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Vanessa/Female/21-25. Lives in Brazil/Rio Grande do Sul/Porto Alegre/Higienopolis, speaks Portuguese and English. Spends 20% of daytime online. Uses a Slower (28.8k-) connection. And likes Escrever/Ler.
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Desde 25 de Agosto foram...
[AD-SIZE][AD-SIZE] Heiter Lampert não usa esse pseudônimo para se esconder de alguém,nem tampouco procura manter-se no anonimato,escolheu lançar mão desse expediente porque cansou de ver as pessoas usando seu nome em vão. 24 anos,trancou o curso de jornalismo,mas não deixou de escrever nem por um minuto. Doadora de sangue,não bebe,não fuma e não usa nada que possa estragar o precioso líquido vermelho que corre em suas veias. E-mail de Heiter Lampert.

Sábado, Agosto 28, 2004


Esse tempo que não passa...


Eu sei, hoje é sábado. Amanhã é domingo, depois segunda e então, terça. São poucos dias, alguns poucos dias que se arrastam porque quero que passem rápido demais.

Dias não me obedecem. Para dizer a verdade, quase nada me obedece. Nem meus gatos me obedecem.

Quem sabe eu devesse tentar dar ordens, assim, alguém, quem sabe, me obedeceria.

Não levo jeito para dar ordens, embora às vezes pareça dar. Não levanto a voz de propósito, é o sangue baiano que me faz falar mais alto do que deveria, ou parecer estar brigando quando o intuito é apenas conversar.

Hoje falei pouco. Falei baixo. Esperei que o dia passasse, e a noite veio rápido. Tento me encher de coisas para fazer, assim, certamente, o tempo voa. E não dá tempo de fazer a metade.

E nem sei de mim agora. Sempre que fico longe deixo de saber de mim. As coisas são estranhas dentro da minha cabeça, acredito que sejam estranhas na cabeça de todo mundo.

Todo mundo, não, algumas pessoas são normais, equilibradas, vivem a vida e pouco pensam, pouco sofrem, pouco vivem.

Existe gente assim.

Para eles talvez, os dias passem. Ou talvez não. Talvez eles nem se dêem conta. Talvez eu esteja imaginando coisas demais.

Conto os dias, conto as horas e elas, tímidas, teimam em não passar. Não querem ser vistas, nem querem ser notadas e quando as esqueço, aqui, entre os arquivos do computador, correm desesperadamente, porque horas não podem se atrasar.

Terça-feira saio daqui. Estou sozinha, por enquanto. O pessoal já viajou e estou cuidando dos bichinhos e da minha avó. Agora, sem os gritos da Raíssa, a movimentação intensa de gente por todos os cantos, a cidade ficou ainda maior.

Maior, mais vazia, mais cinza... um pouco mais de solidão ecoando pelas ruas escuras. Preciso sair.

Arrumei as malas, meu recorde. Sempre deixo para arrumar na última madrugada, agora preferi fazer as malas com três dias de antecedência, esperando, quem sabe, que os dias se apressem a passar, afinal de contas, as malas já estão prontas, o coração está pronto, está tudo pronto, vamos, vamos, passem, passem logo que eu não fui feita para esperar.

As horas estão passando, os dias, não. Alguém entende isso? Horas que passam e teimam em não se transformar em novo dia. Quero outro dia. Mais dois. Três. Dias sobrando para que não esteja mais sozinha, não me sinta mais sozinha, nem estagnada, nem flutuando entre duas realidades, sem pertencer a nenhuma delas.

Que estranho.

Tentei diminuir o ritmo, tentei acelerar. Acho que o jeito é tentar deixar de lado a ansiedade e esperar que o tempo passe. Porque ele sempre passa. Quem sabe, torcer para que não passe. Tentar aproveitar cada segundo. Tempo é um ser do contra, e, provavelmente, se eu não quiser, ele passe.

É isso. Testar todas as fórmulas, todas as formas de diálogo com o tempo, com os dias, com as horas, com os minutos, os segundos e quem mais quiser entrar na roda e conversar.

O tempo vai passar. E passa. Sempre passou. Durante um tempo eu sofri porque ele passava e eu continuava, estagnada, perdida. Dizia que o tempo me atropelava. Hoje eu atropelo o tempo. Um meio-termo seria mais inteligente. Quem sabe, esperar.





Help!

Tudo bem que não tenho respondido, mas estou carente. Alguém, por favor, pode me mandar um e-mail simpático?...risos... Será que as pessoas demoram a me escrever porque eu demoro a responder quando elas finalmente me escrevem? É o preço de ser tão desorganizada...e perfeccionista. Já viu uma perfeccionista desorganizada? Prazer, eu mesma.

Não admito responder de qualquer jeito, então espero ter mais tempo para responder feito gente. Ocorre que nunca acho que o tempo que tenho é suficiente, então acontece de passar um século e eu não responder a pobre pessoa. Ou pior, responder depois de um século, que é o que costumo fazer.

Quer saber? Resolvi me livrar desse perfeccionismo idiota e fazer o que tiver de ser feito, ainda que não saia 100% do meu agrado. Creio que, com um pouco de esforço, eu consiga.

A propósito, um recado: se tem alguém tentando te convencer de que sou uma pessoa ruim (ainda que na sua cabeça), ignore. Se fui ríspida com alguém, creia, tive motivo. Meu pior defeito é ser sincera demais e ter um sério problema de intolerância à falsidade.

Devo mudar isso? Talvez. Aprender a ser mais condescendente, manter relacionamentos superficiais ao invés de cortar comunicação com quem eu sei que não gosta de mim, mas que insiste em dizer o contrário. Hum...admiro quem consegue isso. Um dia... prometo tentar.

Mas sem brincadeira, estou carente e sozinha. Recebi alguns e-mails na semana que passou, mas a semana que passou já passou, gente, e eu não me importo em chorar aqui e me descabelar por mais um pouco de atenção. Pleeeeeease!!! Qualquer atenção (que não seja "adorei seu blog, passa lá no meu"...risos...)

Aguardo a manifestação de almas caridosas e solidárias em alguma das minhas milhares de contas de e-mail. Tem uma linkada aqui, no info, lááááá embaixo, na coluna laranja. Pode ser aquela mesma.

É feio fazer um post pedindo atenção? Mais feio é ficar em casa, triste, me sentindo sozinha e abandonada e fingir que está tudo bem. Não está. Argh!!

Dá para ver que estou neurótica, escrevi três posts em um dia. Na verdade o anterior já estava pronto há uns dois dias, mas não quis postar junto com o da prisão porque não tinha nada a ver.

Continua não tendo nada a ver, mas se eu não postasse agora, não postaria nunca mais.

Pronto. Agora vai esse e depois o último. Só por isso dá para notar o nível de stress da criatura. Não parei o dia inteiro. Agora vou sair de novo. Argh outra vez!!! Estou com fome. Preciso manter meu peso elevado :) Em Porto Alegre cheguei a pesar 52 Kg !!!

Alguém deve querer chegar aos 52 Kg, eu não. Fico horrível, ossos aparecendo, olhos enormes, um cabeção. Estou com 59, bem feliz. Se não comer, os 59 Kg não vão querer continuar fazendo parte de minha felicidade. Então despeço-me de vocês por enquanto. Tenho um compromisso inadiável com o meu estômago.



Auto-Boicote

Vivemos em uma sociedade esquisita. Devemos esconder dos outros o que somos, ou fingir que não conhecemos nossas qualidades. Não sabemos responder um elogio, com medo de parecer arrogante. "Nossa, seu cabelo está lindo", alguém diz "Isso é porque você não viu as pontas dele. Sem contar que está entupido de creme, para ficar apresentável", tratamos de explicar. Não é mais fácil dizer "obrigada"?

Auto-imagem negativa, baixa auto-estima, tudo isso é perfeitamente aceitável, mas se a pessoa tem segurança do que é, assume suas qualidades ou tem uma auto-estima razoável, a população complexada já trata de rotulá-la de arrogante ou tenta, de todas as formas, colocar um complexo ou outro, com comentários elegantemente depreciativos, como ressaltar algum defeito (isso é feito com perfeição por mulheres, homens têm mais o que fazer, creio eu).

Talvez porque uma pessoa com auto-estima legal seja uma espécie de lanterna, direcionada para os defeitos dos outros, ou melhor, se uma moça de cabelos lindos conversa com você e você percebe que ela sabe que aqueles fios sedosos e cheios de brilho são lindos, é como se os seus cabelos ressecados, quebradiços e opacos ficassem em evidência.

A beleza da moça te mostra o quanto você é horrível. A mente feminina logo trata de fazer uma vistoria da criatura para detectar um ponto crítico, por exemplo, se a menina tem seios pequenos e os seus são enormes, o cérebro logo capta que você está em vantagem nessa área e, ainda que elogie o cabelo, acabará por fazer um comentário sobre o ponto fraco:

"Menina, não consigo comprar sutiã, está tão difícil de encontrar o número 46..." Como se dissesse: "É, seu cabelo é lindo, mas seus seios são minúsculos, estamos quites". Para evitar isso, costumamos depreciar até mesmo nossas qualidades, na esperança de receber um elogio sincero.

Algumas pessoas se incomodam quando falo que sou inteligente. Não falo para convencer ninguém, porque é algo que nem precisa ser dito (putz, essa foi pior...risos...), mas nem por isso devo ficar censurando textos que tragam essa informação.

Não me lembro de ter escrito alguma vez "eu sou inteligente", de graça. Sempre existe um contexto em que a informação esteja inserida. É algo natural, que tenho certeza de que sou e não escondo, não me orgulho, também não me envergonho, é como dizer que calço 38.

Aliás, teve uma época em que se eu comentasse meu peso no news do UOL era recriminada. Retruquei que se eu pesasse oitenta quilos e comentasse isso ninguém diria que eu estava querendo aparecer. O que podia fazer se estava com 55 Kg? (Agora estou com 59 :) êba! ) Era um fato, não me peça para esconder.

Quanto à aparência física, eu não me acho bonita mesmo, me acho estranha. Mas sei que devo ser ao menos um pouco bonita, afinal de contas eu não sou burra e um milhão de moscas não poderiam estar erradas, não é mesmo?

Mas o mais importante, eu tenho coisas mais interessantes do que um cabelo brilhante e sedosos (que não tenho) ou um busto 46 (que tenho :) ). A auto-estima engloba tudo, mas você tem que saber quem é, de verdade. Tá certo, eu não sei muito bem. Mas ninguém precisa saber disso, não é? Para que insistir no auto-boicote? Podem falar mal de mim, eu não falo mais.




Quinta-feira, Agosto 26, 2004


Prisão Domiciliar

O pessoal viaja sábado e minha volta foi adiada para quarta-feira. Desespero é pouco, não? É completamente irracional e ridículo sentir saudade sendo que daqui a seis dias o verei novamente e continuarei vendo pelo resto da vida. Mas sinto, mesmo assim.

Esse negócio de amor é mesmo ridículo e irracional. E bom, muito bom. Bem, já aprendi que o tempo passa rápido e nem vale a pena ficar sofrendo, sendo que logo estarei de volta. Ok, agora avise isso ao meu cérebro.

A cirurgia do Nermal, felizmente, foi rápida e sem complicações. Ele voltou para casa na tarde do mesmo dia e me deu um pouco de trabalho nas quarenta e oito horas seguintes. Escrevi, esses dias todos, em um caderno. Transcreverei todos os textos para o Gateira, assim que chegar em casa. E aviso aqui.

Ainda não percebeu que não tem mais aquela coisa e de vez em quando ainda coloca as patinhas na boca, desconfiado, depois de comer alguma coisa. Mas nem se compara com o que era antes. O veterinário encontrou uma unha inteira cravada na massa crescida da mucosa. Imaginem isso!

Mas agora ele está bem legal, brincando, tomando água, passeando...só ainda não voltou a comer direito, deve estar com medo de sentir dor novamente. A veterinária disse que com o passar dos dias ele vai voltando ao normal.

Agora essa. Minha mãe vai viajar a negócios, para o Rio Grande do Sul e eu vou ficar por aqui, porque alguém tem que cuidar do gatinho em recuperação e me recuso a deixá-lo em um hotelzinho.

Eles cuidam bem, eu sei, o problema é ele. É apavorado demais, mimado demais, dependente demais para ficar quatro dias sozinho, cercado de pessoas estranhas. Não sei se ele é assim tão frágil quanto eu acho que é, mas prefiro não arriscar para saber.

Enquanto isso, namoro à distância. E-mails, telefonemas, essas coisas às quais nos habituamos nos primeiros quatro meses de namoro.

A parte boa é que vou ter mais tempo e sofrimento para escrever :) Por enquanto em cadernos, mas terei muito trabalho a passar para o computador quando voltar.

Outro ponto positivo é fugir do frio. Aqui está quente. Infelizmente, seco demais, mas meu organismo- pasme- está mais acostumado ao clima seco do que ao super-úmido de Porto Alegre.

De resto, tudo vai bem. Agora poderei postar com mais frequência, o que me deixa um pouco menos histérica. Quem sabe ainda consiga postar um texto decente hoje ou mesmo amanhã. Assim espero. Alguém espera comigo?

PS Correria vai ser quando chegar, arrumar coisas, mudança, viagem....argh...felizmente ainda existe uma cabeça sobre o meu pescoço, bem fixa, caso contrário, complicaria.





Sábado, Agosto 21, 2004


Notícias Rápidas
*
Nermal está bem, mas com cirurgia marcada para segunda-feira. Há uma inflamação, um crescimento anormal na mucosa da bochecha que deve ser retirado porque ele não está conseguindo se alimentar direito. Amasso a ração e depois umedeço com água, fazendo um mingau de ração, só assim ele consegue comer, e bem pouquinho.

Mais detalhes, quando eu voltar (embora eu vá escrever outras notinhas durante minha estada aqui). Risco sempre existe, agravado pela idade avançada, mas não há outra saída. Vamos torcer.

Hoje comemoramos dois meses de casamento. Que triste, separados. Mas no final de semana que vem devo estar em casa novamente, temos sentido muita falta um do outro. Nos falamos por telefone várias vezes ao dia e ele está em um ritmo de trabalho alucinado.

Precisava de mim lá, enquanto tem gente (e gato) precisando de mim aqui também. Complicado esse negócio de se sentir dividida. Mas com um pouco de esforço, consegue-se lidar bem com isso.

O ar em Campo Grande está quente, seco e com um leve aroma de fumaça. Época de queimadas. Esse clima me deixa cansada, exausta. Preciso de um meio-termo. Nem tão seco quanto Campo Grande, nem tão úmido quanto Porto Alegre. Alguém tem uma sugestão?

*Foto: Eu e Nermal, hoje à tarde, na sala da casa da minha mãe. Tinha uma foto melhor, mas ele se mexeu e saiu do foco.





Segunda-feira, Agosto 16, 2004


Indo, De Novo

Viajo nesta terça. Não me olhem com essa cara, vocês já deveriam estar acostumados às notícias súbitas deste blog. Vou passar alguns dias na casa da minha mãe, em Campo Grande, matar a saudade do pessoal e ver o Nermal, que andou meio doentinho na semana que passou. Como Dave é um indivíduo que trabalha, não poderá ir comigo. Com isso não fico mais do que uma semana porque é o máximo que consigo sobreviver sem olhar para a cara desse branquelo ser.

Ainda não terminei de fazer a mala. Pensar em encarar as 28 horas que separam Porto Alegre de Campo Grande já me cansa. Passei o dia comendo bobagem e pensando na vida, quando deveria terminar de arrumar a mala e dar um jeito na bagunça da casa.

Andei decidindo algumas coisas, para variar. Algumas em relação ao blog também. Acho que vou desativar o blog de comentários e voltar a responder os comments aqui. Vocês já devem ter notado que a minha idéia não funcionou, afinal de contas, acabei não conseguindo responder, nem lá, nem aqui. Melhor voltar à velha fórmula.

O negócio é parar de diversificar e centralizar as coisas no Another Monster mesmo. Até o Gateira não tenho atualizado decentemente. Falando nisso, acabo de atualizá-lo, com fotos da minha mais nova amiga felina e tudo o mais.

Entre textos e notinhas, muito mais notinhas do que textos ultimamente, este blog vem sobrevivendo satisfatoriamente. Li esses dias na Isto é, acho, que os Blogs são a adolescência da internet e que a maturidade são coisas como o Orkut, que começam a proliferar na rede.

Discordo. Nada substitui o blog para mim. Um espaço só meu, onde eu faço o que eu quiser, escrevo o que eu quiser, posto fotos da minha cara e ainda encontro quem leia e acha legal :)

O Orkut é mais ou menos, meio confuso, instável, cai toda hora e nem dá para participar de forma satisfatória. Ainda mais uma pessoa sem grandes paciências feito eu.

Sem contar que eu quero escrever. Gosto de escrever, meu negócio é ficar escrevendo compulsivamente, não conhecer gente. Ai, que ninguém me entenda mal. Não que eu não goste de conhecer gente, vocês, por exemplo, ou rever fulano ou beltrano que eu não via há séculos, não é isso. Mas conhecer pessoas não é meu principal objetivo na internet.

Na verdade não sei dizer se há algum objetivo em minha incursão pela rede. Tenho me aprimorado um monte no que eu gosto de fazer, não há comparação entre os textos que eu fazia antes dos blogs e os que faço agora.

Intimidade com as letras, com o teclado do computador, esse ser que me foi tão estranho por tanto tempo. Tempo em que eu não conseguia escrever nada que não fosse à mão (e nem queira saber o quão ilegível) ou datilografado, ouvindo o "tec, tec, tec" da máquina com fita de nylon bicolor ou do "pá, pá, pá" violento da maquininha eletrônica com fita de polietileno corrigível financiada pelo meu pai.

Falta muito ainda, mas nada é melhor do que a sensação de estar evoluindo em alguma coisa. Continuo nutrindo um amor nostálgico (e agora platônico) pela máquina tec tec, mas venci minha birra e consegui fazer amizade com o micro.

Além, é claro, das pessoas que conheci via blog. Os amigos, o namorado que virou marido, tantas histórias interessantes que eu não teria conhecido de outra forma.

Nada subsititui o blog para mim, que já é maduro o suficiente para que possa entender o que eu digo. Orkut é acessório, não troco o meu espaço (que em breve passará a ser ainda mais meu) por nada. Não importa o que me diga a Isto é.

PS: Hipácia, para que você não morra de curiosidade e pare de ter pesadelos com meus calendário de madeira, explico: Um dos dados tem os números 0,1,2,3,4 e 5. O outro tem 0,1,2,7,8 e 9 (que pode ser colocado de cabeça para baixo para fazer papel de "6"). Como você nunca vai ter um dia 33 no mês, por exemplo, nem 44, 55, não precisará de mais do que esses números para fazer as combinações necessárias. Os dados são móveis, são soltos e podem trocar de lugar quando necessário. Uma engenharia e tanto.

Confesso que quando o vi na loja cheguei a pensar: "Hum, esse dado está com defeito, não tem o número três!!" Mas Supermouse é meu amigo e logo Dave esclareceu o mistério, acionando seu cérebro de engenheiro pensante. Eu sou desligada. Des-li-ga-da. Quem imaginaria isso tudo, olhando assim, de relance?




Mantendo a Fé

Ela nunca foi ela mesma. Nunca soube se mostrar de verdade. Viveu a vida inteira atrás de máscaras, fingindo, mentindo, atuando o tempo inteiro. Às vezes maldosa, outras, demonstrando uma bondade que me fazia querer saber quem era aquela pessoa atrás de tantas mentiras. Mas nunca consegui.

Durante a adolescência me irritei diversas vezes com ela. Eu, defensora da verdade e do "ser você mesmo" e ela, dependente das máscaras, sem nem saber quem era de verdade.

Até que há bem pouco tempo percebi que gostava dela, ainda que não soubesse exatamente quem ela era, achava graça de sua forma de encarar a vida, embora nunca tivesse gostado de suas mentiras. Acho que o sangue falou mais alto quando inventei de gostar dela.

Conversamos da última vez, por telefone, e eu senti algum medo em suas palavras. Mas nunca consigo lançar uma palavra de pessimismo, e ainda acredito que ela vá sair dessa. Consegui animá-la naquele dia e ela foi mais sincera comigo, acho que pela primeira vez.

É uma pena, desperdiçou a vida sendo quem não era, foi infeliz, nunca se aceitou, sempre quis mostrar-se outra pessoa, tentou, tentou tantas vezes, abriu as portas erradas, fechou a porta certa.

Não me dou por vencida. Minha esperança não morre antes da palavra final. E não são os médicos quem dão a palavra final. Continuo torcendo por ela.

Era louca, no mau e no bom sentido, tinha pena de ver que ela simplesmente não tentava ser ela mesma, aceitassem ou não, e insistia em ser uma personagem inventada em algum ponto entre sua infância e a adolescência.

Teve chances e mais chances de se consertar, aprendeu da forma mais difícil coisas que poderia ter descoberto de outra forma. Não estou apenas triste por ela, estou torcendo. Sim, torcendo, orando, do meu jeito, sem dar bola para o que dizem ser "os fatos".

Eu gosto dela e sentiria a sua falta se eles estivessem corretos. Ninguém merece passar pela dor. Ainda espero, tia, que tudo dê certo, que você fique bem e volte para ler este e outros textos.

Passear contigo de novo, achando graça das coisas que você inventa, ver você ser você. Isso não combina contigo, isso tudo o que está acontecendo. Deitada em uma cama de hospital, sedada para não sentir dor, sem cabelo nem maquiagem, esperanças tiradas pelos homens de branco.

Eu não aceito, não aceito mesmo, não aceito nada antes que as coisas sejam reais. Eu espero te ver de novo, tia, bem, com aquele mega-hair loiro e aquelas roupas malucas que você sempre gostou de usar.

Eu não sei mais o que dizer. A respiração suspensa, a esperança forte, esperando, querendo, torcendo, você ainda está por aqui, eu não desisto, não desista também.




Terça-feira, Agosto 10, 2004


Do Lado de Dentro


Abaixo o tom de voz, ouço mais, falo menos. Sorrio discretamente e me escondo em minhas palavras. Finjo que não entendo, olho para o lado, para baixo, observo.

Durante muito tempo observei. Observei demais, falei pouco, com medo de falar bobagem. Há algum tempo o medo de falar bobagem passou, e passei a falar bobagem demais.

De alguns dias para cá tratei de abaixar um pouco o volume da Vanessa para ouvir o que tem ao redor. Resolvi parar um pouco de me cobrar tanto e esperar que tudo aconteça naturalmente.

Gostaria de ser mais organizada, gostaria de ser menos crítica, menos perfeccionista, mais pontual, menos ansiosa.

Novamente naquele momento da vida em que eu acho que preciso de uma desconstrução. Estou jogando fora o lixo e fazendo alguns ajustes no que sobra. Estou falando de dentro de mim.

Nunca deixo o lado de dentro parado muito tempo. Talvez mexa mais nele do que em meu próprio cabelo. Resolvi desligar os motores para ver o que está funcionando e o que precisa de reparos.

Qual é o meu problema? O que eu quero de verdade? Sinto falta de algumas coisas, de um pouco mais de atenção de todo mundo. Sou daquele tipo que quer todos os holofotes e quando eles se viram para mim eu não sei o que fazer e me escondo.

Me escondo dos olhos de todos. Atrás de um sorriso, de uma gargalhada, atrás dos óculos ou mesmo atrás de mim.

Quero atenção, mas tenho dispensado muito pouca atenção a quem precisa. Os dias correm rápido, as horas nos atropelam e acabamos não falando tudo o que queríamos, o que precisávamos dizer, acabamos deixando para falar amanhã, responder amanhã, entrar em contato amanhã e o amanhã nunca chega.

Pensamos e não falamos, sentimos, mas não expressamos, esquecemos que as pessoas não possuem a capacidade de adivinhar o que se passa entre nossas orelhas.

E deixamos o tempo passar...sem dizer o que queremos, sem tirar palavras sinceras do fundo da alma, para que alguém entenda, e saiba que é muito mais importante do que parece para nós.

E achamos que teremos para sempre o amanhã, para protelar assuntos importantes. Vivemos para pagar contas, pensar nas despesas, nos problemas, no futuro e deixar o resto para mais tarde.

E o presente? E o meu presente? Observar, falar, pensar, abaixar o volume do ego e ouvir o que tem ao redor. E sempre tem algo ao redor, digno de ser ouvido. Talvez algo que até ajude a resolver um problema mais complicado. Ou só ajude a entender.

Cansei das lágrimas, cansei dos sorrisos, deve ter mais alguma coisa além disso, algo entre o choro e as gargalhadas, algo que pareça calmo e ao mesmo tempo alegre. Algo que me faça sentir um pouco menos aberta e ser um pouco mais notada.

Ainda falo de dentro. Que ninguém me veja de outra forma, já que hoje só falo de dentro. E falo pouco. Há muito tempo não falo de dentro, e prefiro falar assim. Ainda que ninguém entenda, é assim que me sinto um pouco mais eu.

E falo comigo. Mais uma vez. Meio Ostra, novamente. Pensando como esses dois lados coexistem, nem sempre tão harmoniosamente. Uma Ostra ligada na tomada. Hoje, desliguei. Preciso um pouco desse silêncio para poder criar alguma coisa. Ninguém vive de verdade se não criar alguma coisa.

Eu sei que comi muito chocolate, sei que fiquei com preguiça de almoçar. Sei que tinha outras coisas para fazer, mas sei de minhas prioridades. Novamente para dentro. Achei que não conseguiria fazer isso de novo. Desacelerar. A gente vive desesperadamente para não precisar parar e olhar para si.

Gosto de olhar para mim. Para dentro. Para o que eu sou de verdade, para como eu estou. É importante. Não quero fugir de mim. Por isso paro. Respiro fundo, abro a concha e me escondo. Abaixo o volume de mim, para ouvir o que tem lá fora, para ouvir o que tem aqui dentro e que não é codificado em palavras. Para ouvir o que sinto.

Abaixo o tom de voz, secretamente. Isso sempre deu certo.



Garfield

Assistimos ao filme na estréia. Fui, como leitora do Garfield desde a mais tenra infância (meus irmãos tinham todas as revistinhas), fã incondicional do Jim Davis e de seu gato laranja.

Tinha visto, enquanto o filme estava só no trailer, alguns fãs do Garfield reclamando do Odie no filme ser vivido por um cachorro de verdade e não uma animação. Na verdade o único que é animação ali é o próprio Garfield.

Apesar do Odie ser um cachorro de verdade, é o Odie, não há dúvidas. Igualmente idiota, dócil e estúpido, com todos os detalhes de "personalidade" que fazem do Odie um Odie e um cachorro.

Jon também é Jon, indubitavelmente, mas o Jon dos quadrinhos não faz sucesso com as mulheres, muito pelo contrário! Liz interessada em Jon, só nos melhores sonhos do dono do Garfield, embora eu até já tenha visto uma tirinha em que ele sai com ela e se dá bem.

Ela também está muito jovem e saidinha, a Liz original é séria, quase antipática. E não usaria uma roupinha daquelas jamais!...risos...

Outros personagens que perderam as suas características: o cachorro assassino do vizinho virou um dobermann. Sempre achei que ele fosse, sei lá, um bulldog, um rotweiller, ou até um vira-lata mais encorpado. Aquele dobermann é muito esguio.

Outra, desde quando o Nermal é gato do vizinho? O Nermal é do Liam, amigo do Jon, que o deixa na casa do Garfield quando precisa viajar. E o Nermal não é ingênuo e retardado como aquele gato do filme, nem mesmo siamês (ou himalaio), ele é cinza, listrado, filhote e esperto, embora nem tão inteligente quanto Garfield. A graça do Nermal dos quadrinhos é ser jovem, ágil e fofo.

Irrita Garfield até seu último pêlo, faz questão de mostrar sua fofura e salientar o quanto Garfield é gordo, velho e ranzinza. O Nermal do filme é muito engraçado, mas não é o mesmo personagem.

Arlene também não é a mesma. Tudo bem, a dos quadrinhos é rosa, usa batom e tem um espaço entre os dentes. Mas também ela não precisava ser uma gata cinza! Me pareceu uma British Short Hair azul, American Short Hair azul (mais provável) ou coisa do gênero. Arlene, a meu ver, é vira-lata, talvez branca. E magrinha. E apaixonada pelo Garfield, que não dá muita bola para ela.

Mas no geral o filme é ótimo. Muito bom mesmo, com o mesmo humor inteligente dos quadrinhos, embora seja um filme ingênuo e divertido, para adultos e crianças. Não é qualquer animação que me anima...risos....essa merece.

Sem contar que o Garfield é o Garfield. A animação convence, não fica um troço estranho como o Scooby Doo do filme (que, diga-se de passagem, fui obrigada a assistir no ônibus para Campo Grande e odiei).

Li uma crítica em que a jornalista dizia: "Um gato gordo e preguiçoso, mas o sarcasmo habitual ficou abalado. Deixaram nosso miau mais bonzinho, não sei se no intuito de agradar mais o público infantil ou se para criar uma historinha de herói e vilão, onde ele seria o herói, na maneira americana de ver isto! Você, que acompanhou a trajetória gatuna, consegue imaginar nosso amigo atravessando uma cidade inteira, a pé, para salvar o cãozinho querido?"

Eu consigo imaginar. A tal jornalista deve ter visto algumas tiras do Garfield e nunca se aprofundou na personalidade do personagem. Garfield não é ruim, nunca foi. Ele tem é que manter a fama de mau, mas essa de salvar o Odie já aconteceu outra vez, em uma revista colorida chamada "Vem aí Garfield". Onde o Odie foi pego pela carrocinha e Garfield enfrentou todos os obstáculos para salvá-lo.

Inclusive no filme os animais saem do depósito municipal da mesma forma que na revistinha: por conta de uma criança que vai escolher um bichinho de estimação. Mas na revista ela escolhe o Garfield.

As críticas negativas que li sobre o filme foram escritas por pessoas que não sabiam do que estavam falando e achavam que sabiam. Como o cara que disse que Nermal do filme é fiel ao original e que Garfield jamais sairia de casa, por mais que quisesse salvar Odie, por causa de sua preguiça.

Quanto a isso, respondi: "Ele é preguiçoso, mas não letárgico, foi até o depósito de animais salvar Odie na revistinha que citei, em outra (Garfield nas ruas) ele se perde e reencontra sua mãe e se mete em uma enrascada com gatos de rua.Enfim, nem todas as histórias do Garfield se passam entre sofá e lasanha. Se conhecesse mesmo o personagem saberia disso."

Mas esse cara é um caso à parte, afinal de contas, seu texto começa assim: "Sínico. Pretencioso" ....hahahaha....pára tudo! Um jornalista que me escreve cínico com "s" e pretensioso com "c" não merece ser levado em consideração. Nem sei por que li o resto do texto.

Meus irmãos tinham a série completa de revistinhas do Garfield e eu comecei a ler bem cedo. Acho que com uns cinco anos já tinha acesso supervisionado a elas. Para mim era algo tão incrível que eu jamais pensaria em rabiscar, rasgar ou destruir. Mesmo assim o acesso era supervisionado...risos....

Talvez isso tenha ajudado a formar minha personalidade...não, não foi uma coisa ruim, apesar de ironia ser um fardo pesado, já que quase ninguém entende quando você usa. Ao menos era um humor inteligente, nada que trate criança como retardada ou que tire a "magia" e a beleza das coisas do mundo de ilusão.

Garfield sempre foi ingênuo, de coração mole, mas com toda aquela capa de ironia e egoísmo. Foi o que sempre me chamou a atenção nele, o fato de ele ser amável, mesmo não querendo parecer simpático. Pelo amor de Deus, adultos mal informados!!

Garfield não é maldoso, ser irônico e egoísta, no caso dele, não significa, necessariamente, ser ruim!! Gente que não consegue ver além da superfície.

O filme teve a mão de Jim Davis em tudo, cada parte do processo teve intervenção dele. Se o próprio autor autorizou aquilo tudo, quem somos nós, meros leitores, para reclamar? Embora eu não entenda a razão de ele ter descaracterizado Nermal e Arlene, fico feliz por ter visto o Garfield tão Garfield (e a animação é verossímil, embora fique meio estranho quando está no colo de alguma pessoa), o Odie tão Odie e o Jon tão Jon. Para a minha diversão, com o conhecimento que eu tenho sobre a coisa, basta.




Sábado, Agosto 07, 2004


E Choveu Ontem


Sobre o post deprê de ontem....é, era fome e desânimo. Nada que um bom banho, uma maquiagem rápida e uma saída ao pequeno shopping perto de casa para almoçar um strogonoff às três da tarde não pudesse resolver. E uma passada no centro da cidade, visita ao 1,99, pequenas compras, passeios pelas livrarias, olhando a multidão alucinada dos que têm um pai a quem presentear amanhã.

Fiquei bem. Tranquila, em paz, renovada, animada, feliz...nada que uma chuva repentina e um frio de rachar não pudesse estragar. Fiquei uma hora parada no frio, das cinco e meia às seis e meia, na chuva, congelando, já parecia noite e um monte de gente armada de guarda-chuva passava, olhando para a minha cara como se eu fosse um ET (isso é comum, já deu para notar, né?).

O trânsito estava um caos, chuva, engarrafamento e pedestres suicidas (já comentei aqui que os pedestres andam no meio do asfalto e insistem em atravessar em zigue-zague bem no meio da rua?), Dave demorou uma hora para ir de casa até o centro da cidade, percurso que não deve demorar mais de meia hora em dias secos.

Obviamente, observando a existência do Campo de Murphy, deveria ser bem óbvio para mim que após quarenta e cinco minutos de espera, no exato instante que eu resolvesse sair dali para ligar (orelhão, meu celular morreu) para o Dave ele chegaria. Imaginando poder enganar o Campo, esperei mais quinze minutos. Como ele não chegou, eu, preocupada e congelando, resolvi telefonar.

Ninguém atendeu. Liguei novamente.
-Dave? Onde você está?
- Aqui, te esperando, em frente à imobiliária.

Sim, ele chegara no exato instante em que saí para telefonar. Felizmente não tive hipotermia e consegui chegar viva ao shopping. Sim, fomos ao shopping, não o perto de casa, outro. Comemos uma comida boa, fomos ao cinema e voltamos para casa.

Depois de ontem, não importa o que resolver se abater sobre mim, não saio mais de casa. Ao menos não para ir ao centro em clara proximidade de chuva. Argh.




Sexta-feira, Agosto 06, 2004


Saudade e a Proximidade da Chuva

Hoje estou com saudade. Nem sei dizer exatamente de que ou de quem. Estou com saudade. Tanta coisa digna de saudade...e algumas nem tanto, mas que não posso evitar.

Lembro de toda a história, passo um filme bonito na minha cabeça. Fecho os olhos. Saudade de tudo. Saudade até de um tempo que ainda não vivi....como a gente pode ter saudade de algo que ainda nem aconteceu?

Estou dizendo isso para mim, não falo neste momento com ninguém. Estou com saudade e ela bate aqui dentro, escondida, sem que ninguém possa ver, sentir ou notar.

De algumas coisas não sinto saudade e quero distância, como doença e tristeza, mas de outras...e são tantas...

Quero, de alguma forma, afastar esses sentimentos porque saudade demais não traz nada de bom.

Acontece que hoje estou sentimental. Nostálgica, melancólica.....talvez seja o vento ligeiramente frio cortando o rosto, a proximidade da chuva....talvez seja qualquer coisa e talvez não seja nada.

Fico revirando as coisas que escrevi, sem no entanto sentar e escrever outras coisas. Ando pensando em mudar de profissão, coisa que não vai ser muito difícil, já que não tenho, tecnicamente, uma...risos...

Gosto de viver minha vida, dia após dia, aproveitando cada minuto, como nunca vivi. Eu costumava viver olhando sempre para trás e para a frente, sem me fixar no que estava fazendo, como se só houvesse passado e futuro, e como se eu não tivesse nenhum dos dois.

Depois de conhecer o Dave e ver minha vida virar de cabeça para baixo, aprendi que o momento é agora, que a vida passa, que a gente tem que ser feliz, não importa se para isso tiver que mudar toda a vida, sair do que nos traz segurança, deixar tudo para trás, jogar tudo para o alto.

E assumir o que se faz. E as consequências do que se fez. E a saudade. E a proximidade da chuva, o vento ligeiramente frio cortando a pele, melancolia...

Não sou uma pessoa ruim, nunca fui. Acho mesmo que ninguém nunca pensou que eu fosse, mas é sempre bom lembrar. Porque de vez em quando eu me canso de mim, dessa postura sempre desconfiada e defensiva, tentando me proteger da outra Vanessa, mais crédula e carinhosa, que sempre se ferra por ser assim.

Acabo vendo, no final das contas, que não posso deixar a armadura de lado. Ela só não está disponível nos relacionamentos com a minha família, meus amigos de verdade (poucos, poucos, muito poucos) e meu marido.E só.

Desconfiada, sempre atenta, alerta, até um pouco paranóica...risos... Isso tudo estressa. Estressa mesmo. Me cansa, às vezes. E eu tenho vontade de ficar em casa o dia inteiro, sem sair, sem fazer nada, sem conversar com ninguém, para desintoxicar de mim.

Pode ser TPM? Pode, nenhuma hipótese está descartada neste momento...risos...principalmente quando se é mulher e tem essa profusão hormonal atrapalhando o sangue.

Conversei com algumas meninas no curso de primeiros socorros. Todas elas descontentes com os maridos, infelizes e satisfeitas, por achar que não existe nada melhor do que aquilo mesmo. E eu me sentindo uma idiota Pollyânica (eu odeio Pollyana) saltitante, enquanto elas me olhavam com aquela cara horrível de "coitadinha, iludida..." Todas casaram após namoros longos, mesmo no início do casamento já estava tudo meio saturado.

Confesso que fiquei assustada com alguns comentários, como "a melhor coisa que pode acontecer depois de uma certa época do casamento é ficar longe do marido por algum tempo". Hein??? Traumatizada por namoro à distância, não conseguiria nem imaginar ficar dois meses longe do Dave, como uma delas ficou longe do marido, logo no início do casamento, dizendo que "foi o melhor período do meu casamento". Eles se viam de 15 em 15 dias.

Será que sou a única pessoa na Terra que acha que casar é muito bom, ficar junto é a melhor coisa que já inventaram e que, a despeito das diferenças e eventuais briguinhas, não existe melhor coisa no mundo do que dividir a casa e a vida com a pessoa que você ama???

Não, não é por que eu tenho um mês e pouco de casada, não é porque a gente se conhece há tão pouco tempo que não deu tempo de enjoar, mas por a gente ter um relacionamento de amizade forte. Acho que isso sustenta tudo.

Sei lá, quem sou eu para saber da vida dos outros? Para saber como realmente vivem? Para saber o que é real e o que é imaginação minha? Prefiro viver na nossa realidade, que está bom assim. Mas fico triste ao ver tanta gente boa, que merecia estar mais do que feliz passando por fases ruins.

Fico chateada pelos outros. Mas sei que é tudo isso: fase. Meu otimismo incorrigível se recusa a acreditar que coisas ruins podem ser permanentes. A gente sempre se encontra.

E continuo com saudade. Tinha prometido a mim que não falaria de casamento neste post, muito menos do Dave, que eu mesma já estou cansada de ler meus posts sempre iguais, quero mudar um pouco de assunto, mas não consigo.

Pensando seriamente em me desligar na internet, fechar os blogs, sumir do orkut, mas duvido que consiga.

É, deve ser mesmo TPM. Lembro que uma vez por mês tinha vontade de fechar o blog e às vezes chegava a fazer micro-hiatus e parar de escrever por alguns dias, imaginando que seria definitivo.

Minha vida ainda está em Stand-By, afinal de contas, temos pouco mais de um mês antes da viagem. E eu estou meio cansada, cansada, cansada.

É bem provável que seja fome. Pode ser, pode ser. Comi pela última vez acho que ontem (espero que minha mãe não leia isso...risos...), de vez em quando esqueço de comer, na maioria das vezes não sinto fome mesmo. Nunca sei quando estou com fome, geralmente só descubro quando estou com a comida na minha frente e dou a primeira garfada. Aí o estômago acorda, desesperado...risos...

Engraçado é que amo comer, mas costumo comer só bobagens, muito doce, chocolate, pizza, coisas que não são lá muito saudáveis.

Mas que ninguém se preocupe, saio agora para comer e na volta digo se era ou não era fome.

Ou TPM, ou frio, ou chuva, ou só saudade mesmo....melancolia, nostalgia, um pequeno ponto cortante e escuro na vida de alguém que insiste em viver ligada na tomada, vendo tudo colorido, doce, grande e acreditando no poder da revolta contra a situação ruim.

Talvez ajude se eu tomar banho. Se tomar banho, me arrumar, comer, fazer o que tenho de fazer, voltar para casa....talvez ajude. Aviso.





Quarta-feira, Agosto 04, 2004


CapítuloVI

Kimar e o Morango Gigante


*Parte da suíte do hotel Kimar, em Tramandaí. Foto by: Vanessa Lampert

Definitivamente, somos seres urbanos. Estávamos quase voltando para Porto Alegre para almoçar em algum shopping e ver civilização, quando Dave teve uma idéia que salvaria todo o final de nossa lua-de-mel.

-Vamos à praia?
-Hein?
-À praia. Tramandaí.

Não gosto muito de praia, mas Tramandaí é um lugarzinho agradável. Ademais, nada poderia ser pior do que o que passamos em Caxias do Sul.

No caminho, já um pouco mais animados, passamos por algumas cidadezinhas, como Carlos Barbosa, que também não tinha nada aberto. Acabamos achando que a Festiqueijo já havia acabado e perdemos essa grande comemoração gastronômica. Droga. Justo eu que amo queijo!

Andamos mais um pouco e tivemos a visão do paraíso.
- O que é aquilo?
- Não sei, parece um morangão gigante.

Note que para o troço ser "um morangão gigante" ele tem que ser realmente grande...risos.... Um morango enorme na beira da estrada realmente chama atenção. Paramos para ler a placa ao lado "Centro Comercial de Bom Princípio". AAAAAAAAAA!!! Olhei para Dave, animada:
- É quase um shopping!! - E ele:
- Sinais de civilização!! Vamos descer!

Eu e o morangão de lado. Foto: D.Lampert

Ok, o troço era minúsculo, mas foi como encontrar um oásis no deserto. Uma verdadeira bênção divina, todas aquelas lojinhas minúsculas, a igualmente minúscula praça de alimentação onde nos alimentamos com um belo cheese-salada. Sinais da civilização.

Ao lado, no estacionamento do morango, tinha um CTG. Para quem não sabe, CTG (Centro de Tradições Gaúchas) é um lugar de onde saem pessoas fantasiadas de gaúchos :) Homens de bombachas, meninas de vestidões componeses da época da revolução farroupilha (prendas). Lá eles tocam músicas gauchescas, tomam chimarrão e devem fazer outras coisas de gaúcho, que não sei quais são, pois nunca entrei em um lugar desses.

Tecnicamente é um grande depósito gauchesco, de onde saem pessoas disfarçadas de gaúchos a cada cinco minutos. E havia dezenas delas ali no pátio e na praça de alimentação. Eles se divertem.

Comemos sanduíche, tiramos fotos e descobrimos que a cidade de Bom Princípio é uma grande produtora de morangos. Como bons turistas, compramos um morango de pelúcia, que logo passou a ser chamado de Schmier (Chimia).

Nome cruel. Schmier é o nome que se dá a um doce de fruta, algo entre geléia e compota, que pode ser feito de banana, morango, tangerina (bergamota), uva, laranja, e qualquer outra fruta "compotável". Costumava traduzir por "geléia", mas é mais para compota mesmo. Muito bom. Coisa de gaúcho. Ou coisa de alemão. Tanto faz.

Bem, o pobre morango de pelúcia, Schmier, nos acompanhou por todo o trajeto. Chegamos em Tramandaí meio perdidos, sem saber onde ficar. Dave conhece bem a cidade e disse que encontraríamos um hotel maravilhoso, para compensar o muquifo de Caxias.

Achamos um hotel caro, mas com as instalações bem semelhantes às daquele Alfred. E pessoas extremamente antipáticas nos atendendo.

Atravessamos a rua e encontramos outro hotel, Kimar.

Os funcionários foram bem simpáticos, conversamos e conseguimos um quarto sem carpete!!! E como estava na época do Festival do Peixe (dispensável para este ser alérgico que vos escreve), a tabela estava em promoção. Ficamos em um apartamento super luxo, com sacada e sem carpete, pelo preço normal de um standard.

Entramos no quarto e sobre a cama havia um bombom Sonho de Valsa, com um cartãozinho grampeado, escrito:

"Olá! Hoje eu fiz a arrumação do seu apartamento, espero que esteja do jeitinho que você gosta. Em caso de dúvida ligue na recepção ramal 9.
"Obrigado por escolher o Hotel Kimar."
Atenciosamente
Vera."



Foi o "momento meigo". Eu, que já estava achando aquilo tudo lindo, perfeito, quase chorei com a atenção da Vera...risos...fiquei realmente traumatizada com a noite que passamos em Caxias.

Feliz da vida, subi e tomei um super banho (não se esqueçam que pulamos a parte "banho" daquele hotel horrendo no qual nos hospedamos na noite anterior). Passeamos pela cidade, comemos um rodízio de pizza muito bom, tomamos chuva e dormimos muito bem.

No dia seguinte, tomamos café, fizemos compras em uma loja ótima de 1,99, onde nem tudo é 1,99. Compramos alguns utensílios domésticos e coisas para nós.

Soltar Van e Dave em uma loja de 1,99 é soltar-nos no paraíso. Adoramos essas quinquilharias. Eles têm, nessas lojas, coisas que você jamais imaginou que precisaria, mas ao encontrá-las, não consegue nem lembrar como conseguia viver sem elas.

Compramos dois jogos americanos bem a nossa cara. Um dia tiro foto e posto aqui. Não agora, porque tenho uma reputação a zelar...risos....mas posso adiantar que só há pouco tempo descobri que estava escrito na embalagem: "Jogo Americano Infantil". São desenhos coloridos. Um é de um burrinho e o outro de um hipopótamo. E nós somos adultos.

Falando nisso, tirei foto do Schmier. :) Não sou daquelas aficcionadas por bichinhos de pelúcia, na verdade nem gosto muito deles, gostava quando era criança, mas da adolescência para cá, não tem mais graça. Mas Schmier tem um valor histórico muito grande para nós...e, a propósito, ele não é um bichinho, é uma frutinha de pelúcia. :)

Talvez eu devesse apagar o parágrafo acima, afinal de contas Dave pode estar pensando em comprar um bichinho de pelúcia para mim e desistir por conta do que escrevi. Mas aí entraria na categoria de "valor histórico" ou de "memória afetiva", sei lá, a desculpa que couber. :)

Bem, saímos no início da tarde e eu encontrei mais um daqueles papeizinhos para que o cliente diga o que achou do hotel. Desta vez, me derramei em elogios. Contei do bom atendimento, do café da manhã gostoso, das ótimas instalações do hotel, da atenção que recebemos, enfim, falei até do bombom da Vera. No final, deixei meu e-mail.

Passeamos pela praia, olhamos os passarinhos engraçados, os surfistas, os cachorrinhos passeando com seus donos surfistas, o mar, a areia, os papéis e copos descartáveis tomando sol, as garrafinhas de refrigerante nadando, e tantas outras coisas românticas e bonitas que existem em qualquer praia neste país que admita gente.

Depois voltamos para Porto Alegre, felizes, planejando novas viagens....para quando tivermos coragem. Não que a Lua-de Mel tenha sido ruim, muito pelo contrário, foi divertida e muito boa, daqueles passeios de guardar para sempre na memória e no coração (uau, isso ficou brega). Mas foi adrenalina demais para meu fraco sangue...risos...

Embora eu deva confessar, da próxima vez prometo não prometer contar a viagem toda aqui...risos...acho que reviver tudo e tentar fazer parecer tão emocionante como realmente foi, tornou-se a parte mais complicada do trajeto. Devo avisar, porém, que a vida de casada tem sido ainda mais emocionante e interessante do que aqueles primeiros e confusos dias.

Espero que tenham se divertido tanto quanto nós (hum...acho que nem tanto, né?...risos...) e que tenham suportado bravamente a tortura desses meus posts em capítulos...risos.... para quem não acompanhou e tem preguiça de procurar, linko, um a um, na ordem:

Capítulo I - O Retorno
Capítulo II - Aline
Capítulo III - A Nuvem
Capítulo IV- O Fondue
Capítulo V - O Hotel do Mecânico
Capítulo VI - Kimar e o Morango Gigante

Dias depois, quando já estávamos em casa, recebi um cartão virtual com o seguinte texto:

"Olá amiga, nós do HOTEL KIMAR, adoramos sua estadia aqui conosco, e principalmente em ler seu questionário respondido, todos os funcionários leram e adoraram, estaremos esperando vocês em nosso Hotel sempre que vierem ao litoral, gratos pelos elogios...
Um abraço
Lucinéia Boito Nunes
HOTEL KIMAR"


Depois dessa, nem me lembro mais de Caxias. Alfred? Que Alfred???


PS: A foto é dupla, para apresentar o Schmier e mostrar meu cabelo novo. Muito pouco, depois posto uma foto melhor, agora estou descabelada. Depois, tá?

Passei castanho escuro e ficou preto :) Que ninguém se espante se qualquer dia desses eu aparecer com ele cortado na altura dos ombros...risos...não diga que não avisei.

PS2: Desculpe a quem ficou apavorado ou agoniado com a foto do post anterior. Não era essa a minha intenção :)

PS3: Patrícia, eu te disse que tinha escrito sobre 1,99...risos....acabei nem podendo ir hoje, veio um pessoal montar o paneleiro que comprei. Tenho um paneleiro!!! Lugar de guardar coisinhas!! Que bom, já posso lavar a louça :)

PS4 O morangão era só a entrada do estacionamento, o mini-shopping ficava ao lado. É que reli o texto agora e vi que isso não ficou claro.






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