maluca. Aliás, eu contei apenas para algumas pessoas, já que sabia que a maioria me chamaria de maluca e poderia tentar me fazer ficar com medo, com dúvida, essas coisas que estragam planos e relacionamentos.

Aprendi isso, e é muito importante, manter segredo daquilo que quero enquanto não estiver 100% certo. Pior é que depois que eu já tinha conhecido a criatura pessoalmente, estava de mudança marcada e, para mim, tudo estava 100% certo, ainda teve quem me chamasse de maluca. Imagina só se eu tivesse contado antes para essa pessoa?? Stress desnecessário.

Legal é depois mostrar para todo mundo que deu certo. "Viu? Eu não sou maluca não, você é que era medrosa" :)

Nossa vida a dois tem sido ótima. As coisas só mudaram para melhor. Claro que nem tudo é florzinha no meio do caminho, mas quer saber? Temos tido mais florezinhas no meio do caminho do que na época de namoro. Está tudo mais tranqüilo, mesmo porque ele não tem mais que ir embora no final da noite, não passa os dias cansado e temos tido mais tempo juntos!!!

O lado ruim é ter que dormir de noite, acordar às seis da madrugada (e perder completamente o sono), ter de almoçar todos os dias (se souber que eu não almocei ele fica triste...e eu jamais diria que almocei se não tivesse almoçado) e cozinhar nos fins de semana.

A foto abaixo é do primeiro macarrão que fizemos juntos (a mandioca e a carne vieram prontas). O pior é que ficou bom...aí começamos a ter macarrão todo final de semana...risos....não sabia cozinhar outra coisa. Meu prato e o prato do Dave, respectivamente:

Nem preciso dizer que erramos a quantidade e continuamos com fome depois...risos...

Não sabia cozinhar outra coisa e ainda não sei :) Mas tenho reunido receitas importantíssimas de pessoas solidárias, que sabem que não aguento mais comer macarrão todo bendito final de semana. Dave fez macarrão esses dias :) Só que o dele ficou melhor do que o meu... ontem descongelei minha primeira caixa de comida congelada, e foi emocionante. Ultimamente temos saído para almoçar fora no sábado e no domingo, mas de vez em quando está muito frio e não dá nem vontade de sair de casa.

Agradecimentos especiais à minha irmã Naurinha, à minha querida mãe e à minha amiga ALDY, que me ajudaram doando receitas de coisas gostosas fáceis e rápidas de fazer. Comida de mulher moderna :) Testarei todas as receitas em breve, no momento estou em fase de coleta. Quem quiser colaborar, favor escrever para heiterl@bol.com.br ou para qualquer outro e-mail meu que vocês conheçam...risos...

E claro, um beijo enorme para o cara que faz com que eu me sinta mais do que especial, a quem eu amo tanto e que é o maior responsável por essa bagunça toda...risos...agradeço a Deus por ter te colocado no meu caminho, guri, "te colocado no meu caminho" não, essa frase ficou feia, parece até que eu tropecei em você...risos...se bem que acho mesmo que tropecei em você, virtualmente...risos...mas é que assim não fica muito romântico.Te amo, gurizinho. Obrigada por tudo, viu?

Agradeço a Deus por ter me dado essa curiosidade infinita, porque sem ela eu jamais teria tido aquela vontade incontrolável de saber quem raios era aquela criatura que postava ao mesmo tempo que eu, todos os dias. Ao menos uma vez na vida a curiosidade desmedida também me foi útil...risos...

De resto, estamos nos virando muito bem. Já aposentamos a miserável mesa de papelão e compramos uma desmontável, de plástico, estilo "camping"...é a evolução da espécie...risos....

Já temos também televisão, vídeo cassete, um rack para que apoiá-los, luminária, mesa e ferro de passar roupas, panela de pressão, edredon de casal, cabideiro, mais um jogo de cama e ontem compramos um paneleiro....se eu soubesse disso tudo teria casado antes...risos....

Não queremos comprar muita coisa agora porque agosto é nosso último mês aqui em Porto Alegre e entulharemos nossas coisas na casa dos pais dele, pelo tempo em que durar o curso. A vida de casado para valer mesmo, com residência fixa e coisinhas organizadas, só daqui a um ano, mais ou menos, quando estivermos de volta.

E a vida continua...cheia de mudanças e novas fases. Passei anos letárgica, quando minha vida decidiu andar, saiu correndo, histérica. Que coisa... bem, ao menos teremos altas emoções neste blog ao menos pelo próximo ano...risos...

Então....parabéns para nós!!!!


Obs: Este é um calendário artesanal que compramos em Canela, é de madeira, pintado à mão, escrito "Seja feliz todos os dias", com um casalzinho feliz de bonequinhos-palito que achamos a nossa cara, dois dadinhos com números para os dias do mês e três dados reangulares (o que são dados retangulares??) com os nomes dos meses. Meigo, não?

PS: Era para eu ter postado esse texto ontem, mas deu tudo "errado", acabou a bateria da câmera bem na hora de tirar as fotos e só recarregou depois de o Dave ter chegado. Aí, depois que eu tirei as fotos, ele me levou para comemorar, do único jeito que a gente sabe comemorar: comendo um belo rodízio de pizza :) (todo mundo aqui sabe que sou louca por pizza?)

Depois, chegamos em casa e fomos direto dormir, porque estava meio tarde. Já que não tinha terminado o texo, não houve jeito, tive que deixar para hoje o que não pude fazer ontem :) Mas é válido, não é? Mesmo assim.





Postei esse texto no Mundo Animal, mas como quase ninguém lê aquele blog (mesmo porque eu raramente escrevo por lá), resolvi postar novamente aqui. Para entender esse texto, leia a série desde o começo (acho que são uns três posts), no Mundo Animal.

Terça-feira, Julho 20, 2004

Sobre o animal encontrado em terras gaúchas


Boas notícias divulgadas pelos cientistas envolvidos no projeto Heiters. O felino encontrado no Rio Grande do Sul é realmente um Heiter macho. A fêmea e o novo exemplar já estão juntos em uma mesma jaula, há quase um mês.

Felizmente não houve grande rejeição por parte da Heiter fêmea, apenas uns pequenos estranhamentos no início. Ela ainda chia para o macho em alguns momentos, mas ele parece ser bem pacífico e calmo, para o espanto dos cientistas. "Realmente, em questão de temperamento os machos são bem mais dóceis enquanto as fêmeas mostram-se agressivas e irritadiças. Explica o Dr. Al Gain.

O cientista ainda diz que a fêmea acalma-se quando perto do macho, seus hábitos alimentares são semelhantes, mas o macho aceitou alguns alimentos rejeitados pela fêmea, como leite, café, calabresa e mortadela suína, carne em excesso e até um pouco de peixe- letal se ingerido pela fêmea.

Da mesma forma, o macho não caça muitos danettes e flans, prefere atacar uma manada de indefesos danoninhos, pequenos animais lácteos que valem por um bifinho.

Porém ainda não está na hora de tentar reprodução em cativeiro, por enquanto os cientistas preferem observar e estudar o casal, até escolherem a hora ideal para produzir um filhote.

Novas notícias, através desta publicação pseudo-científica. Aguardem, publicaremos também os resultados dos estudos mais recentes sobre a espécie. A comunidade científica está animada, há a chance de salvar esta espécie da extinção.




Presentinho


Ganhei um presente no dia do amigo :) Nem sabia que tinha dia para isso, comecei a ver posts sobre o dia do amigo nos blogs, mas achei que o pessoal do MSB (Movimento dos Sem-Blogs) nem estava sabendo dessas coisas. Lêdo engano...

A irmã do Dave, uma pessoa linda, sincera, de ótimo coração (e não estou puxando saco da minha cunhada não, se alguém pensou isso...ela é isso tudo mesmo....aliás, deve ser genético :) ), ficou com dó da friorenta aqui e esses dias perguntou se eu usaria uma pantufa.

Eu, sem desconfiar de nada (juro, eu sou muito lenta para essas coisas), comentei que sempre quis usar pantufas, mas era até ridículo comprar isso em Campo Grande, já que o inverno de lá passa voando. Dave até falou em comprar para mim, mas era daquelas pantufas de adulto e eu queria uma com cara de bichinho...risos...

Terça-feira ela me aparece com três pares de meias, uma com desenho de borboleta (que amo), outra com desenho de gatinho (nem precisa falar, ?) e outra, com bolso.

Além disso, comprou uma pantufa de cachorrinho azul :) A mãe do Dave achou que eu me esconderia dos vizinhos, mantendo um outro chinelo sempre por perto, para o caso de precisar andar pela escada do prédio ou aparecer na porta. Ao contrário, tirei fotos para mostrar para todo mundo aqui :)

Alguém pode perguntar o porquê de ser um cachorro e não um gato, mas eu também gosto de cachorros, quem disse que não? Aliás, gosto de tudo quanto é bicho, até de lesma e lagartixa. Só me identifico muito mais com os gatos, e abracei a causa pelo preconceito maior que existe em torno deles, cachorros são muito mais aceitos. Já criei cachorros, tivemos cinco de uma só vez, quatro pastores alemães e uma vira-latinha.

Todos se davam muito bem com os gatos, inclusive dois dos pastores, que chegaram em casa já adultos e que na antiga casa costumavam perseguir gatos. Não é da natureza do animal ser agressivo com os outros bichos, isso é conversa, para mim o dono tem uma participação grande nisso. Esse cachorro que antes perseguia gatos, em casa defendia o pai do Nermal e até deixava que o gato dormisse em cima dele, quando tiravam um cochilo à tarde, eram grandes amigos.

Cachorros precisam de espaço. Por isso depois que eles morreram (de cinomose) e vendemos o terreno ao lado de casa para o meu avô, decidimos ficar apenas com os gatos. Hoje não sei se conseguiria voltar a criar cachorros, não me acostumaria novamente com o jeito de cachorro (apesar de que os nossos eram meio gatos) e não confio muito, mas gosto deles.

Fiz até um amigo canino, que mora na mesma quadra da casa dos pais do Dave, passeia pela rua, me escoltava até em casa quando eu voltava sozinha, é velhinho, calmo e foi com a minha cara desde o começo. Aliás, cachorros que não gostam de gatos não gostam de mim, os que se dão bem com os felinos, sempre vão com a minha cara também. :)

Mais uma pantufoto: (putz, eu me supero)





Segunda-feira, Julho 19, 2004


Mudei??

Andei respondendo alguns poucos comentários, aos poucos retomo a rotina. Dois comentários de ontem, porém, pediram urgência na resposta e acabaram virando post.

O Túlio escreveu: "A vida de casada, mesmo que vc não admita, te mudou. As pessoa sempre mudam, por mais que não queiram. A vida muda, então a pessoa tb tem mudar. E a Hipácia completou: "Concordo com o Túlio, você deu uma mudada, sim - e olha que pra eu ter percebido deve ter sido uma mudança radical, hehehe... Mas o importante é que você esteja FELIZ! O resto é o resto...

Bip. Que a menina aqui é lenta. Eu mudei??? Como assim eu mudei??? Em que exatamente eu mudei, que não percebi ainda??? Detesto quando vocês fazem isso, informação incompleta. Não adianta dizer que eu mudei, tem que dizer em que mudei, senão eu fico assim, histérica, tentando perceber onde mudei que não vi.

Passei abril, maio e junho na correria de arrumar as coisas (e a minha cabeça) para o noivado e o casamento. As semanas que antecederam o dia 21 de Junho foram as mais malucas. Achei que ia cair um frio terrível na Serra e lá fui eu comprar roupas de inverno, me preparar para a viagem, tudo o mais.

Engana-se quem pensa que casar apenas no civil não dá trabalho. Obviamente dá bem menos trabalho do que se fosse no religioso também, mas ainda assim dá trabalho. E eu fiquei envolvida nesse trabalho.

Depois do casamento, já no caminho para Gramado, bateu um vazio estranho. Eu havia feito tudo, colocado a minha cabeça nos preparativos, e quando tudo já estava pronto e acontecendo, percebi que não tinha mais o que fazer. Todo aquele trabalho havia chegado ao fim e eu teria que arrumar outro trabalho para ocupar a cabeça.

Veja bem, ainda estou me adaptando à nova vida (que nem mudou tanto assim). O pior, acho que eu já disse, é não ter autonomia para fazer o que quiser, na hora em que quiser, sem dar satisfações de nada (para mim o mais complicado é não escrever nos finais de semana mesmo e não passar a madrugada acordada feito um zumbi...risos...), mas a minha vida de solteira-sozinha-livre-desempedida-sem-ninguém-para-dar-satisfações-fazendo-tudo-o-que-queria já estava com o prazo de validade vencido.

Sabe quando você se cansa de levantar todos os dias e fazer as mesmas coisas, ou coisas diferentes, mas com o mesmo sentimento? Aquela sensação de não ter com quem compartilhar os dias, as coisas que se gosta, as caixas de bombons, uma boa leitura, um filme, uma fita no vídeo, uma revista em quadrinhos, seu mundo, sua história...

Estar sozinho não é sempre ruim, mas ser sozinho cansa para caramba. A solidão dos dias passando frios, vazios e tristes... ninguém gosta da solidão, acomoda-se a ela.

Passei a vida inteira sozinha, até que cansei. Quando namorei foi para casar mesmo porque também não queria estar sozinha-porém-acompanhada por muito tempo.

Ainda namoramos. É mais fácil chamá-lo de "namorado" do que de "marido", e ele também costuma me chamar de "namorada" ao invés de "esposa".

Saímos para comer pizza, fazemos pizza em casa, almoçamos fora, vamos ao cinema, passeamos pela cidade e falamos pelos cotovelos o tempo inteiro.

Tomamos café da manhã juntos, às sete horas da madrugada, antes de ele sair para o trabalho, tenho minha tarde livre para escrever, revisar, pagar contas, fazer compras, fazer o que precisar fazer para estar em casa de volta antes das seis, quando nos encontramos de novo e ligamos o botãozinho "falar pelos cotovelos" novamente.

Não é porque nos casamos que viramos outras pessoas, ou que vamos mudar nossos hábitos, deixar de passear, de nos divertir, de conversar, de sair, fazer bagunça. Muito pelo contrário, o casamento só veio para somar. E eu preciso trocar meus documentos urgentemente.

Cansamos, na verdade, eu e ele, da vida solitária. Ele, talvez, mais do que eu, pela diferença de idade. Ou não, já que eu estava neurótica por não ver minha vida sentimental andar. Estava tendo um chilique por dia por nunca nem conseguir começar nada com ninguém por pura falta de afinidade, por falta de interesse de minha parte. E quando havia interesse de minha parte, a criatura simplesmente não se movia e o possível relacionamento morria no ovo.

Não me vejo mudada. Vejo, talvez, uma pessoa tentando se recuperar de todas as pilhas que engoliu nos dias anteriores ao casamento. E tentando encontrar outros motivos para engolir mais pilhas, depois deste pequeno recesso. Estou de licença pós-matrimônio...risos... foi essa a diferença que viram?

Ou a lentidão para concluir, finalmente, o relatório da lua-de-mel? Falta ainda o último capítulo, eu sei...risos....sairá do forno, assim que eu concluir a primeira parte das coisas obrigatórias.

Não sei se mudei ou não. Acho mesmo que continuo a mesma pessoa. Um pouco mais cansada, talvez, um pouco mais casada, certamente...risos...

Depois de ter resolvido o casamento, me vejo com novas prioridades, novas coisas para resolver, que eu tinha deixado para "depois do casamento". Agora é depois do casamento e eu tenho que me apressar, para ver se consigo colocar mais outra parte da minha vida nos eixos, depois de ter arrumado essa.

Respirar fundo. Engolir pilhas cansa.


PS: Não, não é photoshop, não é foto antiga, não é ilusão de ótica. Acabo de tirar esta foto, passei hoje um tonalizante vermelho, para mudar um pouco :) Sabia, sabia que não ficaria loira por muito tempo.

PS2 Não ia fazer isso agora, mas acabei respondendo três comentários novos de um texto antigo cujos comments já haviam sido respondidos. Fiz isso porque os comentários apareceram, só vi agora e acho que causei uma polêmica estranha. Um leitor esporádico (sim, porque pelo comentário da para notar que essa pessoa não me conhece nem um pouco) sentiu-se ofendido com o texto Aline.

Não quero alimentar polêmica nenhuma, a pessoa comentou (estava no direito dela), eu respondi (estava no meu direito) e acho que é o suficiente. A resposta está no Another Comment, para quem quiser ler, entender ou me espinafrar...mentalmente, por favor, porque já disse que não quero alimentar a polêmica ad infinitum, mesmo porque não era esse o objetivo do texto, muito pelo contrário. E me desculpem se ofendi mais alguém, não foi essa a intenção.





Sábado, Julho 17, 2004


Parabéns, Mamãe!!!!

Hoje é aniversário da minha mãe e eu precisava escrever. Já fiz um texto para ela ano passado (está aqui, ó), mas isso não me exime de escrever também este ano.

Ando com saudade. Com muita saudade. Às vezes me sinto até culpada por tê-la deixado lá, sozinha. Mas ela fica feliz ao me ver feliz. Embora seja difícil para mim ficar longe da dona Telita (é apelido, o nome dela, a maioria já sabe, é Estela).

É difícil sim. Passamos a vida inteira juntas e somos grandes amigas até hoje. Conversamos sobre tudo, compartilhamos idéias e sentimentos sobre a vida. Mas não tinha jeito. Cedo ou tarde a vida mudaria. Ela tem uma nova vida para começar, assim como eu. E estamos recomeçando, a despeito de nossa diferença de idade ser de quatro décadas.

Porque não há idade para recomeçar, para desconstrução e reconstrução, ela me ensinou isso. Não tem nem idéia do quanto é maravilhosa, forte, guerreira, de coração íntegro e honesto, uma mulher batalhadora, que criou cinco filhos sozinha, que decidiu erguer a cabeça e recomeçar não sei quantas vezes, que nunca aceitou ficar desiludida, triste e infeliz, ou acomodada.

Admiro suas iniciativas de superar suas limitações, sua inteligência, firmeza de caráter e de opiniões. Meu desejo para ela desta vez é que encontre o homem de sua vida. Sim, porque o amor pode acontecer em qualquer idade e não é possível que não exista um senhor com mais de cinquenta anos viúvo ou divorciado, inteligente, interessante, legal, de bom coração, fiel e com princípios cristãos neste planeta. Que queira se casar, obviamente, porque ela não tem mais interesse em perder tempo e está bem certa.

Parou de escrever na adolescência. Ficou brava quando uma prima roubou seu caderno de desenho e de poemas e parou de escrever e de desenhar. De vez em quando mandava cartas para alguém, o irmão que morava longe, a filha que estudava em Maringá. Mas acho que a última dessas cartas foi escrita há mais de vinte anos.

Após grande insistência do ser que vos escreve, esforçou-se para escrever uma carta e me mandou. Uma pequena vitória, imensamente significativa. Agora me mandou outra, comentando alguns textos e contando novidades. Também me mandou umas receitas que pedi, descrevendo os ingredientes e a forma de fazer, bem humorada, provando que o talento hiberna, mas não morre, não.

"(...) Mexa bem para misturar até virar uma massa homogênea (bonito, não é?), agora unte uma forma com óleo e esfarinhe (polvilhe o trigo)... não seria triguilhe?? Coloque a massa na assadeira e por cima coloque queijo, tomate, azeitona, o que você quiser"

Triguilharei (realmente, polvilhar o trigo é uma coisa meio confusa....alguém triguilha o polvilho??) assim que comprar os ingredientes. Estou realmente louca para ver se consigo fazer uma pizza com gosto da pizza da mamãe.

Manhê! Se você ler este texto, saiba que te amo muito, estou morrendo de saudade e agradeço a Deus todos os dias por ter uma mãe maravilhosa assim, que me dá tanta força e me fez ser essa pessoa maravilhosa que sou hoje...risos....e muito modesta..hahaha...

Tenho certeza de que Deus vai te dar muito mais disposição, energia, saúde, inteligência e beleza (nossa, você vai ficar insuportável!...risos...) para você lutar ainda por mais muitos, muitos, muitos e muitos anos, além dos 64 que completa hoje.

64!!!???? É, não parece, né?? Quero ser igualzinha a ela quando crescer :) Claro, sou ligeiramente desbotada, mas isso é um detalhe técnico.

Uma das coisas mais maravilhosas da vida é ter a oportunidade de conviver com pessoas especiais que têm tanta coisa a passar para nós. Não é porque é minha mãe, não, mas ela é uma das pessoas de maior conteúdo que conheço. Um dia, espero que em breve, ela terá a consciência que eu tenho disso.





PS:Parabéns, mamãe!!! Espero que o dia esteja sendo ótimo. Mesmo. Beijos!!!!

PS2 As fotos são do meu noivado, em Maio, em Campo Grande. Mamãe e minha sobrinha Raíssa no topo do post (saudade dessas duas), mamãe e eu ao final do texto.



Não sei. Ando meio pela metade. Falta de escrever, imagino. Falta de alguns bons minutos a mais no dia. Mas a vida é assim mesmo, Vanessa, não dá para fazer um dia de quarenta horas. Nem mesmo vinte e cinco. São vinte e quatro e ponto. Você é que tem que aprender a se organizar.

Tomei uma decisão drástica. Vou tirar a semana para fazer só aquilo que sei que preciso fazer. Falo em relação a textos e trabalhos parados. Esquecer lazer pelo lazer, esquecer as bobagens que gosto de fazer o dia inteiro...

Esquecer nada! Vamos aprender a dosar. Mas eu nunca seria feliz vivendo de obrigações (ainda que elas me dêem prazer, como escrever), sem tempo para lazer, para diversão, para dar atenção a quem conversa comigo.

Ler coisas importantes, mas também ler bobagenzinhas, as revistas em quadrinhos antigas, inteligentes, engraçadas, impressionantemente bem feitas. Ver os desenhos daquele cartunista perfeito, que consegue dizer milhares de coisas com apenas uma imagem. Tenho muito a explorar no mundo das coisas não-obrigatórias.

Mas esta semana darei um pouquinho mais de atenção às coisas obrigatórias, sem culpa. Talvez isso me faça escrever com menos frequência por aqui, talvez faça com que eu escreva ainda mais neste blog, para desintoxicar, não sei, veremos.

Esse negócio de não conseguir tempo para escrever final de semana me mata. Eu sei, eu sei, não posso trocar os dois únicos dias que tenho para ficar com o Dave o tempo inteiro por um texto ou outro que consiga escrever, então aproveito o tempo em que ele está no banho, por exemplo, para derramar palavras em qualquer lugar. É terapêutico. É vício. Eu preciso disso.




Quarta-feira, Julho 14, 2004


Denovo De Novo

Olá. Meu nome é Vanessa Stella Rodrigues Santana de Resende Lampert, tenho 24 anos e sou viciada em denovo.


Denovo é um vício terrível.

A professora anota, letras vermelhas, no canto da página: "De novo escreve-se separado". Dave me avisa, anos depois: "De novo escreve-se separado". Fico brava, dona da verdade, detesto ser corrigida. Túlio, por fim, me avisa: "De novo escreve-se separado". Argh, tenho que ouvir isso de novo?? Até quando, cérebro, continuarás a ignorar tão simples regra? Me acomodei ao problema, isso é feio.

De novo escreve-se separado. Quantas vezes terei de escrever isso de novo até que meu córtex assimile? É engraçado, não que eu não saiba, eu sei, já cansei de ouvir isso, mas é como se, simplesmente, o cérebro não absorvesse essa informação. Sempre tive uma facilidade imensa de acertar a ortografia das palavras, mas tenho um problema crônico com de novo.

Costumo, para escapar do problema, substituir de novo por "Outra vez", novamente, mais uma vez... convenhamos que "de novo" é um troço muito feio. Deveria, para aprender, enfrentá-lo, mas o acho extremamente anti-estético, por isso pouco uso e, consequentemente, nunca aprendo, tanto que nesta página toda,quase vinte textos, ele só aparecia três vezes. Agora, apenas uma.

Deveria usar de denodo e encarar o de novo com toda a fúria da correta ortografia, cortando sua forma errada, partindo-o em dois pedaços. Assim, demovo a pobre palavra da idéia de que deve ser escrita errada, toda vez. Talvez. O que importa é que ela não seja mais escrita da forma equivocada, nem que para isso não seja mais escrita.

Agradeço a quem quiser me corrigir algum erro, ainda que, a princípio eu fique meio brava...risos...(pobre Dave) Mas é o único jeito de fazer esta criatura teimosa prestar atenção em alguma coisa.

Engraçado é que de vez em quando escrevo de novo certo, mas só quando é um texto sério, em uma revisão de texto alheio, etc. Talvez porque, perfeccionista como sou, não admita um erro em algum trabalho meu. Mas não posso ser assim relapsa com este blog. Nem com outro...risos...

Não fiquei chateada não, Túlio, de maneira nenhuma. Pode procurar agora mais algum erro ortográfico e, por favor, mande-me a lista por e-mail...risos.... Se bem que, espero, "denovo" seja uma exceção. A tal "falha persa"....ok, boa desculpa.

Falando nisso, este texto é para isso, para pedir desculpas aos meus leitores por ter errado de novo. Eu sei, eu sei, todo mundo tem o direito de errar, ninguém é perfeito, etc, etc, etc...mas ao menos erros grosseiros deste tipo eu não estou autorizada a cometer.

Seria o mesmo que escrever "de vez emquando" ao invés de "de vez em quando" ou "derrepente" no lugar de "de repente". Desculpem por obrigá-los a ler denovo de novo, por três vezes em mais de trinta dias. Prometo me comportar. Novamente. :)




Terça-feira, Julho 13, 2004


Capítulo V

O Hotel do Mecânico



Caxias, oficina mecânica. Dave foi tirar um dinheiro no caixa eletrônico e me deixou sozinha na oficina. O mecânico que nos atendeu, seu Gilson, era um senhor de cinqüenta e poucos anos, casou-se duas vezes, a primeira, cedo demais, tinha dezesseis anos, a mesma idade da mulher. Teve com ela três filhos, o primeiro quando tinha apenas dezessete anos. Este trabalha com ele na oficina, é muito comunicativo, casado há cinco anos e "em lua de mel até hoje", conforme ele mesmo diz. Com a segunda mulher, teve mais dois ou três filhos, não me recordo direito. Só sei que um dos mais novos também trabalha com ele na oficina, quieto e soturno, mal conversou com a gente.

O problema do carro nada tinha a ver com a tal bomba de gasolina, e sim com um cabo não sei das quantas lá que estava raspando em uma polia e já se desfizera quase todo, causando pequenos curtos de tempos em tempos. Precisaria ser trocado.

Seu Gilson nos garantiu que se fosse problema da bomba, ela não sairia por mil Reais, como disse o outro mecânico, mas por uns trezentos, mais ou menos. Quanto ao cabo, eles precisariam sair para comprar.

Fiquei esperando o Dave e o filho mais novo do mecânico, que estava olhando outro carro, começou a me perseguir, discretamente. Eu saía da oficina, ele saía também, eu entrava, ele entrava novamente. Calado, prestava atenção em todos os meus movimentos, seguindo qualquer gesto com os olhos.

Comecei a ficar irritada. Não suporto quando alguém olha fixamente para mim e não diz nada, não age como uma pessoa normal. Telefonei para a minha mãe do celular e conversamos (eu, entrando e saindo da oficina) até que o Dave voltasse (depois o coitado teve que ouvir um sermão sobre nunca mais me deixar sozinha em lugar nenhum, principalmente em uma oficina mecânica em lugar desconhecido).

Saímos para caminhar pela cidade, desta vez as pessoas olharam menos, ou ao menos não com tanta cara de "Credo, um Alien de tamanco!!!" Comprei um par de brincos por três Reais (havia perdido os meus) e comemos uma lasanha que não foi muito com a minha cara.

Passamos em um hotel que eu tinha visto antes, mas não conseguimos entrar. O cheiro de incenso no Hall estava muito forte, dei meia volta e decidi procurar mais tarde. Detesto cheiro de incenso, Dave também não suporta. Por que raios alguém acende incenso em um lugar público sabendo que nem todo mundo gosta dessa coisa? Só para afastar clientes mesmo.

Voltamos à oficina, de táxi. Aliás, o taxista ficava dentro de uma cabine no carro, muito estranho. Sentei no sofá com a lista telefônica no colo e o celular na mão, enquanto Dave conversava com os mecânicos. Pareciam amigos de infância.

Eu lá, escolhendo hotel, ligando, perguntando o preço quando prestei atenção no que Dave estava fazendo. O rapaz disse que faria um mapa. Mapa?? Sim, ele indicou um hotel para o Dave, da mesma rede que aquele que eu fiquei aqui quando vim em Outubro Alfred.

Tá bom, ele já tinha decidido. Ao menos foi o que me pareceu. Fazendo mapinha e tudo... fechei a lista, coloquei em cima do balcão, guardei o celular e fiquei em pé, ao lado do Dave, ouvindo a explicação.

Estava cansada, e, não posso negar, ligeiramente contrariada, porque eu queria ter procurado os hotéis e queria que ele me ajudasse a escolher. Só nós dois. Detesto pedir informações quando estou perdida, quando não conheço as coisas, quando não entendo algo. Vou atrás e descubro. Mas tudo bem.

Chegamos ao tal Alfred Hotel. De cara notei que, ao contrário do Alfred Porto Alegre, não era um lugar...digamos....de boas instalações. Pedi ao Dave que visse o hotel sozinho, eu esperaria no carro.

Ele desceu, pediu um quarto, pegaram as malas e subimos. Ué, mas não viu o quarto? Não, não viu o quarto. Quarto? Que quarto?? Abrimos a porta e interrompemos a festa. Estava acontecendo o centésimo encontro anual dos ácaros gaúchos.

Cortinas empoeiradas, um pouco de carpete nos ácaros do chão, aquecedor com ácaros embutidos, cobertor de lã, para deixar os ácaros quentinhos. O ar pesado, de tanta poeira.

Televisão pré-histórica, frigobar jurássico, telefone do período cretáceo.

- Tem muito ácaro por aqui. Vamos trocar de hotel.
- Mas a gente já subiu, vai ter que pagar a diária.
- Claro que não, acabamos de subir, ainda podemos descer, dizer que achamos o quarto um lixo e procurar outra coisa. - Dave, cansado, disse, já se deitando:
- Você acha que vai passar mal?

Era uma pergunta retórica. Se estava deitando, não pretendia levantar para trocar de hotel. Colocara o pijama e estava mais querendo que eu dormisse do que me ouvir reclamando dos ácaros do apartamento.

- Esquece. - Dormi. Acordei, algumas horas depois...adivinhem? Passando mal. Isso aí. Falta de ar, nariz coçando, espirrando, argh! Dave acordou também, obviamente. Perguntou se eu estava bem. Ah, ótima.

Nem dava para brigar direito, já que precisava tentar respirar. Fiquei enjoada, quase me joguei pela janela do banheiro em busca de ar puro. Argh. Só não vomitei porque sou uma pessoa "invomitante". O dia em que eu vomitar, me mande direto para o hospital porque isso só acontece quando eu estou muito, mas muito mal mesmo.

Quando voltei para a cama Dave já estava querendo se arrumar e mudar de hotel.

- Ah, não, de jeito nenhum! Era para ter mudado aquela hora, agora é tarde demais, a gente vai ter que pagar a diária e eu não vou desperdiçar dinheiro. - E fiquei lá, brava e passando mal...risos...

Até que Dave teve a magnífica idéia de abrir a janela do quarto. Primeiro ele teve que lutar bravamente contra os ácaros assassinos para conseguir encontrar a abertura da cortina. Quando enfim abriu a cortina e a janela e algum ar começou a circular dentro do quarto, voltei a respirar com menos dificuldade. Conversamos e fizemos as pazes, como sempre.

Não tomamos banho, dava medo até de olhar para o banheiro daquele lugar. Estávamos morrendo de fome. Liguei para o serviço de quarto umas quinze vezes, mas não fomos atendidos. Resolvi pegar a lista telefônica e procurar por tele entrega de lanches, pedir dois sanduíches.

- Alô?
- Pois não?
- Vocês entregam agora?
- Onde é?
- No Hotel Alfred.
- Sim, sim, entregamos.
- Ah, então eu vou querer dois Baurus.
- Dois?
- É.
- De quê?
- De filé.
- Han...o Bauru dá para duas pessoas, vai querer dois?- Estranhei:
- Para duas pessoas?
- É.
- Então pode ser um mesmo.

Deu vinte e poucos Reais. Sanduichão caro. Mas estávamos com fome, perdemos toda a noção de economia naquele momento dramático.

Algum tempo depois, chegou a encomenda. Três marmitex dentro de uma sacola. Abrimos um, era arroz. O outro, salada e o terceiro, uma espécie de lasanha. Devem ter errado a encomenda. Olhamos outra vez na sacola, havia um pão de sanduíche.

-Ah, erraram mesmo, olha o Bauru aqui. - Dave pegou o sanduíche. Mas o pão estava vazio e fechado. ??? Liguei novamente lá e pedi a ela que me explicasse a entrega.

-Este é o Bauru. O pessoal vem de fora e acha que bauru é sanduíche, mas não é, é isso aí. Se quisesse sanduíche tinha que ter pedido "Bauru ao pão".

Hein??? Então aquilo era o Bauru?? A tal lasanha na verdade eram os pedaços de filé submersos no molho de tomate e cobertos por queijo mussarella. Então tá, né? Nunca vi isso. Nem em Bauru.

Tentamos improvisar com o que tínhamos, colheres de plástico. Tente cortar carne com colherzinha de plástico. É um esforço ridículo. E inútil. Lá fui eu ligar para a recepção, pedir talheres. Pediram para eu ligar para a copa, mas ninguém me atendia lá e ameacei engrossar. Trouxeram dois garfos e duas facas.

Comemos a coisa. Ou o que aguentamos comer, porque era coisa demais. Rimos do ridículo da situação, já imaginando como contar aquilo depois. Dormimos, de janela aberta mesmo, felizmente não estava lá muito frio. Joguei a coberta cheia de ácaros para um canto e dormi coberta por um casaco.

Finalmente amanheceu e a primeira coisa que fizemos foi trocar de roupa e sair correndo. Tirei uma foto do lugar, mas descobri que o quarto era fotogênico. Não dá para ver nem a metade do horror que era aquilo. Estava quase sem espaço na máquina e não tirei foto do guarda-roupa descascado, da televisão caindo aos pedaços ou do frigobar jurássico. Nem mesmo os ácaros do aquecedor enferrujado registrei.

Porém, encontrei algo muito útil. Uma folha amarelada, daquelas em que o hóspede escreve o que achou do hotel. Escrevi. Fui sincera, inclusive, chamando o quarto de muquifo e mostrando minha insatisfação por não haver um "padrão Alfred de qualidade". Esculhambei o local muito bem esculhambado, nada exagerado, apenas o que ele fez por merecer.

Detalhei todos os problemas, desde a falta de atendimento ao telefone até as péssimas instalações do apartamento (com todos os detalhes sórdidos). Deixei meu nome, e-mail, telefone, etc... estranhamente, ninguém entrou em contato comigo até o presente momento.

Saímos da coisa. Finalmente. Pegamos a estrada, cansados, pensando em dar uma volta pela serra e retornar a Porto Alegre. Triste a lua-de-mel terminar com a lembrança daquele hotel horrendo em nossa mente.

Complicado, era sábado e as cidadezinhas da serra não entendem que as pessoas costumam viajar no sábado. Quase todas as atrações para os turistas são de segunda a sexta. O museu em Garibaldi estava fechado, tentamos almoçar, mas o único restaurante decente que encontramos, que me pareceu filiado à igreja católica local, tinha boa comida, mas muitas moscas sapateando sobre ela.

Fomos a um mercadinho ali ao lado, perguntamos se havia algum outro restaurante legal por ali.
- Já foram naquele ao lado da igreja?
- Sim, já.

Ela nos olhou intrigada, como se não houvesse nada melhor por ali, e chamou o marido.

- Tem algum outro restaurante bom por aqui?
- Eles não foram naquele ao lado da igreja??? - Perguntou, espantado.
- Foram, foram sim.

Nos olhou com a mesma cara dela, mas deu algumas idéias, todas rejeitadas ao vermos as caras das comidas.

Definitivamente, somos seres urbanos. Estavamos quase voltando para Porto Alegre para almoçar em algum shopping e ver civilização, quando Dave teve uma idéia que salvaria todo o final de nossa lua-de-mel.

(continua no próximo- e último- capítulo)

PS: Bia, desculpe, falei outra vez em comida...risos... e Lu, eu estava vestida mais ou menos como na foto abaixo, mas um pouco mais descabelada, já que nesta foto o cabelo ainda estava úmido e, consequentemente, sem metade do volume que ele costuma ter. As fotos estão meio tortas, mas dá para ter uma idéia...risos.. Só que lá a camisete (a mesma do casamento) estava um pouco mais aberta, mostrando a blusa vermelha por baixo (a branca é meio transparente, mas é discreta). Como vê, não estava fantasiada de alienígena.



Mais um PS: Coloquei, na coluna laranja, links para alguns textos meus que gosto e que estão soterrados nos arquivos intermináveis do blog.



Algumas coisas

Eis que o universo conspira para que não haja mais post novo neste blog. Isso é recorrente. Argh. Bem, o grande vilão dos últimos dias foi o frio. E o fim de semana. Todo mundo sabe que tem sido complicado postar nos finais de semana (final de semana para mim é especificamente sábado e domingo).

Mas está muuuito frio aqui. A bem da verdade acredito que esteja mais frio aqui dentro do que na rua (além de tudo este apartamento ainda é gelado como um freezer). Planejo vencer a letargia que me acomete toda terça-feira e sair um pouco. Mas um trovão retumbante me anuncia (ou ameaça) chuva, para breve.

Por que é que tem que fazer tanto frio neste lugar? Caramba! Eu não nasci mesmo para frio. Em Gramado, no final de semana, chegou a menos cinco graus. Felizmente não estávamos mais lá...risos....

Não consigo acessar meus e-mails do hotmail, sabe-se lá por quê. Há dois dias que tento acessar e nada. Essa impotência diante das coisas eletrônicas me tira do sério. O bol de vez em quando também dá piti. O Pop, nem se fala. Costumo pedir a quem me manda e-mail para enviar cópia a dois ou três outros e-mails meus, para garantir. Quais são as chances de todos eles darem curto ao mesmo tempo? Não responda.

Há alguns séculos eu costumava postar quase que diariamente as pesquisas esdrúxulas que traziam pessoas a este blog. Não apenas pesquisas esdrúxulas, algumas até sérias, mas que certamente frustram os internautas que aqui chegam através delas.

Hoje encontrei algumas estranhas. Alguém entrou aqui procurando por fotos sensuais de Carolina Dieckmann. Assim, sem aspas, encontra qualquer coisa em qualquer lugar, menos o que estava procurando.

Depois chegaram aqui buscando "fotos de cobra engolindo pessoas", igualmente sem aspas. O pior é que, na bagunça de frases que o cadê encontrou com cada uma dessas palavras, uma delas, totalmente fora de contexto dizia: "Não briguem comigo, também fiquei com fome ao ver esta foto".

Hein? Alguém ficou com fome ao ver foto de cobra engolindo pessoas? Vou lá ver quem é essa doida. Ok, não engano ninguém. Se você entrou aqui por engano, o engano foi todo seu. Da próxima vez procure a frase que quer encontrar entre aspas, senão a ferramenta procura as palavras soltas.

Houve também outro fazendo uma busca recorrente: " Fotos Homens de Sunga". Juro que nunca postei uma mísera foto de homens de sunga neste blog para merecer tal lugar de honra no Google, mas é bem comum encontrar esta frase nas pesquisas que trazem gente aqui. Nada pior do que o quase diário "Acompanhante Travesti", igualmente sem aspas.

Mas há pelo menos menos duas pesquisas que diariamente trazem pessoas a este blog e que me preocupam. Uma, relacionada ao Blaster. Editei o post em que eu falava do vírus, colocando agora um link para um site do Terra que ensina como resolver. Antes até e-mail pedindo ajuda sobre o vírus eu recebia. Agora acho que facilitei a vida de alguém.

Outra pesquisa é, quase sempre "remédios abortivos" ou "métodos abortivos", "remédios que podem ser abortivos" e o de agora há pouco "remédios abortivos em casa". O link geralmente leva as pessoas a este conto. (Marcelo, as palavras em negrito são links :)...risos... )

Isso me preocupa. E muito. Imaginar que existe uma menina procurando remédios abortivos no Google, prestes a, sei lá, arriscar sua vida e sua saúde com uma coisa dessas. A personagem do conto também pensou nisso, mas ponderou que ninguém sabe nada da vida e que, passada a tempestade, aquilo poderia revelar-se um presente.

Se fosse uma vez ou outra, ainda vá lá, mas isso é todo dia!! Várias vezes ao dia. Na verdade quase todas as vezes que dou uma olhada no bravenet para ver de onde o pessoal vem (e mostra apenas as dez últimas visitas) tem uma pesquisa dessas. É muita gente.

Não quero entrar no mérito da questão, se deveria ser legalizado para evitar que meninas se expusessem ao risco de clínicas clandestinas e remédios sem receita médica, mesmo correndo o risco de virar procedimento de rotina, e acabar virando uma espécie de método contraceptivo alternativo. E ninguém duvide que isso aconteceria.

Não quero discutir aborto aqui porque nunca se chega a conclusão nenhuma. A minha opinião pode não ser a sua e cada um tem seus argumentos para julgar correto o que pensa. Mas me deixem dizer, por um segundo, o que se passa entre minhas orelhas em relação a isso.

Duvido muito que alguém ache legal a idéia de tirar o próprio filho (se bem que tem louco para tudo neste mundo). Duvido mesmo que alguma garota diga "puxa, que legal, vou fazer um aborto". Essas meninas só pensam nesta saída no desespero, lutam contra suas consciências e até mesmo contra seus instintos. Abortar é um covarde ato de coragem. Arriscar-se desta forma, podendo ter algum problema grave, ficar estéril ou até mesmo morrer...

Cada uma tem seus motivos, e me preocupo com o que pode estar passando pela cabeça dessas meninas. Me preocupo mesmo, como se as conhecesse. Nem sei o que fazem, se olham para o texto e fecham a janela, se encontram o tal remédio, tomam e conseguem abortar. Se pensam no filho depois, se seguem a vida com essa lembrança pequena e dolorida de uma escolha do passado.

Vi uma moça esses dias que fez um aborto, depois se arrependeu e queria de qualquer forma engravidar outra vez para ter de volta o filho que perdeu, está fazendo tratamento. Mas não volta. Pode até ter outro bebê, mas aquele que ela teria, não volta mais. É algo com o que eu, particularmente, não conseguiria lidar. Por isso preferiria assumir, enfrentar todo mundo, enfrentar a mudança de vida, mas não precisar carregar uma lembrança dessas até o final dos meus dias.

Sinceramente, acho que deve amargurar alguma ponta do coração para conseguir se convencer de que foi o melhor a ser feito e não se arrepender. Existem outras formas de se resolver um problema, a principal delas é enfrentá-lo. Nisso eu me identifico com a personagem do conto (embora muitas coisas que passam pela cabeça dela não passarem pela minha), se eu tenho direito sobre o meu corpo, me previno agora, enquanto o corpo é apenas meu. E é torcer para dar certo.




Quinta-feira, Julho 08, 2004


Capítulo IV

O Fondue


Na foto dá para ver a carne assando na pedra e os potinhos de molho..e um troço com dois olhos e uma vela dentro...ui...

Não, eu nunca tinha comido fondue na vida. Dave também não. Nas noites anteriores tínhamos ido a um café colonial (para quem não sabe, é um lugar em que entopem sua mesa de bolos, salgados, biscoitos e outras comidas, até você não aguentar mais e implorar para que parem), também fomos comer um cheese salada (desejo noturno...risos....), mas ainda faltava a noite do bendito fondue, que se atirava à nossa frente.

Depois do problema com o carro, fomos ao fondue. Primeiro, a entrada (ei você, cuidado, a entrada é paga e ninguém te avisa disso), azeitonas, queijo cortado em cubinhos, pedaços de pão e alguns molhos para você escolher. Talvez tivesse outras coisas, mas não me recordo no momento.

Sou esperta. Entradas em fondue têm a mesma função do buffet de salada no rodízio da Pizza Hut ou das lasanhas e massas em outros rodízios de pizza em que já fui: encher a sua barriga para que você economize o prato principal. Comi um pouquinho e passamos para o fondue propriamente dito. De queijo suíço. Obviamente derretido, com os buraquinhos suíços igualmente derretidos. Um pote com batatinhas pequenas "de casca comestível" como fez questão de explicar o garçom, e pedaços de pão. Elegi o pão, mas também afoguei batatinhas no queijo.

Então o fondue foi embora e lá veio um fogareirozinho com uma pedra vulcânica quadrada e achatada (que para mim parecia mármore). Um prato cheio de carne crua e um monte de potinhos de molho. A idéia é a seguinte: enche-se a pedra de sal (para não grudar), joga-se (delicadamente) um pedaço de carne sobre o sal e espera torrar (sim, porque eu detesto carne mal-passada). Pedimos para trocar o frango e a carne suína por filé mignon e ficamos lá, romanticamente torrando carne até nos entupirmos.

Não sou lá muito chegada em carne, Dave é altamente carnívoro, em alguns períodos da minha vida carne não fazia parte do cardápio. Hoje como carne com ressalvas (embora seja meio difícil encontrar carne com ressalvas por aí), deve ser muito bem passada (se estiver cor-de-rosa, esquece!), bovina e sem gordura. Literalmente, deve ser seca e esturricada. Fiz isso com o filé e acho que nunca comi tanta carne na minha vida.

Chata, sempre que peço filé grelhado em algum restaurante, faço dois ou três cortes e peço para grelhar mais um pouco. Desta vez a carne estava sendo assada por nós e pudemos fazer do jeito que nos agrada.

Depois da carne, a sobremesa. Fondue de chocolate e potes com frutas: uva, morango, pedaços de maçã, mamão, melão, abacaxi e banana. Elegi o morango e o Dave preferiu a banana, mas experimentamos todos, menos o abacaxi (que costuma fazer peeling em minha mucosa bucal...argh). Comemos, comemos e tomamos suco de uva natural.

Saímos de lá felizes e entupidos de comida...risos...a idéia era viajar no dia seguinte, dar uma voltinha pela serra antes de voltar para casa. Saímos cedo, sem saber ao certo para onde iríamos. Traçamos uma rota qualquer no mapa e a seguimos. Passamos por Nova Petrópolis e o carro começou a falhar. Parávamos, o motor esfriava e ligava denovo. E lá fomos nós, até chegar a Caxias do Sul.

A idéia era ir a Veranópolis, mas tivemos que passar em Caxias mais tempo do que o desejado por conta dos problemas com o carro. Quase chegando no centro da cidade, o motor parou, exatamente da mesma forma que aquele dia, em Gramado. Felizmente pudemos estacionar e não ficamos no meio da rua.

Atrás de nós uma Van escolar. Dave conversou um pouco com o motorista e depois entrou no carro novamente. Ficamos pensando no que fazer e o rapaz do transporte escolar bateu no vidro:

- Oi - estendeu um papel - Esse é o número do telefone de um mecânico de confiança, tio meu, ele é muito bom e poderá te ajudar.

Dave agradeceu e telefonou para o cara, combinou com ele de ir ver o carro, disse onde estávamos, etc, etc, etc...

Passou meia hora e nada. Achei melhor pegar outros telefones de mecânicos e hotéis, afinal de contas, aparentemente, teríamos que passar a noite ali. Saí para procurar hotel por perto, andei duas quadras e nada. Entrei em um salão de cabelereiros e pedi uma lista telefônica emprestada. Anotei tantos telefones quanto pude e voltei para onde estava o carro.

Prometi a mim mesma que, uma vez de volta ao carro, não sairia sozinha novamente naquele lugar. Não que fosse perigoso, mas era incômodo demais. Todo mundo olhava para a minha cara como se eu fosse um ET. Não, eles não estavam admirando, achando bonita, o que fosse, estavam espantados ao ver aquele ser alienígena com volumosos cabelos crespos descoloridos, saia azul florida, tamanco plataforma e camisete branca sobre blusa vermelha. Eu estava normal. Mas não consegui convencê-los disso.

Antes que me enviassem ao zoológico ou a algum centro de pesquisa, consegui chegar ao carro. Os mecânicos já estavam lá (finalmente), conjecturando sobre o que acontecera. Entrei e fiquei esperando, no banco de trás. Fomos à oficina e lá dei início à operação "procurando hotel" sem saber que meu esforço seria em vão.

...continua...




Fotos

Recebemos ontem as fotos do casamento, tiradas por um fotógrafo profissional, com uma câmera convencional, daquelas narigudas. Ficaram ótimas! Quem me conhece sabe que raramente eu me acho bonita em alguma foto (muito embora essa declaração possa contrastar com o fato de eu colocar quinhentas fotos da minha cara neste blog, mas eu acho que não tem nada a ver uma coisa com a outra.), mas aquelas fotos do cartório ficaram tão lindas, mas tão lindas que até eu me achei bonita nelas!!!

Nada que a esposa do fotógrafo não pudesse destruir em poucos segundos, com um simples comentário. Ao me ver, exclamou, surpresa:

- Mas é ela mesmo??? Menina, eu jamais te reconheceria, você está muito diferente das fotos, nem parece a mesma pessoa!! Eu não te reconheceria nunca!!

Obrigada, tia. Mesmo todo mundo tentando me convencer depois que ela não tinha reconhecido por causa do cabelo (no dia eu estava com ele ao natural, crespo, volumoso e solto e nas fotos, ajeitadinho com escova e baby-liss), acredito que eu seja uma espécie rara, daquelas que pessoalmente são uma coisa, nas fotos, outra, completamente diferente.

E reforça minha idéia de que eu sou meramente fotogênica, o que é ótimo. Ao menos em algum lugar eu fico bem...risos...e, quem sabe, daqui a uns trinta anos, eu possa mostrar as fotos do casamento aos meus filhos e netos, sem revelar a eles que eu era fotogênica, fazendo com que acreditem que mamãe era mesmo bonitinha daquele jeito :) E quem precisa saber?

Como não tenho autorização para colocar as fotos das outras pessoas aqui, recortei-me delas e, como também não gosto nem um pouco de aparecer, resolvi postar aqui :) (Aldy, te disse dia desses que pararia de colocar fotos minhas no blog, não é? Bem, eu vou parar, sim, não menti...risos...)





Ah, falando na Aldy, ela pediu que eu postasse uma foto do bolo do casamento, já que postei o do noivado, lembram-se? Pois é, então a pedidos, o bolo:


As flores e as alianças foram colocadas pela mãe do dave, que achou o bolo pálido demais...risos...as alianças são dela e do marido. Eles não usam porque elas são muito grossas (dá umas três da nossa), o que não seria empecilho para mim, mas eles são pessoas discretas....

Não briguem comigo, também fiquei com fome ao ver essa foto....

E, por fim, este cabelo assinando o documento sou eu:





Terça-feira, Julho 06, 2004


Oi. :) Sei que ando em falta, mas eu vou terminar a série "Lua-de-Mel" antes de começar com posts mais atuais. Final de semana não tive tempo para escrever, por isso abandonei o blog nesses dias. Mas acho que tenho mais uns dois textos para terminar a série, apenas.

A vida de casada, como imaginei, não difere muito da de solteira. A impressão que dá é que agora está tudo no lugar em que devia estar. As desvantagens são poucas e geralmente trazem vantagens que as compensam, por exemplo: a desvantagem maior é perder a madrugada, dormindo e acordando super cedo. Mas dormir com quem se ama e assim escapar do frio congelante que faz aqui de noite é compensador.

De resto, finalmente aqueles dias alucinados de antes do casamento acabaram e acho que terei um pouco mais de tempo e calma para fazer as coisas que gosto, o que é ótimo.

Minha mãe leu o blog dia desses e gostou bastante, disse que também tem aqueles Flash-backs fora de ordem, como descrevi (lembrem-se, palavras em negrito são links). Deve mesmo ser genético...risos....

Ela disse, citando o texto sobre a Aline, que escrevo como se fosse um conto, como se fosse ficção, não uma história que realmente aconteceu (entendam que isso não foi uma crítica, ela acha legal essa característica). Dave, ao ler o mesmo texto espantou-se:

- Como é que você consegue se lembrar de todos os diálogos?

Puxa, eu esqueci metade deles...risos...lembrei apenas dos mais importantes, que escrevi. Algumas coisas, que não tinha certeza de quem tinha falado, deixei de escrever e até pensei em perguntar a ele. Já pensou?? Se ele não se lembrava nem do que eu lembrei, imagina do que eu esqueci?...risos...

Mas minha memória é assim. Funciona para algumas coisas, por curto período, aí anoto, antes que me esqueça. Depois, não funciona mais...risos... Portanto, cuidado com o que me diz, eu não costumo esquecer...risos... (isso soou como uma ameaça..)

Fora isso, deixe-me ver...ah, sim, consegui responder comments de dois posts. Lentamente chego lá...risos... como todos deveriam saber, as respostas dos comments estão no Another Comment e o link permanente para este blog está na coluna laranja, no alto, logo abaixo de "Também estou em". Daqui a pouco posto o texto de hoje. Desculpem o desaparecimento e o silêncio. :)

De resto, posso fazer propaganda e dizer que Edmund Bonaparte voltou a escrever regularmente? Adoro aquele lugar. E queria fazer uma pergunta, talvez alguém saiba me responder. O que aconteceu com o Junior do Caju? Ele simplesmente desapareceu!!! Faz tempo que era para eu perguntar isso, caso alguém saiba...


Parte da Pousada Recanto da Lua, vista do quarto em que ficamos (ótimo, sem carpete).






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